sábado, 9 de junho de 2012

Brasileiro abusa de Rivotril e Diazepam


Brasileiro abusa do consumo de ansiolíticos      
Diário Web - Elen Valereto

Uma pesquisa brasileira recém divulgada apontou que medicamentos ansiolíticos (ou calmantes) estão sendo usados de forma abusiva. Além do uso prolongado, para casos leves de ansiedades, nervosismo e insônia, são indicados remédios do tipo BZD (benzodiazepinas) sem antes recorrer a outras estratégias como tratamento.
Os medicamentos mais comuns desse grupo são o Diazepam e Rivotril, pois são distribuídos pela rede de saúde pública, portanto, sendo de fácil acesso. Esse estudo, apresentado para uma tese de doutorado do Departamento de Psicologia da Unesp, em Assis, mostrou que é possível retirar a medicação com sucesso apenas com acompanhamento psicológico e orientação aos usuários.
O estudo foi realizado em etapas, em Assis e Goiânia, entre 2009 e 2011. O trabalho de campo ficou na última cidade, acompanhando pacientes do sistema público de saúde de áreas muito pobres. De um total de 64 pacientes, 45% interromperam o uso total da medicação, em alguns casos ingerida há cerca de 10 anos. Outro dado importante divulgado pela pesquisa foi o perfil dos usuários: 70% eram mulheres, sendo 40% delas vítimas de problemas sociais como pobreza, violência em casa ou medo das ruas.
Confira a seguir a entrevista com a autora da pesquisa, a psicóloga Ionara Vieira Moura Rabelo.
Diário da Região - Que mecanismos foram usados para retirar os ansiolíticos dos pacientes?
Ionara Vieira Moura Rabelo - O primeiro foi a dessensibilização dos pacientes e da equipe de saúde. Foi aplicado um questionário aos pacientes e constatado que eles nunca haviam entendido que aquele tratamento tinha um prazo de até três meses devido à falta de informação e de orientação médica. A maioria (dos pacientes) começou o tratamento há 10 anos e sempre carregava a receita do especialista afirmando que tinha insônia. Com isso, nenhum outro médico de clínica geral se responsabilizava em retirar a medicação ou dar uma orientação, sendo que o acesso a especialistas é lento e muitas só acontece uma vez ao ano. Na equipe de saúde, foi levantado o porquê da continuação da prescrição dos ansiolíticos e a observação de que a insônia, um dos problemas, estava ligada ao sofrimento social e não a um sintoma neurológico. Feito isso, os grupos se mobilizaram. Elaboraram uma carta informativa para cada usuário do ansiolítico com discurso técnico, mas também personalizado, além de destacar nas visitas outras possibilidades de cuidados.

Diário - O que mais foi feito?
Ionara - Nesse processo, fizemos uma oferta de estratégias psicossociais para ouvir os problemas e tentar mediá-los. Um espaço para essas pessoas falarem sobre o seu sofrimento, para terem mais força para reagir, além de atividades fora e orientações sobre outros caminhos para encontrar uma solução. Os ansiolíticos só as ajudava a aguentar mais, como no caso das mulheres vítimas de violência, mas sem resolver o problema principal delas. O mais importante é que não fizemos o que geralmente é feito nos ambulatórios: tirar um medicamento, mas substituir por outro.

Diário - Como foi a reação dos pacientes participantes da pesquisa?
Ionara - Alguns já tinham a resistência, por isso foi uma aproximação muito lenta. Foi preciso criar um vínculo para ouvir sobre a vida deles e tirar o foco sobre o remédio, mostrando a eles que o mais importante era o cuidado humano que iam começar a receber.

Diário - Qual era o perfil dessas pessoas e por que buscaram os ansiolíticos?
Ionara - Constatamos que 70% eram mulheres, na faixa etária dos 55 anos, usando ansiolíticos há quase 10 anos. Os relatos para a medicação variavam entre a perda de um ente querido, situações trágicas frutos da pobreza, insegurança no cotidiano e homens muito ciumentos. Já os homens tinham em média 53 anos, usavam a medicação há pelo menos 11 anos e encontraram nos ansiolíticos uma solução para fugir do vício do álcool. Percebemos que as mulheres fazem mais o uso, mas quando os homens entram nesse processo devido ao sofrimento ficam por muito mais tempo.

Diário - O que leva o brasileiro a abusar do uso de ansiolíticos?
Ionara - Em lugares muito pobres, como na região da pesquisa em Goiânia, é comum observar que o poder público não chega. Não há uma creche, uma praça, os meninos estão usando crack e o que geralmente chega rápido é a saúde, no máximo, também uma escola. Há uma ausência de possibilidades. Diante disso, a saúde vai dar respostas da área dela. Uma paciente relatou que, em decorrência dos problemas sociais, vive vigiando os filhos, e o excesso de preocupação não a deixa dormir, e o remédio acaba sendo a solução dela.

Diário - Como modificar esse pensamento sobre a prescrição de ansiolíticos?
Ionara - A primeira coisa é que trabalhamos em um conceito de saúde mental, que é deixar de medicar situações do cotidiano. Dentro da reforma psiquiatra e dos conceitos de saúde coletiva e tudo o que o sistema público de saúde trabalha é na integralidade. Então, se o paciente chega sofrendo porque está sem trabalho ou é vítima de violência, a Saúde precisa tomar cuidado para não dar uma resposta médica para um problema social. Mas essa pesquisa mostra que é possível dentro do sistema de saúde repensar as práticas para não reproduzir esse modelo baseado na prescrição de medicação. Até o final do trabalho, nenhuma pessoa havia sido medicada com ansiolíticos e as receitas não foram “repetidas”.

Diário - Quais seriam os tratamentos alternativos para quadros leves de ansiedade, nervosismo e insônia?
Ionara - No caso da insônia, buscamos apresentar a higiene do sono, ou seja, apresentar todos os passos antes de começar a pensar em tomar remédio. São observações sobre os hábitos alimentares, a participação do tabagismo, a falta de atividades físicas, ir para a cama com alguma preocupação... são necessárias mudanças básicas nesses comportamentos. O uso do remédio não só resolverá as causas dos problemas que causam sofrimento para a pessoa, provoca dependência e causa consequências graves a longo prazo, como falhas na memória. O principal é buscar realizar atividades relaxantes, que ajudem a limpar a mente dessas situações incômodas e buscar alternativas que ajudem a por um fim nelas. Enfim, cuidar de si de verdade.

4 comentários:

  1. DIAZEPAN FOI A MAIOR DESGRAÇA QUE JÁ APARECEU EM MINHA VIDA. E EU QUERO DEIXAR COMO DEVO PROCEDER PARA FAZER TERAPIA OU QUALQUER COISA SIMILAR POR FAVOR. NAO AGUENTO MAIS TOMAR ESTA DROHGA

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    1. Olá! Para fazer psicoterapia vc precisa procurar uma psicóloga em um posto de saúde ou em um caps alcool e drogas, no seu convênio médico ou particular. Não sei onde vc mora, mas procure se informar no posto de saúde mais perto da sua casa onde encontrar uma profissional. Converse com o médico e peça para ele fazer o "desmame" do medicamento, e trocar por outro que não cause dependência, ele saberá como conduzi-lo. Mas saiba que o seu organismo sentira a falta da medicação no inicio do "desmame" e isso será bem ruim, poderá ter insonia e nervosismo, mas vai melhorando com o passar do tempo. Vc terá que ter acompanhamento psicológico. Um abraço e boa sorte!

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  2. POR FAVOR EM RESPOSTA DE MINHA PERGUNTA GOSTARIA DE SABER DAS POSSIBILIDADES DE LARGAR O DIAZEPAN 10 MG.,.
    sidneyemergencia@hotmail.com.

    por favor.
    GRATO.

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    1. Ólá Garcia, vc precisa conversar com o médico e solicitar o "desmame" do medicamento e a troca por outro que não cause dependência, caso seja necessário continuar tomando medicamento. Veja a resposta acima. Grata!

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