quarta-feira, 27 de junho de 2012

Pena de dependente químico será o tratamento


Reabilitação é arma de São José contra drogas

By Marinella $content.creator.surname Published: June 26, 2012

Carolina Teodora- São José dos Campos – ovale.com.br

O combate às drogas vai ganhar novas estratégias em São José dos Campos. O Ministério Público finaliza projeto que prevê trocar a pena do acusado dependente químico por um tratamento de reabilitação.
Denominada ‘Justiça Terapêutica’, a proposta deve começar no segundo semestre e poderá beneficiar até 100 réus que são flagrados todos os meses na cidade cometendo crimes de menor potencial ofensivo como porte de drogas para consumo e acidentes de trânsito. Hoje, a pena para esses crimes varia de multas a prestação de serviços à comunidade.
Caberá à Promotoria avaliar se o indiciado faz uso de drogas ou álcool. Se for encontrada suspeita de dependência, o réu será intimado a ir com um familiar à audiência de Justiça Terapêutica, que prevê explicações sobre os aspectos jurídicos e sociais referentes às drogas.
A audiência, que será realizada nas últimas sexta-feiras de cada mês, contará com a participação dos órgãos de saúde, entidades de autoajuda e até ex-dependentes.

Avaliação. Após término dessa audiência com todos os acusados, terá início audiência individual, na qual o réu, com auxílio de seu familiar, poderá optar ou não pelo tratamento químico.
Responsável pela ação, o promotor do Jecrim (Juizado Especial Criminal) de São José, Fábio Rodrigues Franco Lima, disse que o acusado que optar pelo tratamento terá que cumprir certas exigências.
Entre elas, estão o compromisso de frequentar a reabilitação por pelo menos cinco meses e a apresentação todo mês da ficha de presença aos eventos.
“A internação é sempre o último recurso. Antes, vamos encaminhar o acusado para tratamentos alternativos sem necessidade de internação”, afirmou Lima a O VALE.
O promotor disse ainda que outro benefício do projeto é iniciar uma rede de assistência aos dependentes em que as entidades do município tenham comunicação entre si.
Dessa forma, as entidades vão passar a encaminhar os pacientes de acordo com o perfil e necessidade de cada um.

Agenda. Na próxima sexta-feira, às 14h30, o projeto será detalhado durante o Seminário sobre Drogas que será realizado na Câmara. Entre as entidades que já firmaram parceria estão o AA (Alcoólicos Anônimos) e a Pastoral da Sobriedade, da Igreja Católica.

OPINIÃO
Especialista aposta em redução de crimes
em São José dos Campos

Especialistas da região aprovaram o novo método de atendimento adotado pela Justiça de São José.
Segundo eles, a medida poderá a longo prazo diminuir os crimes, ajudando na prevenção e atacando a ‘real causa’ dos problemas dos infratores.
“É uma ótima medida, que pode evitar que o pequeno infrator de hoje cometa crimes mais graves no futuro. Agora, resta saber se as instituições da região terão qualidade e capacidade de atendimento”, afirmou o psicólogo Manuel Morgado, especialista em dependência química.

Impacto. O psiquiatra Marco Antonio Vitti, de São José, afirmou que a técnica que será implantada pelo MP terá grande impacto na sociedade.
“Já está mais do que comprovado que combater a criminalidade apenas com a repressão não gera resultados positivos”, disse Vitti.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Homem troca cachorro da família por crack


Homem troca cachorro da família por crack no RS

SÃO PAULO - A filhote da raça yorkshire usada como pagamento na compra de crack, Meg, foi resgatada durante operação da Polícia Civil, em São Leopoldo, no Vale do Sinos, no Rio Grande do Sul, na última sexta-feira, 15. Duas pessoas foram presas e uma menor apreendida na ação.

Homem troca cachorro da família por crack no RS

Segundo o delegado titular da 3ª Delegacia de Polícia, Alencar Carraro, o animal avaliado em torno de R$ 800,00 foi furtado da mãe pelo usuário M.L.S, de 47 anos, e trocado por drogas em uma boca de fumo instalada em São Geraldo. Além da cachorra, o usuário também ofereceu a esposa, mãe de dois filhos, para a prostituição, segundo a polícia.

Durante as investigações, a polícia descobriu que Meg estava na casa do traficante Paulo Ricardo Pereira, de 41 anos, que foi preso na Operação. O cão teria sido presenteado por ele a uma filha, segundo a polícia.

Além do animal, os policiais apreenderam drogas (crack e maconha), dinheiro, balança de precisão e uma motocicleta. Além disso, foi preso e autuado em flagrante o traficante Rogério Alencar Machado Rodrigues, de 43 anos, que comercializava drogas em casa na presença de dois filhos menores, informou a polícia.

Durante a ação, realizada nos bairros São Geraldo e Feitoria, também foram presas três pessoas preventivamente pelos crimes de homicídio.

De acordo com o delegado, Meg será entregue à família na tarde desta segunda-feira, 18. O usuário M. foi preso por roubo.

sábado, 9 de junho de 2012

Brasileiro abusa de Rivotril e Diazepam


Brasileiro abusa do consumo de ansiolíticos      
Diário Web - Elen Valereto

Uma pesquisa brasileira recém divulgada apontou que medicamentos ansiolíticos (ou calmantes) estão sendo usados de forma abusiva. Além do uso prolongado, para casos leves de ansiedades, nervosismo e insônia, são indicados remédios do tipo BZD (benzodiazepinas) sem antes recorrer a outras estratégias como tratamento.
Os medicamentos mais comuns desse grupo são o Diazepam e Rivotril, pois são distribuídos pela rede de saúde pública, portanto, sendo de fácil acesso. Esse estudo, apresentado para uma tese de doutorado do Departamento de Psicologia da Unesp, em Assis, mostrou que é possível retirar a medicação com sucesso apenas com acompanhamento psicológico e orientação aos usuários.
O estudo foi realizado em etapas, em Assis e Goiânia, entre 2009 e 2011. O trabalho de campo ficou na última cidade, acompanhando pacientes do sistema público de saúde de áreas muito pobres. De um total de 64 pacientes, 45% interromperam o uso total da medicação, em alguns casos ingerida há cerca de 10 anos. Outro dado importante divulgado pela pesquisa foi o perfil dos usuários: 70% eram mulheres, sendo 40% delas vítimas de problemas sociais como pobreza, violência em casa ou medo das ruas.
Confira a seguir a entrevista com a autora da pesquisa, a psicóloga Ionara Vieira Moura Rabelo.
Diário da Região - Que mecanismos foram usados para retirar os ansiolíticos dos pacientes?
Ionara Vieira Moura Rabelo - O primeiro foi a dessensibilização dos pacientes e da equipe de saúde. Foi aplicado um questionário aos pacientes e constatado que eles nunca haviam entendido que aquele tratamento tinha um prazo de até três meses devido à falta de informação e de orientação médica. A maioria (dos pacientes) começou o tratamento há 10 anos e sempre carregava a receita do especialista afirmando que tinha insônia. Com isso, nenhum outro médico de clínica geral se responsabilizava em retirar a medicação ou dar uma orientação, sendo que o acesso a especialistas é lento e muitas só acontece uma vez ao ano. Na equipe de saúde, foi levantado o porquê da continuação da prescrição dos ansiolíticos e a observação de que a insônia, um dos problemas, estava ligada ao sofrimento social e não a um sintoma neurológico. Feito isso, os grupos se mobilizaram. Elaboraram uma carta informativa para cada usuário do ansiolítico com discurso técnico, mas também personalizado, além de destacar nas visitas outras possibilidades de cuidados.

Diário - O que mais foi feito?
Ionara - Nesse processo, fizemos uma oferta de estratégias psicossociais para ouvir os problemas e tentar mediá-los. Um espaço para essas pessoas falarem sobre o seu sofrimento, para terem mais força para reagir, além de atividades fora e orientações sobre outros caminhos para encontrar uma solução. Os ansiolíticos só as ajudava a aguentar mais, como no caso das mulheres vítimas de violência, mas sem resolver o problema principal delas. O mais importante é que não fizemos o que geralmente é feito nos ambulatórios: tirar um medicamento, mas substituir por outro.

Diário - Como foi a reação dos pacientes participantes da pesquisa?
Ionara - Alguns já tinham a resistência, por isso foi uma aproximação muito lenta. Foi preciso criar um vínculo para ouvir sobre a vida deles e tirar o foco sobre o remédio, mostrando a eles que o mais importante era o cuidado humano que iam começar a receber.

Diário - Qual era o perfil dessas pessoas e por que buscaram os ansiolíticos?
Ionara - Constatamos que 70% eram mulheres, na faixa etária dos 55 anos, usando ansiolíticos há quase 10 anos. Os relatos para a medicação variavam entre a perda de um ente querido, situações trágicas frutos da pobreza, insegurança no cotidiano e homens muito ciumentos. Já os homens tinham em média 53 anos, usavam a medicação há pelo menos 11 anos e encontraram nos ansiolíticos uma solução para fugir do vício do álcool. Percebemos que as mulheres fazem mais o uso, mas quando os homens entram nesse processo devido ao sofrimento ficam por muito mais tempo.

Diário - O que leva o brasileiro a abusar do uso de ansiolíticos?
Ionara - Em lugares muito pobres, como na região da pesquisa em Goiânia, é comum observar que o poder público não chega. Não há uma creche, uma praça, os meninos estão usando crack e o que geralmente chega rápido é a saúde, no máximo, também uma escola. Há uma ausência de possibilidades. Diante disso, a saúde vai dar respostas da área dela. Uma paciente relatou que, em decorrência dos problemas sociais, vive vigiando os filhos, e o excesso de preocupação não a deixa dormir, e o remédio acaba sendo a solução dela.

Diário - Como modificar esse pensamento sobre a prescrição de ansiolíticos?
Ionara - A primeira coisa é que trabalhamos em um conceito de saúde mental, que é deixar de medicar situações do cotidiano. Dentro da reforma psiquiatra e dos conceitos de saúde coletiva e tudo o que o sistema público de saúde trabalha é na integralidade. Então, se o paciente chega sofrendo porque está sem trabalho ou é vítima de violência, a Saúde precisa tomar cuidado para não dar uma resposta médica para um problema social. Mas essa pesquisa mostra que é possível dentro do sistema de saúde repensar as práticas para não reproduzir esse modelo baseado na prescrição de medicação. Até o final do trabalho, nenhuma pessoa havia sido medicada com ansiolíticos e as receitas não foram “repetidas”.

Diário - Quais seriam os tratamentos alternativos para quadros leves de ansiedade, nervosismo e insônia?
Ionara - No caso da insônia, buscamos apresentar a higiene do sono, ou seja, apresentar todos os passos antes de começar a pensar em tomar remédio. São observações sobre os hábitos alimentares, a participação do tabagismo, a falta de atividades físicas, ir para a cama com alguma preocupação... são necessárias mudanças básicas nesses comportamentos. O uso do remédio não só resolverá as causas dos problemas que causam sofrimento para a pessoa, provoca dependência e causa consequências graves a longo prazo, como falhas na memória. O principal é buscar realizar atividades relaxantes, que ajudem a limpar a mente dessas situações incômodas e buscar alternativas que ajudem a por um fim nelas. Enfim, cuidar de si de verdade.

Doentes de Câncer receberão entorpecentes para dor


SUS poderá oferecer entorpecentes para          doentes de câncer com dor intensa                    
Agência Câmara de Notícias 

                                                                 
Está pronto para inclusão na pauta do Plenário o Projeto de Lei 3887/97, do Senado, que prevê o fornecimento de analgésicos, entorpecentes ou substâncias correlatas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), para os pacientes com câncer acometidos por dor intensa e constante.Esse projeto integra a lista de propostas prioritárias entregue pelo presidente da Câmara, Marco Maia, aos líderes partidários. 

A proposta cita seis medicamentos, mas prevê a possibilidade de inclusão de outros pelo Ministério da Saúde. Os medicamentos citados são morfina, petidina, codeína, tramadol, buprenorfina e naloxone. 

Todos são opioides (substâncias sintéticas ou não com ação semelhante à do ópio, mas que não derivam dele).O projeto prevê a criação, pelo Poder Executivo, de um Programa Especial de Dor Oncológica, por meio do qual os medicamentos seriam distribuídos gratuitamente aos pacientes cadastrados. Essa determinação ao Poder Executivo foi excluída do projeto por meio de emenda supressiva aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, por ser considerada inconstitucional (um Poder não pode criar atribuição para outro). 

A CCJ aprovou outra emenda supressiva, retirando do projeto um artigo que dizia: “Revogam-se as disposições em contrário”. Esse artigo é ilegal (os projetos precisam especificar as disposições legais que regovam).Se as alterações forem consideradas emendas de mérito, o projeto voltará para o Senado. Se forem consideradas emendas de redação, o projeto seguirá para sanção presidencial. 

Laudo
Conforme o projeto do Senado, os medicamentos contra dor intensa serão entregues mediante a apresentação de laudo médico, com validade de cinco anos. O laudo deverá ser assinado por um médico e pelo diretor clínico da instituição ou hospital onde se processa o tratamento.Os pacientes deverão cadastrar-se em programa especial de controle da dor oncológica, mediante apresentação do laudo médico. Os cadastros relacionados a esse programa especial serão enviados ao Ministério da Saúde para sua consolidação no nível nacional.Conforme o projeto, o porte, o transporte, a cessão, a doação, a troca, a manutenção em estoque ou a venda irregulares dos medicamentos integrantes desse programa submetem os infratores às penas da Lei 6.368/76, sobre prevenção e repressão ao tráfico de drogas. Essa lei foi revogada em 2006. 


Apensados
Depois da aprovação do projeto pela CCJ, em junho do ano 2000, foram apensados à proposta outros quatro projetos, que deverão receber parecer em Plenário. Se forem incorporados ao texto, este precisará voltar ao Senado.


Os apensados são:
- PL 5024/01, do ex-deputado José Carlos Coutinho (RJ), que é semelhante ao projeto do Senado e cita os mesmos medicamentos, sem o inconveniente de criar atribuição para o Poder Executivo;
- PL 3997/08, do ex-deputado Dr. Pinotti (SP), que estabelece o tratamento com o medicamento Trastuzumab para o câncer de mama;
- PL 2878/11, da deputada Carmen Zanotto (PPS-SC), que tem o mesmo objetivo do projeto do Senado, sem citar medicamentos. Conforme a proposta, o Poder Executivo, por meio do Ministério da Saúde, padronizará os tratamentos e medicamentos a serem utilizados em cada estágio evolutivo da doença. Esse tratamento será revisto a cada ano;
- PL 3125/12, da deputada Flávia Morais (PDT-GO), que estabelece prazo de 30 dias para a realização de cirurgia, pelo SUS, em pacientes com diagnóstico de câncer.
 

Da Redação/WS

Fumaça do cigarro polui mais que a fumaça dos carros


A fumaça do cigarro polui mais do que a produzida por um carro
http://www.greenme.it/vivere

Segundo estudo realizado pelo Instituto do Câncer, em Milão, Itália, o tabaco é uma fonte de emissão de partículas de poluentes mais perigosos que aqueles gerados pela combustão de carros e indústrias. 

Para chegar a essas conclusões, os estudiosos fizeram algumas experiências, utilizando uma pequena cabine em plástico transparente, com um detector capaz de medir o nível de poluição na área. Foi medido o ar da cabine após a combustão do motor de uma Harley Davidson, modelo 883, uma das motocicletas mais poluidoras do mundo, que foi mantida acelerada durante dois minutos. Em outro momento, por igual período de tempo, uma mulher fumou um cigarro no interior da cabine. Resultado: o ar de Milão, já comumente poluído, passou a apresentar concentração de partículas de 250,000 micron por metro cúbico, após os dois minutos de aceleração da moto, e de 700,000 micro por metro cúbico, após o consumo do cigarro.

Do experimento emergem dois fatores importantes: O primeiro mostra que o fumo polui mais que a fumaça dos carros e da indústria, o segundo nos diz que o fumo passivo é um perigo não só em áreas fechadas, mas também ao ar livre. Para isso é preciso criar vários espaços verdes onde o fumo é estritamente proibido. E a mesma coisa deve acontecer na praia. Mas há mais: a fumaça dos cigarros, ao contrário dos carros e indústrias, é filtrada pelos pulmões do fumante e formada pela queima de tabaco e papel, onde você encontra NO2, CO, nicotina, benzopireno, metilglioxal, formaldeído, acetaldeído, acroleína, e doses maciças de partículas.

E se é verdade que o principal ingrediente de cigarros é o tabaco natural, é certo que há muitos produtos químicos extremamente nocivos ao corpo humano em sua composição, incluindo: nicotina, formaldeído, amônia, arsénio, alcatrão, ácido fenilacético, monóxido de carbono, dióxido de carbono, propano, acroleína, cianeto de hidrogénio, acetaldeído, metilglioxal, propanaldeide, acetonitrilo, anilina, piridina, nitrosodimetilamina, nitroso-nor-nicotina, nitrosoanatabina, tolueno, benzopireno, quinolina, cádmio, níquel e zinco.
 Tradução livre: Gilberto Silva                                                                                

3,6% dos paulistas são dependentes de álcool


Estudo aponta que 3,6% dos paulistas são dependentes de álcool

ABEAD
O estudo São Paulo Megacity realizado com 5.037 indivíduos adultos da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), aponta que mais de 10% dos entrevistados preencheram os critérios para abuso e 3,6% receberam diagnóstico de dependência do álcool. Diferente do esperado, a taxa de abuso foi maior do que a de dependência - o que reforça a necessidade de investimento no diagnóstico precoce e conseqüentemente resultaria na diminuição dos exorbitantes gastos de saúde com os dependentes.
A pesquisa analisou uma amostra representativa que reúne pessoas de diferentes condições econômicas, educacionais e culturais para identificar a prevalência de uso, abuso e dependência de álcool nessa região, assim como as principais características sociodemográficas relacionadas às transições entre as etapas de uso do álcool. De acordo com a pesquisa, as porcentagens da taxa de uso de álcool pelo menos uma vez na vida (85,8%) e uso regular (56,2%) refletem uma considerável exposição à bebida, assim como a continuação de seu uso em uma proporção significativa da amostra.
O São Paulo Megacity, realizado pelo Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, é o primeiro a investigar as idades de início do uso regular, abuso e dependência, transições entre as etapas do uso de álcool e as possíveis influências de gênero, idade, escolaridade e estado civil. Além disso, é parte de uma pesquisa global da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre estresse, bem-estar e saúde mental (World Mental Health Survey Initiative).
Idade de início do uso
O primeiro uso na vida ocorre entre os 16 e 26 anos de idade, com mais da metade dos usuários tendo experimentado aos 17 anos. O São Paulo Megacity mostra ainda que 54% dos entrevistados apresentaram diagnóstico de abuso antes dos 24 anos, o consumo precoce esteve associado à transição do uso regular para o abuso e que a maioria dos indivíduos desenvolveram a dependência do álcool antes dos 35 anos de idade. A pesquisa ainda apontou que a remissão do abuso e da dependência é menor entre os indivíduos que iniciam o uso regular do álcool mais precocemente na vida. “Esses dados comprovam que as políticas públicas voltadas ao consumo do álcool devem estar orientadas para populações jovens”, analisa a psiquiatra Camila Magalhães Silveira, autora do estudo.
Nível de escolaridade e situação escolar
Já em relação à situação escolar, estudantes com baixo nível de escolaridade estiveram consistentemente associados às três primeiras transições entre os estágios de uso do álcool: da abstinência ao primeiro uso na vida, depois para o uso regular e finalmente para o abuso.
A importância desta constatação foi confirmada pelo fato de o baixo nível escolar também ter sido o único correlato sociodemográfico associado à transição para a dependência do álcool, bem como para a não remissão do abuso e da dependência, fato que reforça a necessidade de intervenção para evitar o uso prejudicial do álcool entre os estudantes. “Já que o nível de escolaridade tem sido amplamente utilizado como um indicador de status socioeconômico, os resultados também poderiam refletir que indivíduos com menor escolaridade e nível socioeconômico são mais suscetíveis à exposição ao álcool, tanto por viverem em uma região com alta concentração de bares, como por normas sociais menos restritivas com relação ao uso do álcool. Políticas públicas, voltadas para indivíduos com baixa escolaridade e proveniente de lares carentes, trariam provável diminuição na progressão do beber para eles”, diz Dra. Camila.
O fato de o indivíduo ser estudante esteve fortemente associado à transição do uso regular de álcool para o abuso. “O Brasil não tem uma idade mínima legal para o consumo de bebidas alcoólicas, a única restrição relacionada e pouco fiscalizada é a proibição de venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos de idade; nenhuma licença especial é necessária para vender o produto. Além disso, geralmente não há restrições específicas sobre o uso ou venda dentro dos campi universitários, o que reforça o consumo do álcool entre os estudantes”, afirma a psiquiatra. Além disso, de acordo com a Dra. Camila, como o Brasil apresenta uma cultura de consumo de grandes quantidades de álcool em uma única ocasião; beber em locais públicos e não ingerir o álcool com as refeições, os estudantes acabam ficando ainda mais expostos às conseqüências negativas decorrentes do uso do álcool, como acidentes de trânsito, sexo desprotegido, cardiopatias, doenças gastroesofágicas e à transição para o abuso do álcool conforme demonstrado nesse estudo. Diante do exposto, a psiquiatra conclui que com base no cenário acima, é possível hipotetizar que o padrão de consumo pesado do álcool entre estudantes os leva à transição do uso regular para o abuso.
Estado Civil
O estado civil é outro fator que influencia o consumo de álcool nos brasileiros e apresentou associações distintas para cada um dos estágios de transição. Segundo o São Paulo Megacity, ser solteiro foi preditor para a primeira transição (da abstinência ao primeiro uso na vida) e para a segunda (do uso na vida para o uso regular), sugerindo que ser casado é um fator de proteção. Por outro lado, viúvos ou separados apresentaram maior risco para a segunda transição (do uso na vida para o uso regular) e terceira transição (do uso regular para o abuso) do beber que constituem estágios de maior prejuízo desse comportamento.
Premiação
Recentemente, a Dra. Camila Magalhães Silveira, autora do São Paulo Megacity, conquistou a primeira colocação do Prêmio Psiquiatria FMUSP 2011. O estudo foi nomeado como a melhor tese de doutorado, da área de psiquiatria, de todas apresentadas em 2010 e no ano passado. O estudo foi orientado pela Profa. Dra. Laura Andrade.
Sobre o São Paulo Megacity
O levantamento é o maior e mais completo estudo sobre a prevalência de transtornos mentais na população adulta da Região Metropolitana de São Paulo (cidade de São Paulo mais 38 municípios). A investigação é parte do estudo global “World Mental Health Survey Initiative (WHMS)”, um consórcio sob os auspícios da Organização Mundial da Saúde (OMS), com colaboração das Universidades de Harvard e Michigan, que engloba estudos epidemiológicos realizados em 28 países representando todas as regiões do mundo. Todos os estudos preenchem uma série de pré-requisitos rigorosos para a obtenção de resultados confiáveis e comparáveis entre os países. No total, o WMHS conta com uma amostra de mais de 170 mil pessoas.

O estudo tem como proposta identificar as taxas de prevalência de transtornos psiquiátricos, avaliar o grau de incapacidade associada a eles e determinar possíveis fatores associados na população residente na Região Metropolitana de São Paulo.
No Brasil, o Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo é responsável pelo estudo São Paulo Megacity, sob coordenação da Profa. Dra. Laura Andrade e da Profa. Dra. Maria Carmem Viana.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Fumar maconha traz risco para a saúde?


Riscos da maconha são 'subestimados', dizem especialistas


BBC Brasil - R7 Notícias – Saúde- publicado em 06/06/2012

Levantamento com mil pessoas constatou que um terço estava enganado

Especialistas alertam que o público perigosamente subestima os riscos de saúde ligados a fumar maconha.
A British Lung Foundation realizou um levantamento de 1.000 adultos e constatou que um terço erroneamente acredita que a cannabis não prejudica a saúde.
E 88% pensavam incorretamente que cigarros de tabaco seriam mais prejudiciais do que os de maconha - quando um cigarro de maconha traz os mesmos riscos de um maço de cigarros.
A British Lung Foundation afirma quer a falta de consciência é 'alarmante'.
maconhaBBC/AFP
Amplamente utilizado
Os números mais recentes mostram que 30% das pessoas entre 16 e 59 anos de idade na Inglaterra e no País de Gales usaram cannabis em suas vidas.
Um novo relatório do BLF diz que há ligações científicas entre fumar maconha e a ocorrência de tuberculose, bronquite aguda e câncer de pulmão.
O uso de cannabis também tem sido associado ao aumento da possibilidade de o usuário desenvolver problemas de saúde mental, como a esquizofrenia.
Parte da razão para isso, dizem os especialistas, é que as pessoas, ao fumar maconha, fazem inalações mais profundas e mantêm a fumaça por mais tempo do que quando fumam cigarros de tabaco.
Isso significa que alguém fumando um cigarro de maconha traga quatro vezes mais alcatrão do que com um cigarro de tabaco, e cinco vezes mais monóxido de carbono, diz a BLF.
A pesquisa descobriu que particularmente os jovens desconhecem os riscos.

'Campanha pública'
Quase 40% dos entrevistados com até 35 anos de idade - a faixa etária mais propensa a ter fumado cannabis - acreditam que maconha não é prejudicial.
No entanto, cada cigarro de cannabis aumenta suas chances de desenvolver câncer de pulmão para o equivalente aos riscos de quem fuma um pacote inteiro de 20 cigarros de tabaco, a BLF advertiu.
A chefe-executiva da BLF, Helena Shovelton, disse: 'É alarmante que, enquanto pesquisas continuam a revelar as múltiplas consequências para a saúde do uso de maconha, ainda há uma perigosa falta de sensibilização do público sobre o quão prejudicial esta droga pode ser.'
'Este não é um problema de nicho - a cannabis é uma das drogas recreativas mais utilizadas no Reino Unido, já que quase um terço da população afirma ter provado.'
'Precisamos, portanto, de uma campanha de saúde pública - à semelhança das que têm ajudado a aumentar a conscientização sobre os perigos de se comer alimentos gordurosos ou fumar tabaco - para finalmente acabar com o mito de que fumar maconha é de algum modo um passatempo seguro.'
O relatório do BLF recomenda a adoção de um programa de educação pública para aumentar a conscientização do impacto de fumar maconha e um maior investimento na pesquisa sobre as consequências para a saúde de seu uso.

sábado, 2 de junho de 2012

Maconha não reduz evolução da Esclerose Multipla


Maconha não reduz evolução da esclerose múltipla, aponta estudo


UOL Notícias- EFE - Londres
O consumo de cannabis não reduz a progressão da esclerose múltipla apesar de aliviar alguns sintomas, indica o estudo elaborado pela Peninsula Medical School de Plymouth (sul da Inglaterra) e publicado na última terça-feira (29) pela "BBC".
Para a pesquisa, que durou três anos, cerca de 500 pacientes de esclerose múltipla de 27 centros médicos do Reino Unido ingeriram pastilhas com tetraidrocanabinol (THC), o princípio ativo da cannabis, embora sem as substâncias psicoativas da droga.
Ao longo do estudo, os pacientes não experimentaram nenhuma redução na evolução da doença. No entanto, a ingestão destas substâncias teve um efeito positivo em relação às dores, rigidez muscular e espasmos.
"Há muitas provas que mostram que a cannabis possui um efeito sintomático. Mas, neste caso, queríamos comprovar se podia desacelerar o desenvolvimento da doença. Estou muito decepcionado, não por mim, mas pelas pessoas que sofrem com a esclerose", disse à "BBC" o professor John Zajicek, que dirigiu o grupo de pesquisadores.
Zajicek, que lamentou a falta de tratamentos existentes para as doenças neurodegenerativas, assegurou que encontrar uma substancia capaz de deter essa evolução seria como o "Santo Graal" da neurociência.
Apesar dos decepcionantes resultados desta pesquisa, os autores do estudo não descartam a cannabis como solução para estas doenças.
"Acredita-se que a evolução da esclerose múltipla se produz pela morte das células nervosas e, por isso, os investigadores estão buscando tratamentos que sejam neuroprotetores. Neste sentido, alguns laboratórios já demonstraram que alguns derivados da cannabis possuem este efeito", assinalou Zajicek, que também pediu um maior esforço de financiamento para seguir a pesquisa, já que esta poderia custar 6,25 milhões de euro.
Em um estudo publicado em maio pela "Revista da Associação Médica do Canadá" (CMAJ), pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia, em San Diego (EUA), comprovaram os efeitos paliativos que a ingestão de cannabis pode causar nos doentes de esclerose múltiplo.
Os cientistas desta pesquisa observaram o efeito beneficente da substância em relação aos espasmos e as dores associada com a doença, embora também tenham advertido sobre "os possíveis e agudos efeitos cognitivos".

Maconha sem barato é desenvolvida em Israel

Cientistas israelenses desenvolvem maconha medicinal sem 'barato'

Estudo neutraliza substância conhecida como THC, que gera os efeitos cognitivos e psicológicos nos usuários

BBC Brasil | 

Cientistas da Universidade Hebraica de Jerusalém desenvolveram um tipo de maconha medicinal, neutralizando a substância THC, que gera os efeitos cognitivos e psicológicos conhecidos como "barato".
De acordo com a professora Ruth Gallily, especialista em imunologia da Universidade Hebraica de Jerusalém, a segunda substância mais importante da cannabis - o canabidiol (CBD) - tem propriedades "altamente benéficas e significativas" para doentes que sofrem de diabetes, artrite reumatóide e doença de Crohn.
Gallily, que estuda os efeitos medicinais da cannabis há 15 anos, disse à BBC Brasil que o CBD que se encontra na planta "não gera qualquer fenômeno psicológico ou psiquiátrico e reprime reações inflamatórias, sendo muito útil para o tratamento de doenças autoimunes".
"Obtivemos resultados fantásticos nas experiências que fizemos in vitro e com ratos, no laboratório da Universidade Hebraica", afirmou a cientista, que é professora da Faculdade de Medicina. De acordo com ela, após o tratamento com o CBD, o índice de mortalidade em consequência de diabetes nos animais foi reduzido em 60%, tanto em casos de diabetes tipo 1 como tipo 2.
"Para pacientes idosos que sofrem de artrite reumatoide, o uso da cannabis pode ter efeitos maravilhosos e melhorar muito a qualidade de vida", disse Gallily. "Constatamos em nossas experiências que o CBD leva à diminuição significativa e muito rápida do inchaço em consequência da artrite."
A pesquisadora afirma que remédios à base de CBD seriam muito mais baratos que os medicamentos convencionais no tratamento dessas doenças.











A empresa Tikkun Olam obteve a licença do Ministério da Saúde israelense para desenvolver a maconha medicinal e cultiva diversas variedades da planta em estufas na Galileia, no norte de Israel.
Pacientes
De acordo com Zachi Klein, diretor de pesquisa da Tikkun Olam, mais de 8.000 doentes em Israel já são tratados com cannabis, a qual recebem com receitas médicas autorizadas pelo Ministério da Saúde. De acordo com Klein, a empresa pretende desenvolver um tipo de maconha com proporções diferentes de THC e canabidiol, para poder ajudar a diversos tipos de pacientes.
"Há pacientes para os quais o THC é muito benéfico, pois ajuda a melhorar o estado de espírito e abrir o apetite", afirmou. Ele diz ainda que, em casos de doentes de câncer, a cannabis em seu estado natural, com o THC, pode melhorar a qualidade de vida, já que a substância provoca a fome conhecida como "larica", incentivando os pacientes a se alimentarem.
O psiquiatra Yehuda Baruch acredita que "o CBD tem significados medicinais fortes que devem ser examinados". Baruch, que é o responsável pela utilização da maconha medicinal no Ministério da Saúde, disse à BBC Brasil que "sem o THC, a cannabis será bem menos atraente para os traficantes de drogas".
O psiquiatra afirmou que nos próximos meses o Ministério da Saúde dará inicio a um estudo sobre os efeitos do THC e do CBD em pacientes que sofrem dores crônicas.
O experimento será feito com 50 pacientes, que serão divididos em dois grupos. Um grupo receberá cannabis com alto nível de THC e baixo nível de CBD e o segundo receberá mais canabidiol do que THC.
Depois de um mês os grupos serão trocados e, durante a experiência, os pacientes preencherão questionários avaliando as alterações na intensidade da dor.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Plantar maconha para uso próprio pode ser aprovado


Comissão sugere descriminalizar uso e plantio de drogas

NÁDIA GUERLENDA DE BRASÍLIA – 28/05/2012

A comissão de juristas que discute a reforma do Código Penal no Senado aprovou nesta segunda-feira (28) incluir na lista de sugestões que será enviada ao Congresso a descriminalização do plantio, da compra e do porte de qualquer tipo de droga para uso próprio.
As propostas da comissão, consolidadas, devem ser encaminhadas até o final de junho. Apenas após votação nas duas Casas as sugestões viram lei. 

Hoje, o consumo de drogas já não é crime, mas é muito raro que alguém faça isso sem também praticar uma das outras condutas criminalizadas: cultivar, comprar, portar ou manter a droga em depósito. 

A autora da proposta, a defensora pública Juliana Belloque, afirmou que se baseou na tendência mundial de descriminalização do uso e na necessidade de diminuir o número de prisões equivocadas de usuários pelo crime de tráfico. 

Ela citou reportagem publicada pela Folha que apontou um crescimento desproporcional do aprisionamento de acusados de tráfico desde 2006, quando entrou em vigor a atual lei de drogas: enquanto as taxas de presos por outros crimes cresceram entre 30% e 35%, o número de punidos por tráfico aumentou 110%. A alta se explica, de acordo com especialistas, pela confusão entre usuário e traficante. 

A comissão aprovou uma exceção em que o uso de drogas será crime: quando ele ocorrer na presença de crianças ou adolescentes ou nas proximidades de escolas e outros locais com concentração de crianças e adolescentes. 

Nesse caso, as penas seriam aquelas aplicadas atualmente ao uso comum: advertência sobre os efeitos das drogas, prestação de serviços à comunidade e o comparecimento obrigatório a programa ou curso educativo. 

Para diferenciar o usuário do traficante, os juristas estabeleceram a quantidade máxima de droga a ser encontrada com o acusado: o equivalente a cinco dias de uso. Como a quantidade média diária varia conforme a droga, o texto estabelece que serão utilizadas as definições da Anvisa. 

A comissão também aprovou a diminuição da pena máxima para o preso por tráfico. Hoje são cinco a 15 anos de prisão e a proposta estabelece cinco a 10. 

Dos nove juristas presentes de um total de 15 da comissão, apenas o relator, o procurador da República Luiz Carlos Gonçalves, votou contra a descriminalização. 

Para ele, o fato de o usuário não ser punido acabará estimulando que ele seja considerado pela polícia e pela Justiça um traficante, o que aumentaria o encarceramento - exatamente o efeito contrário que a comissão pretende atingir.