sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Estresse infantil existe.


Estresse infantil: existe e é mais frequente do que pensamos

Boletim Plenamente - Silvia P. Ruschel; Maria Alice Fontes

Crianças podem se estressar como os adultos?
A rigor, pela definição, sim, até mesmo as crianças podem sofrer de estresse. “O estresse é uma reação do organismo diante de situações ou muito difíceis ou muito excitantes, que pode ocorrer em qualquer pessoa, independentemente de idade, raça, sexo e situação econômica” (Lipp, 2003). O problema é quando alguma adversidade se perpetua por períodos longos, ou mesmo períodos curtos, mas com tanta intensidade que acabam causando um desequilíbrio psicológico ou físico do indivíduo. Diagnosticado anteriormente como uma reação em adultos, atualmente, sabe-se que estresse também ocorre em crianças.
O estresse excessivo pode ser considerado uma doença infantil?
Segundo Lipp (2003) o estresse infantil não é, em si mesmo, uma doença, mas quando a reação ao estresse se torna intensa ou prolongada demais, ela pode enfraquecer o organismo, levando-o a uma condição que propicia uma queda no funcionamento do sistema imunológico de tal porte que vários sintomas e doenças podem manifestar-se.
Quais as causas do estresse infantil?
Podemos identificar fatores externos e internos como desencadeadores de estresse. Dentre os fatores externos, Lipp (2003) e outros pesquisadores apontam:
-mudanças significativas ou constantes na rotina de vida;
-responsabilidades em excesso;
-excesso de atividades, incluindo as atividades extra-escolares, ou mesmo a demanda no horário escolar;
-brigas ou separações dos pais;
-hospitalização, doenças ou mortes na família;
-nascimento de irmãos;
-rejeição por parte de amigos ou colegas na escola.
Além desses fatores, há fatores internos que também podem gerar estresse na criança, como:
-timidez;
-medo de fracassar;
-ansiedade;
-desejo de agradar;
-insegurança.
Como identificar se uma criança está estressada?
Em geral, as crianças não conseguem verbalizar com toda clareza quais as situações e/ou eventos que a deixam sob estresse prolongado, entretanto, podemos ficar atentos aos sinais que manifestam. O estresse pode se manifestar através de diferentes sintomas, sejam físicos ou psicológicos, que em algumas situações se sobrepõem. Dentre os mesmos encontram-se: agressividade, desobediência exacerbada, choro excessivo, ansiedade, depressão, pesadelos, insônia, problemas respiratórios, doenças dermatológicas, etc.. De acordo com Lipp (2003), algum desses sintomas ou problemas isolados não pode ser interpretado como indicativo de estresse excessivo, pois o que deve servir de base para o diagnóstico é o conglomerado de sintomas.
Como os pais podem ajudar as crianças a reagir ao estresse?
Os pais podem ajudar as crianças a reagir ao estresse de formas saudáveis. Algumas atitudes que podem colocar em prática incluem:
·         Proporcionar um lar seguro e confiável com momentos de convívio calmo e relaxados com as crianças;
·         Incentivá-las a fazer perguntas e expressarem suas apreensões, preocupações e medos;
·         Escutar a criança sem criticá-la fortemente;
·         Fomentar a auto-estima da criança. Usar de incentivo e afeto. Tentar envolvê-la em situações nas quais possa sair-se bem;
·         Incentivá-la positivamente ao invés de com um castigo, quando a criança (apesar de ter estudado e se preparado) tira notas ruins na escola ou vai mal em alguma atividade;
·         Permitir que a criança tenha oportunidade de fazer escolhas e ter algum controle sobre a própria vida;
·         Incentivar a prática de alguma forma de atividade física;
·         Conversar com a criança sobre situações e acontecimentos que sejam estressantes para ela. Isso diz respeito a novas experiências, medo de resultados imprevisíveis, sensações desagradáveis, desejos e necessidades não satisfeitos e perdas, reconhecendo sinais de estresse não resolvido na criança;
·         Manter a criança informada quanto a mudanças antecipadas e necessárias;
·         Buscar ajuda ou aconselhamento profissional quando os sinais de estresse não diminuem ou não desaparecem normalmente.
Qual o tratamento/encaminhamento que deve ser dado para o estresse?
Em primeiro lugar, é preciso detectar a causa dos sintomas da criança, sem simplesmente tentar eliminar o sintoma manifesto. Assim, se ela está extremamente agressiva, é preciso verificar qual é o estressor (fonte de causa do estresse excessivo) ao invés de simplesmente tentar deixá-la mais tranquila. Além de detectar o estressor, é preciso ensinar estratégias de enfrentamento para a criança, lembrando sempre que fontes externas de estresse têm efeito maior ou menor em cada indivíduo, dependendo da própria resistência individual. Muitas vezes, mesmo com a orientação da própria criança, pais e professores, pode ser benéfico o acompanhamento da criança por um psicólogo.
Podemos prevenir o estresse excessivo na infância?
Segundo Bignotto (2003), o papel dos pais contribui na prevenção do estresse infantil, que deve ter início pela realização de uma análise sobre o estilo de educação que se transmite à criança, ajudando a proporcionar-lhe uma boa qualidade de vida, mediante equilíbrio e bem-estar, bem como por meio de um ambiente que possibilite um desenvolvimento adequado. Obviamente, não podemos superproteger as crianças sem prepará-las para o mundo de hoje, nem tampouco deixá-las expostas a estressores em demasia ou grandes demais para elas de modo que não tenham oportunidade de adquirir estratégias de enfrentamento de modo gradual (Lipp, 2003). Portanto, equilíbrio é a palavra chave quando se fala em estresse!
Fontes consultadas:
BIGNOTTO, M. M.; TRICOLI, V. A. C. Aprendendo a se estressar na infância. In: Lipp, M. E. (org). O stress está dentro de você. 5ª ed. São Paulo: Contexto, 2003.
LIPP, M. E. N. Crianças estressadas: causas, sintomas e soluções. 2ª ed. Campinas:Editora Papirus, 2003.

Chocolate atua como ópio no cérebro

Chocolate faz cérebro produzir 'entorpecente' parecido com o ópio

G1 - Bem Estar
 Estudo nos EUA mostra por que vontade de comer doce é tão irresistível.
Alimento ativa mesma área cerebral em obesos e dependentes químicos.
Os pesquisadores também identificaram que a quantidade de encefalina, uma droga natural secretada pelo cérebro, semelhante à morfina, aumentou quando os ratos começaram a consumir os pedaços de doce. Isso não significa que essa substância faça os bichos comerem mais, apenas que aumentam o desejo e o impulso pelo alimento.

A vontade quase incontrolável de comer chocolate está ligada à produção de uma substância química no cérebro semelhante ao ópio, entorpecente extraído de uma flor chamada papoula, que também é matéria-prima da heroína.
A descoberta foi feita em ratos por um novo estudo da Universidade de Michigan, nos EUA, publicado na revista científica "Current Biology".
Segundo a pesquisadora Alexandra DiFeliceantonio, o cérebro tem sistemas de recompensa por consumo excessivo mais complexos do que se pensava e essa pode ser uma explicação para o atual aumento na ingestão de doces e gorduras pela população mundial.
No trabalho, as cobaias receberam uma droga que ativa uma região no meio do cérebro denominada "estriado", que controla os movimentos e também os hábitos. Depois disso, os animais comeram mais que o dobro de confeitos de chocolate que o normal.

De acordo com Alexandra, a descoberta pode ajudar a entender melhor a compulsão em humanos, pois o estriado é a mesma área cerebral envolvida quando pessoas obesas se deparam com alimentos ou dependentes químicos veem drogas.
A expectativa dos cientistas agora é descobrir o que acontece com a mente quando um indivíduo passa em frente ao seu restaurante de fast food favorito e sente aquela vontade súbita de parar e fazer uma "boquinha".



Santo Daime e religiosidade auxiliam na abstinência de drogas


Umbanda e Santo Daime influenciam saúde mental e física
Agência USP de Notícias
 Por Mariana Grazini

Estudo realizado no Instituto de Psicologia (IP) da USP apresentou a relação entre religiosidade e saúde ao analisar duas religiões brasileiras: Santo Daime, que faz uso sacramental da bebida psicoativa Ayahuasca, e a Umbanda, ambas com rituais fundamentados em práticas de estados diferenciados de consciência.
A psicanalista Suely Mizumoto, em sua dissertação de mestrado Dissociação, religiosidade e saúde: um estudo no Santo Daime e na Umbanda, fez suas observações a partir das condições de saúde e de indicadores de bem estar psicológico e social dos membros envolvidos na pesquisa.
Constatações
Entre diversas constatações, adeptos do Santo Daime e da Umbanda apresentaram diferenças significativas quanto à redução da frequência de mudanças de humor e de sentimentos contraditórios, e quanto ao aumento de domínio sobre essas alterações. As diferenças foram baseadas nas experiências anteriores e posteriores à participação nos rituais de cada religião. Quando comparados a um grupo controle, os adeptos mostraram ter maior equilíbrio de humor e emoção. Os praticantes do Santo Daime ainda revelaram ter maior domínio sobre quadros de base depressiva. Já na Umbanda, o aumento de domínio foi mais aparente em experiências de alteração de identidade.
A comunidade religiosa, provedora de apoio emocional, material e afetivo, pode também ser compreendida como uma comunidade terapêutica para as condições psicológicas estressantes. Os adeptos podem encontrar em suas comunidades suporte em momentos de fragilidade. É comum a quem desconhece a questão do transe mediúnico temer algum tipo de aumento na mediunidade ou descontrole. No entanto, Suely diz que, “na verdade, o aprendizado que essas religiões proporcionam podem ensinar seus adeptos a ter um domínio maior quanto ao enfrentamento espiritual dessas questões, diminuindo experiências mediúnicas traumatizantes”.
Ayahuasca
A dissertação de Suely ainda tratou da polêmica em torno da utilização do psicoativo Ayahuasca. Geralmente condenado, o uso do psicodélico mostrou associar a experiência de cura espiritual, desfrutada por participar aos rituais, a mudanças no estilo de vida dos usuários. A ruptura de velhos padrões com a adoção de outros novos e saudáveis causou reflexo no combate ao risco de dependências da nicotina, álcool, cannabis sativa e cocaína. O ritual com a Ayahuasca aumentou, em altas porcentagens, a recuperação declarada quanto ao abuso e risco de dependência para usuários das substâncias citadas.
Na esfera da afetividade, a Ayahuasca serviu como uma espécie de antidepressivo, ou como a psicóloga conta, “aqueles que faziam parte dos rituais com o psicoativo diziam ter os períodos muito longos de tristeza cada vez menores e mais raros, como se a Ayahuasca fosse equivalente a um ‘banho de serotonina’”. Segundo Suely, “é possível que a busca por uma religião que faça uso da ayahuasca possa resultar em efeitos terapêuticos para aqueles vulneráveis a quadros bipolares ou à depressão”.
Método e alguns dos resultados
A dissertação contou com a orientação do professor Wellington Zangari e foi baseada em questionários e escalas aplicadas a um grupo de 106 pessoas; 42 dos voluntários eram adeptos do Santo Daime, 44 da Umbanda e houve também o grupo controle composto por 20 pessoas. O grupo controle serviu para comparar a influência da religiosidade nos participantes. Além disso, tanto no grupo de Santo Daime como no de Umbanda havia a presença de praticantes novatos e experientes.
A psicóloga empregou um questionário que abordava o perfil social, a religiosidade e a saúde, tanto física como mental, dos voluntários. Dados sociodemográficos evidenciaram poucas diferenças entre os grupos, principalmente entre gênero, idade, grau de instrução, faixa salarial e condição de moradia. “Os resultados obtidos dos perfis sociais, saúde e religiosidade e das escalas revelaram indicadores de bem estar que confirmam índices de saúde inteiramente satisfatórios e até melhores quando comparados aos resultados do grupo controle”, relata a pesquisadora.
Contribuições
Não há, até o momento, a precisão da verificação dos resultados apresentados e correlacionados nas comunidades estudadas. Com o tema de sua dissertação, Suely espera incentivar os estudos acerca do psicoativo Ayahuasca e os benefícios a ele associados, em especial, ao seu potencial terapêutico para o tratamento de dependências. Ela buscou amenizar os preconceitos com as religiões afro brasileiras. A Umbanda é um exemplo de religião que trabalha exclusivamente na arte do ensino da prática mediúnica, não faz uso de psicoativos, mas mesmo assim pode ser não bem interpretada. Não havendo nocividade nestas práticas, a relação entre religião e saúde, mais bem esclarecida por esta pesquisa, pode ajudar a desconstruir muito do senso comum que envolve a religiosidade no País.

Heroína contaminada com Antrax causa pânico no Reino Unido

Heroína contaminada com Antrax causa pânico no Reino Unido




Folha de S. Paulo

AMELIA HILL
DO "GUARDIAN"

Quando Cath injetou heroína em sua veia sem saber que a droga estava contaminada por Antrax, seu pulso imediatamente começou a inchar e enrubescer. A dor foi chocante. Mas a única coisa que ela sentia era raiva e irritação.
"Eu queria o barato que a droga costumava me dar", conta. "Fui viciada em heroína por 23 anos. Sabia que tinha me injetado corretamente. Não conseguia entender por que a droga não estava fazendo efeito".
Por isso, ela se injetou uma segunda vez. E isso fez com que todo seu braço inchasse. A cor vermelha se intensificou, chegando a ficar púrpura. O inchaço subiu em direção ao cotovelo e desceu aos dedos. A dor se intensificou, mas o barato da droga ainda assim não chegou.
Isso aconteceu em 2010, e Cath havia se intoxicado no ápice do maior surto de fonte única de Antrax humano a ser registrado no Reino Unido em mais de 50 anos. As mortes se espalharam pela Europa: 126 casos foram identificados, na contagem final, entre os quais 119 no Reino Unido. Pelo menos 14 pessoas morreram.
Esta semana, especialistas em saúde pública informaram que um segundo usuário de drogas morreu por Antrax em Blackpool, no noroesta da Inglaterra, semanas depois da primeira morte na cidade.
Durante o surto de 2010, todos conheciam o risco, na comunidade de Cath. A clínica onde ela obtinha agulhas limpas tinha cartazes alertando que o uso de heroína contaminada com Antrax podia matar, e oferecendo uma lista de sintomas. Notícias de mortes e amputações causadas pela doença começaram a se espalhar como rumores entre os usuários de drogas. Mas Cath não se importou. "Eu desviava o olhar dos cartazes", conta. "Não considerava meu corpo como algo que eu precisasse manter vivo. Era só uma porção de pele com veias nas quais eu podia injetar a droga".
Naquele dia, enquanto ela contemplava seu braço escurecendo, de púrpura a preto, a única coisa que ela sentia era irritação, porque a droga não fazia o efeito esperado. Cath se injetou pela terceira vez. E por fim começou a fazer efeito.
Quando acordou, horas mais tarde, estava suando demais e sentia uma dor fortíssima no braço. "Ainda assim não me ocorreu que a heroína estivesse contaminada", disse. "Pensei que era só outro abscesso".
Cath estava tão acostumada a abscessos que mal se incomodava em procurar o hospital para tratá-los, não se importando com o fato de que os médicos consideraram a hipótese de amputar seus braços e pés em mais de uma ocasião.
SORTE
Passados três dias, porém, ela não conseguia mais suportar a dor. Quando o Antrax foi diagnosticado, ela passou a ser tratada com aplicação intravenosa de antibióticos, e a única veia praticável para a sonda estava em seu pescoço. Cath foi informada de que uma amputação era a opção mais provável, mas que havia possibilidade de morte.
"Eu não conseguia racionalizar que tinha Antrax", conta. "Para mim, Antrax era coisa de guerra, terrorismo. Tudo que me preocupava era que, se amputassem meu braço direito, teria de aprender a me injetar com o esquerdo".
Cath teve sorte. Os antibióticos conseguiram derrotar a infecção, e por isso no quarto dia de tratamento ela recebeu uma dose diária de 28 pílulas para duas semanas de tratamento e teve alta. A primeira coisa que fez ao sair do hospital foi ligar para o traficante.
Na semana passada, pela primeira vez desde o surto de 2010, o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças e o Centro Europeu de Monitoração de Drogas e Vício em Drogas admitiram que a Europa estava de novo sob o efeito de um surto de Antrax, provavelmente vinculado a heroína contaminada.
Desde o começo de junho, dez casos foram identificados na Europa. A recomendação oficial da Agência de Proteção à Saúde (HPA) britânica é a de que um aumento no número de casos deve ser esperado.
"É provável que sejam identificados novos caso entre as pessoas que injetam heroína, como parte do surto que vem acontecendo nos países da União Europeia", disse o Dr. Fortune Ncuba, especialista em vírus transmitidos pelo sangue na HPA.
"O Departamento da Saúde alertou o Serviço Nacional de Saúde quanto à possibilidade de que as pessoas que usam drogas injetáveis procurem prontos-socorros e clínicas com sintomas que sugerem Antrax."
Determinar de que maneira o Antrax chegou à heroína é algo que vem intrigando a polícia e os especialistas em saúde. Em 2010, a contaminação no Reino Unido terminou por ser rastreada a um lote infectado com esporos de Antrax provenientes de um bode ou couro de bode infectado, em algum lugar do percurso entre o Afeganistão ou Paquistão e a Escócia, provavelmente na Turquia.
Há outras causas possíveis. A heroína pode ser contaminada naturalmente, caso as papoulas sejam colhidas em terra na qual um animal vítima de Antrax tenha sido sepultado. Também pode ser infectada caso ossos de animais infectados sejam usados no processo de curagem.
CONSELHOS
Qualquer que seja a fonte, os especialistas criticam vigorosamente os conselhos dados aos usuários de drogas nos últimos 15 dias.
Muitas vezes, quando há temores de saúde entre os usuários, os conselhos do governo, via agências de tratamento, envolvem o uso de drogas de modo mais seguro. No caso do HIV, por exemplo, os usuários de drogas são encorajados a recorrer a postos que fornecem agulhas limpas.
Desta vez, o conselho era mais simples: deixar de usar heroína e buscar ajuda nos centros locais de tratamento, que podem oferecer apoio na forma de medicamentos substitutos.
De acordo com os especialistas, essa é uma ideia impraticável. Eles afirmam que, em um ambiente no qual um usuário pode levar seis meses para obter acesso a substitutos de heroína como a metadona ou o Subutex, pedir que os usuários deixem de usar a droga é inútil.
A Agência Nacional de Tratamento para Abuso de Drogas contesta esse prazo. Diz que o tempo médio de espera para obter tratamento na Inglaterra é de cinco dias --o mais baixo de todos os tempos-- e que em casos de emergência o prazo é ainda menor.
"A campanha da HPA presume que os usuários saibam o que estão fazendo", diz Mark Styles, diretor dos centros de tratamento DetoxPlus e Pierpoint, em St-Annes-on-Sea, perto de Blackpool. "Mas isso é supor demais".
Styles já tratou de meia dúzia de casos de contaminação por Antrax, nos 16 anos de experiência que tem com usuários de heroína. "Eles não se preocupam com o risco de injetar Antrax", afirma. "Dizer a um viciado em drogas que ele precisa parar de usar a droga é como me dizer que não posso beber água".
Scott March concorda. Viciado por 16 anos, ele passou por uma desintoxicação bem-sucedida no ano passado. March conhece pelo menos quatro pessoas que morreram por conta de heroína contaminada com Antrax.
"Usar drogas era apavorante, sabendo que podiam conter Antrax, mas a vontade de usar é tão forte que não existe medo suficientemente intenso para detê-lo", diz. "Mesmo que você saiba que há heroína contaminada em sua seringa, o medo talvez não seja suficiente. A negação é mais forte".
No improvável caso de que um usuário esteja de fato preocupado com infecção, acrescenta Styles, não seria comum que ele percebesse a infecção no começo. "Os sintomas de Antrax são fracos, se comparados aos horríveis efeitos físicos do uso da heroína. Os usuários sofrem tanto, de qualquer modo, que nem perceberão a diferença", disse.
Cath sabia que podia se infectar de novo com Antrax, depois de deixar o hospital. "As drogas contaminadas continuavam a circular", diz. "Não parei de imediato, depois do Antrax, mas a doença mudou alguma coisa em mim, de modo sutil".
Ela está livre de drogas há dois anos, o que inclui mais de um ano em tratamento, e está treinando para ser massagista e aromaterapeuta. "Se eu consegui deixar a droga, qualquer um conseguirá --com determinação e um bom tratamento", diz.
"Me contaminei com Antrax, fui viciada por 23 anos, e tive de chegar ao ponto de deixar de ser humana. Estava apodrecendo. Vivia como um cachorro viralata e raivoso. Mas agora amo a vida e minha família tem orgulho de mim. Quando me olha, minha mãe não tem mais angústia no olhar".
Tradução de PAULO MIGLIACCI.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Bebês do crack: crianças nascem dependentes

Bebês do crack: triste realidade em Taubaté


Rede Bom Dia
Avanço do consumo da droga por mulheres grávidas é preocupante, crianças nascem dependentes

Agência O Vale / JULIO CODAZZI

O avanço do crack em Taubaté criou um novo grupo de vítimas: os filhos das dependentes dessa droga, em muitos casos, bebês que ainda nem nasceram.
A afirmação é reforçada por relatos de quem trabalha diretamente com essas mulheres. Um dos exemplos vem do Conselho Tutelar.

“De todos os casos que atendo, 40% são de mães usuárias de droga, o crack lidera a lista. Elas usam o filho como ‘ganha pão’: para mendigar, ganhar alguma bolsa auxílio, algo assim. É esse dinheiro que sustenta o vício delas”, afirmou a conselheira Vilma Kawasaki.

“Temos um caso de uma mulher, de cerca de 25 anos, que já tem sete filhos e está para dar à luz ao oitavo. Ela é usuária de crack e fica pelas ruas. Os outros filhos ela abandonou assim que nasceram. Hoje vivem com parentes”, disse a conselheira Elisângela Souza.

A Polícia Civil também registrou aumento no número de casos desse tipo.
"Normalmente, são ocorrências de maus tratos. Devido ao vício, as mães se tornam agressivas e acabam descontando nos filhos", afirmou a delegada Fernanda Brandão, da Delegacia de Defesa da Mulher.

“Outro problema é que essas mães não se previnem, acabam engravidando várias vezes, o que só aumenta o número de vítimas.”

Consequência. Quando o Conselho Tutelar ou a Polícia Civil recebem um caso desses, existem dois tipos de encaminhamento.

A mãe é orientada a procurar tratamento no Caps-AD (Centro de Atenção Psicossocial - Álcool e Drogas).

Além disso, o caso é levado para conhecimento da Justiça. “Dependendo da gravidade da situação, como por exemplo se houver maus tratos ou abandono, podemos destituir essa mãe”, afirmou o juiz Marco Antonio Monteiro, da Vara da Infância e Juventude.

“Infelizmente, o número de casos envolvendo usuárias de crack tem aumentado cada vez mais. Normalmente, as crianças são abandonadas em hospitais ou passadas, de forma clandestina, para outras pessoas”, afirmou o juiz.

“Em caso de adoção, a lei determina que primeiro nós analisemos se existe algum membro da própria família que pode ficar responsável pela criança. Essa é a prioridade. Se não existir essa opção, aí é caso de ser adotada por outros interessados.”

Tratamento. As mães que aceitam ir para o Caps-Ad recebem tratamento para tentar largar o vício. “Aqui não existe internação. O que oferecemos é um tratamento com uma equipe disciplinar, que dispõe de profissionais como clínico geral, psiquiatra e psicólogo”, afirmou a coordenadora do centro, Danielle Prado Braga.

“Uma vez nós atendemos uma usuária de crack que já tinha duas filhas e estava grávida. Ela não tinha feito nenhum pré-natal, e nem sabia o tempo de gestação. Infelizmente, ela abandonou o tratamento”.

Quem aceita o tratamento, participa de terapias em grupo e também pode integrar oficinas de ressocialização.

“Temos um outro caso, de uma usuária que engravidou. Quando recebeu a notícia de que seria mãe, ela conseguiu largar o crack.”

Drogas na gestação provocam problemas
O uso de drogas durante a gestação pode causar danos ao bebê. É o que alertam entidades da região que atendem casos de gravidez de risco.

Entre as principais complicações estão baixa estatura, baixo peso, retardo mental, retardo comportamental e também má formação congênita.

“Em alguns casos, a criança pode até ter crises de abstinência após o parto, pois o organismo já estava acostumado com a droga”, afirmou Ketrin Mara Sampaio, responsável pela Casa da Mãe Taubateana.

Incidência. Em São José dos Campos, 10% dos casos de gravidez atendidos pelo Projeto Casulo, da Secretaria Municipal de Saúde, são de gestantes dependentes químicas. O álcool representa 40% do total. O restante tem relação com outras drogas, como maconha, cocaína e crack.
RAIO-X

MAPA
Um levantamento realizado em parceria entre prefeitura e Polícia Militar já mapeou mais de 80 pontos de consumo de crack em Taubaté.

PERFIL
Cerca de 75% desses pontos são imóveis abandonados, que viraram pequenas cracolândias. Em média, cada espaço concentra cinco usuários do entorpecente.

SOLUÇÃO
Para eliminar esses pontos, a prefeitura tenta, junto à Justiça, autorização para demolir as moradias abandonadas. Além disso, o telefone 199, da Defesa Civil, também recebe denúncias sobre locais de consumo de crack.

Preconceito contra transtornos pode virar crime

Psiquiatras querem tornar crime preconceito contra transtornos

Jornal Folha de S. Paulo
DENISE MENCHEN
A Associação Brasileira de Psiquiatria quer tornar crime o preconceito contra pessoas com transtorno ou deficiência mental, batizado de psicofobia. Encampada pelo senador Paulo Davim (PV-RN), a proposta foi apresentada em agosto como emenda ao projeto do novo Código Penal, que tramita no Congresso.
Pela proposta, a psicofobia integrará o mesmo capítulo que trata do racismo e do preconceito de gênero. Assim, passaria a ser considerada crime, sujeita à prisão de dois a quatro anos, série de ações motivadas pela presença de transtornos ou deficiências mentais, como impedir nomeação a cargo público, demitir de empresa ou vetar acesso a transporte ou estabelecimentos comerciais.
O texto prevê pena maior, de três a seis anos, para os casos em que a presença de deficiência ou transtorno resulte no impedimento de inscrição em estabelecimento de ensino ou na dificuldade de acesso aos recursos necessários para a aprendizagem.
"O Ministério da Saúde estima que o Brasil tenha 46 milhões de pessoas que padecem de transtornos mentais", diz Davim. "O preconceito contra essa população deve ser tratado da mesma forma que o de raça ou gênero."
Para o presidente da ABP, Antonio Geraldo da Silva, a discriminação piora o quadro de saúde mental no país. "O preconceito faz com que as pessoas deixem de procurar tratamento", afirma.
Denise Ghigiarelli, 46, diz já ter vivido essa dificuldade com o filho, Emanuel, 15, diagnosticado com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. "Quando ele era menor, os colegas diziam que ele era retardado porque tinha que tomar remédio. Acabava que muitas vezes ele jogava o medicamento fora."
Ghigiarelli é favorável à inclusão da psicofobia no Código Penal. Ela diz que, se o crime já existisse, teria denunciado a professora que tentou impedir a presença do menino em feira de ciências.
"Ela disse que ele era muito estabanado e não ia participar. Tive que ir lá para intervir", afirma ela, que decidiu trocar o filho de escola.
EMPREGO
Já o vigilante Marcos Aliank, 27, atribui ao preconceito sua demissão do trabalho em abril deste ano, menos de cinco meses após ter sido contratado.
Segundo ele, a decisão foi tomada depois que o chefe tomou conhecimento de que ele estava em tratamento para dependência química no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) da cidade.
"Eu nunca tinha tido nenhuma reclamação sobre meu serviço lá dentro", afirma Aliank, que começou a usar cocaína e crack em 2009.
"O pior é que a cidade é pequena e a história se espalhou. Não consigo mais emprego, mesmo já não usando mais drogas", diz ele.

Cientistas criam bafômetro que identifica câncer

Cientistas criam bafômetro que identifica câncer

IG

EQUIPAMENTO É CAPAZ DE DIAGNOSTICAR CASOS NO PULMÃO E NOS RINS E REDUZ A NECESSIDADE DE EXAMES INVASIVOS E DOLOROSOS


Estados Unidos -  Um estudo conduzido pelo Instituto de Tecnologia de Israel desenvolveu um bafômetro que pode identificar casos de câncer de pulmão e de rim. O modelo seria capaz de detectar se um nódulo no pulmão ou na região renal tem potencial para se transformar em tumor, no futuro.
O aparelho analisou compostos químicos e conseguiu distinguir nódulos malignos dos benignos. Além disso, ele foi capaz de identificar o tipo de tumor e se a doença já estava em estágio avançado.
A técnica representa um grande avanço já que as tomografias feitas hoje são capazes de encontrar um nódulo, mas não de caracterizá-lo. Para isso, os pacientes têm que passar por procedimentos invasivos e dolorosos.
Além de evitar testes agressivos para o corpo, o bafômetro traz m um diagnóstico mais rápido, possibilitando a antecipação do início do tratamento.

No combate ao câncer, quanto mais cedo o tratamento começar, maior a chance de ter sucesso.
Segundo os autores do estudo, os resultados podem ter impacto signficante na redução de investigações desnecessárias e na diminuição no risco de cirurgias. O invento pode também dar mais agilidade à intervenção médica, economizando tempo clínico em exames mais demorados que teriam os mesmos resultados que os do bafômetro.
O aparelho foi testado em 74 pacientes americanos entre março de 2009 e maio 2010. Desde então, esses pacientes foram acompanhados para uma identificação mais precisa dos nódulos. Os que não evoluíram ao longo de dois anos foram considerados benignos.

A droga invade a faculdade

A droga invade a faculdade

Correio Braziliense

Quase 50% dos 18 mil universitários entrevistados no país admitem ter usado entorpecentes.
No DF, a situação se repete, segundo professores e alunos. Com medo de represálias, docentes se calam. A Secretaria de Justiça e Cidadania pretende ensiná-los a lidar com o problema.

Saulo Araújo/Ariadne Sakkis


"Parece uma coisa distante do universo universitário, mas não é. São recorrentes os casos de professores ameaçados por tentarem enfrentar estudantes dependentes químicos" Rodrigo de Paula,presidente do Sindicato dos Professores das Entidades de Ensino Particulares.
"Volta e meia, prendemos um estudante universitário envolvido com quadrilhas especializadas em tráfico de drogas. É triste para os pais, que ficam muito surpresos e decepcionados".
Luiz Alexandre Gratão, delegado-chefe da Cord
O flagelo das drogas não se restringe ao universo das escolas. Nas faculdades públicas e privadas do Distrito Federal, o problema se repete. Em muitas delas, combater o consumo é mais complicado do que nos centros educacionais. Por lidar com um público adulto e que paga pelos estudos, a maioria dos professores tem dificuldade para controlar a entrada de substâncias ilícitas em sala de aula.

A mais recente pesquisa feita pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) mostra que quase 50% dos 18 mil universitários entrevistados admitiram ter usado algum tipo de entorpecente. O estudo não faz um recorte por unidade da Federação, mas especialistas, professores e alunos ouvidos pelo Correio confirmam a realidade na capital. Numa faculdade privada de Taguatinga, a polícia teve de agir para acabar com o tráfico explícito na entrada da instituição. O episódio ocorreu em janeiro. Na ocasião, dois homens, sendo um estudante, foram presos acusados de vender maconha e cocaína.

O presidente do Sindicato dos Professores das Entidades de Ensino Particulares (Sinproep), Rodrigo de Paula, confirma a rotina de medo. Segundo ele, é comum alunos sob efeito de drogas ameaçarem servidores. Mas, por medo de represálias, a maioria dos trabalhadores prefere não comunicar o episódio à polícia e ao sindicato da categoria. “Parece uma coisa distante do universo universitário, mas não é. São recorrentes os casos de professores ameaçados por tentarem enfrentar estudantes dependentes químicos. O problema é que ficamos sabendo desses episódios por meio do boca a boca, pois é natural que eles (professores) fiquem com receio de fazer uma denúncia formal”, explica Rodrigo.

Na tentativa de mudar essa realidade, a entidade sindical, em parceria com a Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus), abriu inscrições para um curso no qual educadores aprenderão como lidar ao se deparar com alunos drogados. A primeira turma deve ser formada em outubro. “Percebemos que muitos professores não sabem o que fazer diante de um problema tão sério. Com uma abordagem direcionada e correta, acreditamos que as soluções para esses conflitos possam ser encontradas de forma mais tranquila”, frisou Rodrigo de Paula.

Festas badaladas
As universidades mais tradicionais e caras de Brasília não estão livres das drogas. Cientes do alto poder aquisitivo dos estudantes, traficantes seduzem jovens para festas badaladas promovidas em mansões situadas em bairros nobres. Nesses eventos, predomina o consumo de drogas sintéticas, como o ecstasy e o LSD. A cocaína escama de peixe, quase 100% pura, também é bastante procurada por estudantes universitários com bom padrão financeiro.
No primeiro semestre deste ano, a Coordenação de Repressão às Drogas (Cord) apreendeu 397 kg de cocaína. Desse total, aproximadamente 4kg eram do tipo escama de peixe. O quilo desse pó chega a custar R$ 100 mil nos bairros nobres. Nas cidades mais pobres, o preço cai para R$ 40 mil pela mesma quantidade. Parte desse narcótico é consumido por aspirantes a médicos, engenheiros, administradores, entre outros profissionais. “Volta e meia, prendemos um estudante universitário envolvido com quadrilhas especializadas em tráfico de drogas. É triste para os pais, que ficam muito surpresos e decepcionados quando descobrem que seus filhos estão envolvidos com esses grupos”, afirma o delegado-chefe da Cord, Luiz Alexandre Gratão.

Estudo interrompido
Foi justamente numa festa de fim de ano promovida por estudantes do curso de publicidade que o jovem Luiz*, 26 anos, entrou no submundo das drogas. Começou com a maconha, passou para a cocaína e, por muito pouco, não chegou ao fundo do poço com o crack. “Teve um dia que cheirei (cocaína) tanto que criei coragem para experimentar coisas novas. Estava disposto a conhecer o crack e só não comprei uma pedra porque um amigo meu que cheirava comigo impediu”, afirma.

O vício fez Luiz interromper uma promissora carreira. Os pais trancaram a matrícula do rapaz no terceiro semestre e o internaram numa clínica de reabilitação. Há seis meses, ele não usa nenhum tipo de substância ilícita, mas ainda não se sente preparado para voltar a estudar e encontrar os amigos que lhe ofereceram a primeira carreira de pó. “Acho melhor esperar mais um tempo. Quero me desligar dessa turma, sair dessa faculdade e começar uma vida nova”, vislumbra Luiz.

Para a titular da Promotoria de Educação, Márcia Pereira da Rocha, a prevenção ao uso de drogas deveria ocorrer desde os primeiros anos da criança na escola, com uma participação bem mais ativa do Estado e da família. “A escola, no Brasil, é um palco da visualização da violência que ocorre na cidade. Não foi ela (escola) que estimulou o uso e ela não é culpada pelo que está ocorrendo dentro dela. Se não houver uma ação multidisciplinar para o enfrentamento desse problema, não podemos esperar que apenas os professores tenham condições de mudar esse cenário”, analisa a promotora.
*Nome fictício a pedido do entrevistado
Memória
Alunos da UnB detidos
Em novembro de 2008, uma operação desencadeada pela Coordenação de Repressão às Drogas (Cord), da Polícia Civil, terminou com a prisão de sete pessoas, entre elas dois estudantes da Universidade de Brasília (UnB). Pedro Ivo Vianna e Rogério Fenner Santos foram apontados como integrantes de uma quadrilha envolvida com o tráfico de drogas interestadual. O grupo compraria os entorpecentes no Rio de Janeiro e em Mato Grosso do Sul e revenderia no Distrito Federal, inclusive dentro da UnB. Estima-se que o comércio movimentava pelo menos 10kg de haxixe por semana, além de LSD e ecstasy. Pedro Ivo foi condenado a 15 anos de prisão. O processo de Rogério ainda tramita no Superior Tribunal de Justiça