quarta-feira, 25 de junho de 2014

Cigarro Eletrônico de Maconha

Empresa holandesa inventa cigarro eletrônico de maconha

Produto, que não contém tabaco, nicotina ou THC – o princípio ativo da folha –, é 100% legal

iG Minas Gerais | Da redação | 25/06/2014 03:00:00

E-Njoint BV/Divulgação
Como funciona. O E-Njoint é formulado apenas com base em componentes naturais e vapor de água, segundo site da companhia
A empresa holandesa E-Njoint BV anunciou recentemente que desenvolveu o “primeiro baseado eletrônico do mundo”. O E-Njoint, que tem o design típico dos cigarros de maconha, em formato de cone, pode ser descartável ou recarregável e não contém THC (o princípio ativo da maconha), tabaco ou nicotina, ou seja: o produto é 100% legal. Ele é formulado apenas com base em componentes naturais e vapor de água, segundo o site da companhia.
O dispositivo vem em versões descartável e recarregável, e o usuário pode enchê-lo com conteúdo de cannabis líquida ou ervas secas. Ainda são oferecidas cargas com seis sabores diferentes de frutas. Para deixar o “baseado eletrônico” ainda mais atrativo, uma luz verde localizada na ponta do cigarro, onde há o desenho de uma folha de maconha, acende toda vez que o usuário traga. “A Holanda já é conhecida no mundo por sua atitude tolerante e liberal com relação às drogas leves, sendo que a introdução desse novo produto defende claramente essa posição”, disse o CEO da E-Njoint, Menno Contant, de acordo com o veículo britânico “The Mirror”. “Desde que você não perturbe ou prejudique outras pessoas e se mantenha dentro dos limites legais, tudo ficará bem”, destacou Contant. 

Milhares. Todos os dias são produzidas dez mil unidades do cigarro eletrônico de cannabis, por uma fabricante chinesa, e comercializadas, por enquanto, somente na Europa. No momento, há somente um modelo do cigarro disponível para encomenda – o descartável – a € 8,95 (cerca de R$ 27). Os modelos recarregáveis, vaporizadores e customizados estão esgotados por enquanto. 

Similar. Apesar do E-Njoint ser anunciado como o “primeiro baseado eletrônico do mundo”, a empresa Open Vape também produz e vende um cigarro parecido nos Estados Unidos. Entretanto, a versão norte-americana do cigarro sabor maconha traz um refil que contém óleo extraído da folha e de outras partes da cannabis, como caule e flores, que são geralmente descartadas no processo de produção da maconha para a venda. Segundo o site Info Online, a versão norte-americana usa como refil o óleo da folha e de partes da cannabis descartadas no processo de preparação da maconha. Um pacote com cinco frascos de óleo custa US$ 6,99 (cerca de R$ 15). A empresa vende até carregadores USB para o cigarro.

Proibido Brasil. A venda de cigarros eletrônicos é proibida pela Anvisa. Apesar disso, os dispositivos viraram febre na internet. São vários os sites que oferecem o produto e seus acessórios.

Danos ainda são desconhecidos

De acordo com o site Info Online, o cigarro eletrônico vendido nos EUA pela Open Vape gera vapor de substâncias psicoativas e pode ser usado para fins medicinais. O vaporizador aquece o material de tal forma que libera um vapor aromático. Nesse processo, a substância não é queimada. Assim, cigarros eletrônicos em geral não liberam fumaça, apenas vapor. Também não liberam substâncias tóxicas como alcatrão, benzeno, tolueno, naftaleno, entre outros. Por isso, o dispositivo tem sido muito usado como uma forma relativamente eficaz de parar de fumar. O site destaca que, por enquanto, não há informações sobre os efeitos nocivos do cigarro eletrônico. O portal afirma que, segundo autoridades sanitárias, ainda é prematuro avaliar os impactos de um fenômeno recente como o do cigarro eletrônico.

sábado, 21 de junho de 2014

Crise de abstinência do Cigarro

A CRISE DE ABSTINÊNCIA DE NICOTINA

Drauzio Varella

Tinha até esquecido o quanto sofre o fumante para largar do cigarro. Parei há 23 anos e já não me lembrava das agruras pelas quais passei até ficar livre da dependência de nicotina que me escravizou durante 19 anos. Ao gravar uma série para a TV com seis personagens que pararam de fumar num mesmo dia, no entanto, revivi meu sofrimento e pude observar as dificuldades dos dependentes diante da crise de abstinência de nicotina.
O cigarro nada mais é do que um dispositivo para administrar droga. A nicotina inalada com a fumaça é rapidamente absorvida pelos alvéolos pulmonares, cai na circulação e chega ao cérebro num intervalo de seis a dez segundos. Inalada, chega mais depressa do que se tivesse sido injetada na veia, porque não perde tempo na circulação venosa. A velocidade com que a droga chega ao sistema nervoso central explica por que a primeira tragada traz alívio imediato ao fumante aflito.
No tecido cerebral, a nicotina se liga a receptores localizados nas membranas dos neurônios localizados em vários centros cerebrais. A integração desses circuitos é responsável pela sensação de prazer que os dependentes referem sentir ao fumar – e que os não-fumantes são incapazes de entender.
A droga é de excreção rápida. Sua meia-vida é curta: duas horas, em média. Isto é, metade da dose fumada é eliminada da circulação em duas horas. Por razões genéticas, essa velocidade de excreção varia de um fumante para outro; os que eliminam a droga mais depressa tendem a fumar mais. Grande parte dos que fumam dois ou três maços por dia é constituída por metabolizadores rápidos de nicotina.
A presença de outras drogas na circulação pode alterar a velocidade de excreção. É o caso do álcool, substância na qual a nicotina se dissolve com muita facilidade. Como o álcool é diurético, ao beber, o fumante excreta rapidamente na urina a nicotina nele dissolvida. A queda da concentração da droga no sangue desencadeia o desejo irresistível de fumar.
Viciados em nicotina, os neurônios do centro que integra as sensações de prazer, ao sentirem seus receptores vazios dela, estimulam outros circuitos de neurônios, que convergem para o chamado centro da busca. Esse centro é responsável por induzir alterações comportamentais com a intenção de nos obrigar a repetir ações que anteriormente nos trouxeram prazer: sexo, comida, temperatura agradável para o corpo, etc.
Uma vez que os centros do prazer ativam o centro da busca, este não pode ser mais desativado. O centro da busca permanecerá ativado mesmo que o prazer responsável por sua ativação deixe de existir. Por isso o fumante se surpreende ao acender um cigarro no toco do outro, o usuário de cocaína continua cheirando apesar do delírio persecutório que experimenta toda vez que usa a droga, e o jogador compulsivo é capaz de perder a casa da família em cima do pano verde.
Informados da falta de nicotina, os neurônios do centro da busca lançam mão de sua mais poderosa arma de persuasão comportamental: a ansiedade crescente. Tomado pela vontade de fumar, o fumante perde a tranqüilidade, fica agitado, nervoso e não consegue se concentrar em mais nada. Para ele, não existe felicidade possível sem o cigarro.
Como a nicotina é droga de excreção rápida, essas crises de ansiedade se repetem muitas vezes por dia. Para evitá-las, o fumante vive com o maço ao alcance da mão para acender um cigarro assim que surgirem os primeiros sinais, porque sabe que a intensidade dos sintomas da crise é crescente, insuportável. 

O cérebro aprende, então, que ansiedade e nicotina estão indissoluvelmente ligadas. Daí em diante, todo acontecimento que provocar ansiedade será interpretado por ele como resultante da ausência de nicotina. Por isso os fumantes levam imediatamente um cigarro à boca ao menor sinal de ansiedade ou diante da emoção mais rotineira. Por isso dizem que o cigarro os acalma.
O curto-circuito de prazer que a nicotina arma entre os neurônios provoca uma dependência química de forte intensidade, enfermidade cerebral crônica e recidivante. Para tratá-la, é preciso ensinar o cérebro novamente a funcionar como fazia antes de entrar em contato com a droga. Tal empreitada significa enfrentar a abstinência de nicotina, que se manifesta em crises repetitivas, muito mais intensas, desagradáveis e difíceis de suportar do que aquelas provocadas por drogas como cocaína, crack, maconha, ou álcool.
Os primeiros dois dias sem fumar são os piores. As crises se sucedem uma atrás da outra até atingirem freqüência e duração máximas em 48 horas. Nesse período, as manifestações incluem irritação, ansiedade, tremores, sudorese fria nas mãos, fome compulsiva, modificação do hábito intestinal, alterações da arquitetura do sono (insônia ou hipersônia), dificuldade extrema de concentração e alternância de episódios de apatia com outros de agressividade comportamental.
A partir do terceiro dia, a frequência das crises e a intensidade dos sintomas começam a diminuir gradativamente, dia após dia. À medida que as semanas se sucedem, o desejo de fumar continua a manifestar-se, mas vai embora cada vez mais depressa.

Em média, seis meses depois de parar de fumar, a maioria dos ex-fumantes já consegue passar um ou outro dia sem se lembrar da existência do cigarro. Os neurônios começam a ficar livres da dependência que os sucessivos impactos diários de nicotina causaram em seus circuitos. É a liberdade do cérebro, que, para ser mantida, exige o preço da eterna vigilância, porque a doença é traiçoeira, crônica e recidivante.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Parkinson: transplante de neurônios pode ser o caminho para tratamento

Transplante de neurônios pode ser caminho para tratamento contra Parkinson

Por iG São Paulo | 05/06/2014 15:46 

 

Após 14 anos, neurônios originários de célula tronco transplantados em pacientes com Parkinson seguem saudáveis

Neurônios de células fetais transplantados em pacientes com doença de Parkinson permaneceram saudáveis e ativos após 14 anos. A notícia, anunciadas por pesquisadores da Universidade de Harvard, traz esperança para o desenvolvimento de cura ou formas de amenizar os sintomas da doença.
Os tremores e outras dificuldades motoras que caracterizam a doença de Parkinson são resultado da perda de produção de dopamina nos neurônios de uma região do tronco cerebral. O experimento mostrou que neurônios transplantados podem substituir neurônios que apresentam problemas.

Getty Images
Neurônios transplantados não se degeneraram e permaneceram saudáveis por anos

"Os resultados mostraram que os neurônios transplantados fizeram um transporte robusto de dopamina e não apresentaram nenhuma anormalidade 14 anos depois de transplantados”, disse Ole Isacson, um dos autores do estudo. "Nossos dados, portanto, sugerem que os neurônios transplantado podem permanecer saudáveis e funcional por décadas", completa.

No novo estudo, a equipe de pesquisadores examinou os neurônios de dopamina em cinco pacientes que haviam recebido transplante de células fetais entre quatro e 14 anos antes. O exame mostrou uma expressão normal dos transportadores de dopamina, que também se mantiveram saudáveis e funcionais ao longo do tempo, sem sinais da característica de degeneração da doença de Parkinson.
O pesquisador afirma que com o estudo ficou claro que os transplantes de células fetais realizados em ensaios clínicos têm sido benéficos para pacientes com doença de Parkinson. “Alguns pacientes têm continuado a avançar clinicamente por décadas sem qualquer medicação para a doença”, disse.
O próximo passo é avançar nos estudos sobre fontes alternativas de neurônios dopaminérgicos, principalmente os originários de células tronco pluripotentes dos próprios pacientes. "Nossos resultados são muito oportunos e encorajadores para o campo da medicina regenerativa. É um avanço para o uso do transplante de células tronco derivadas de neurônios transportadores de dopamina como uma terapia de restauração para a doença de Parkinson," disse Isacson.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Proposta de uso medicinal da maconha será entregue à Anvisa

Proposta de uso medicinal da maconha será entregue à Anvisa

Por Revista Forum maio 20, 2014 11:41

Texto tem como inspiração o modelo norte-americano; no Brasil três projetos de regulamentação do uso da cannabis tramitam no Congresso Nacional

Por Redação

Os ativistas em prol da regulamentação da maconha no Brasil André Kiepper e Renato Malcher vão entregar, hoje (20), à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) uma proposta de uso médico da maconha com base em um projeto norte-americano. A proposta será entregue após a realização de audiência pública para discutir a descriminalização do porte de entorpecentes para consumo pessoal na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
O texto tem como inspiração o Compassionate Care Act, que ainda está em análise pelo parlamento de Nova Iorque e deve ser votado ainda esta semana, já que o estado não permite nenhum tipo de uso da cannabis. De acordo com recente pesquisa realizada pelo instituto Siena, 82% dos cidadãos nova-iorquinos apoiam o uso medicinal da maconha. Nos Estados Unidos, cerca de 20 estados já permitem o uso medicinal e alguns também o uso recreativo.
A proposta brasileira a ser entregue à presidência da Anvisa atenta para o fato de que “pacientes devem ser diagnosticados por médico ou enfermeiro e devem possuir doenças as quais a cannabis pode ser uma forma benéfica de tratamento”; “os médicos que recomendarem o uso medicinal da maconha devem informar todos os dados dos pacientes para o Departamento de Saúde que será o órgão para emissão de permissões, cartões de identidade de pacientes e de controle do programa”; “quem poderá fornecer o medicamento: farmácias, hospitais, ONGs e também empresas privadas”.

Atualmente o Congresso Nacional debate três propostas em torno da regulamentação da maconha: duas tramitam na Câmara dos Deputados federais, sendo que uma é de autoria do deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) e a outra do deputado Eurico Junior (PV-RJ). O Senado debate a proposta a partir de uma demanda surgida no portal E-Cidadania que foi aceita pela Comissão de Direitos Humanos (CDH) e ganhou relatoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Em recente entrevista à Fórum, o vereador Renato Cinco (PSOL-RJ), atentou para o fato de que se “a bancada fundamentalista aumentar o Brasil não vai legalizar a maconha”.

sábado, 17 de maio de 2014

Ansiedade e depressão em SP é igual a de país em guerra

Índice de transtorno de ansiedade e depressão em SP é igual a de país em guerra

Por Maria Fernanda Ziegler | 16/05/2014 08:00

19,9% da população da região metropolitana de São Paulo têm transtorno de ansiedade e depressão atinge 11%, diz estudo

A região metropolitana de São Paulo tem índices de depressão e transtornos de ansiedade semelhantes ao de áreas de guerra como o Líbano e a Síria. Um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP e que integra uma base de dados internacional identificou que 19,9% da população sofre de algum transtorno de ansiedade. Já em relação à depressão, os dados mostram que ela atinge 2,2 milhões, ou 11% dos 20 milhões de pessoas que moram na grande São Paulo.

“É preocupante. É uma cidade muito estressada, muito violenta. Acreditamos que o nível de violência tenha relação a ansiedade e a depressão”, disse.Wang Yuan Pang, pesquisador do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo e coordenador da pesquisa São Paulo Megacity, que integra um estudo da Organização Mundial da Saúde realizado concomitantemente em vários países.
Wang afirma que 54% dos entrevistados relataram ter vivido pelo menos um evento violento traumatizante, que pode ir desde ser vítima de um assalto, a presenciar a morte de alguém, ou tentativa de homicídio ou sofrer estupro.
Além do alto índice, outra preocupação dos pesquisadores é o fato de não haver serviço suficiente para atender a demanda. “A gente não tem pessoal suficiente para atender esta população” disse. No estudo, os problemas de saúde mental foram divididos em três níveis de acordo com a gravidade. Apenas um terço destes 10% de pessoas na categoria grave - aqueles que tentaram suicídio, apresentaram transtorno bipolar, ou são dependentes químicos com sinais fisiológicos - de fato receberam tratamento.
A taxa de depressão está entre as maiores do mundo. Países da África, menos desenvolvidos que a região metropolitana de São Paulo, têm índices de depressão de 4%, 6%, de acordo com Wang. Mas são os casos mais sérios de transtornos de ansiedade que deixaram os pesquisadores alarmados, aqueles que englobam casos como fobias e até síndrome do pânico. Só a síndrome do pânico, um grave transtorno de ansiedade, atinge 1,1% da população, ou 220 mil pessoas só na região metropolitana de São Paulo. De acordo com Wang, no entanto, ela é mais percebida do que a depressão, por exemplo, porque é mais difícil de esconder. “Ela é extremamente incapacitante. O indivíduo não consegue sair de casa, pegar o metrô cheio."
O estudo também mapeou os locais onde há mais casos de ansiedade e depressão. Percebeu-se que as áreas periféricas, onde há menos segurança e saneamento - as chamadas áreas de privação social - , são justamente aquelas com menos casos de depressão e transtornos de ansiedade. “Não quer dizer que as pessoas são mais felizes, não é isso. O que acontece é que nessas áreas periféricas há um alto número de migrantes, que se mudam para São Paulo para trabalhar. Quem não está saudável, com boa saúde mental, não agüenta e volta. Nessas áreas os problemas são outros: há muitos casos de alcoolismo e uso de drogas.”

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Anvisa libera "Maconha" como medicamento no Brasil

Agora é oficial: Anvisa vai liberar a prescrição de CBD

Super Interessante: Tarso Araujo - 15 de maio de 2014

 




Luiz Klassmann,  representante da Anvisa no 4º Simpósio Internacional da Cannabis Medicinal anunciou hoje, na abertura do evento, que a área técnica da agência aprovou a reclassificação do canabidiol no Brasil. O estudo propõe a retirada da substância da lista F1, de drogas proscritas, para a lista C1, que permite a prescrição por médicos com receita normal, em duas vias. Para a medida entrar em vigor, ela ainda depende da aprovação da diretoria colegiada da Anvisa. Klassmann estima que isso aconteça até o final de junho. Se isso realmente acontecer, o canabidiol será o primeiro derivado da Cannabis sativa a ter seu potencial terapêutico reconhecido no país.


sábado, 26 de abril de 2014

Como a cocaína era usada antigamente

Como a cocaína era usada antes de ser proibida

 

A droga, vendida livremente, tratava de dor de dente a depressão e contava com entusiastas como Sigmund Freud e o papa Leão 13


Superinteressante - Déborah de Paula Souza | 15/03/2012 15h48


Sigmund Freud podia comprar cocaína em qualquer farmácia de Viena. O pai da psicanálise adorava o seu efeito erótico. Numa de suas cartas apaixonadas a Martha Bernays (com quem depois se casou e conviveu por 53 anos), escreveu: "Ai de você, minha princesa, quando eu chegar. Vou beijá-la até você ficar bem corada e alimentá-la até que fique rechonchuda. E se você for bem teimosa, verá quem é mais forte: uma delicada jovem que não quer comer o suficiente ou um grande e selvagem homem que tem cocaína no corpo". Em outras cartas, desculpou-se com a amada pelo ardor das confissões, alegando que a cocaína destravava sua língua.

De acordo com o psicanalista argentino Emilio Rodrigué, autor da biografia Sigmund Freud, o Século da Psicanálise, o médico vienense passou a consumir cocaína a partir dos 28 anos - e fez isso por mais de uma década. Não fosse seu ímpeto em elogiar a substância na fase inicial das pesquisas, teria lugar de honra na psicofarmacologia moderna, já que foi um dos pioneiros a experimentar e fazer registros científicos de psicoativos. No século 19, seu artigo Über Coca (Supercoca) sintetizou o clima de esperança dos cientistas com a nova droga. Freud recomendava o uso como estimulante, para distúrbios digestivos, fraqueza, no tratamento de dependentes de álcool e morfina, contra a asma, como afrodisíaco e, por fim, como anestésico. Seu estudo abriu o caminho para que seu colega Carl Koller entrasse para a história da medicina como o descobridor da anestesia local. Rodrigué diz, brincando, que Freud teria antecipado a Coca-Cola ao escrever um bilhete chamando o médico de "querido amigo Coca Koller".

Os primeiros testes da anestesia local de Koller foram feitos em uma rã - bastaram algumas gotas de colírio à base de cocaína nos olhos do bicho para que fosse operado sem trauma nem dor. O trabalho causou comoção numa convenção de oftalmologia em 1884. Koller levou a fama pela anestesia ocular, mas, no mesmo ano, nos Estados Unidos, o pai da cirurgia moderna, William Stewart Halsted (1852-1922), desenvolveu uma espécie de bloqueador neural. Com injeções de cocaína em alguns nervos, conseguia anestesiar determinada área. Publicou mais de mil casos bem-sucedidos de cirurgias indolores, mas como testava drogas em si mesmo, acabou viciado em cocaína e morfina.

No final do século 19, uma paciente de Freud morreu de overdose e, entre 1885 e 1990, novos relatos clínicos revelaram tudo o que a comunidade científica precisava saber para abandonar de vez o uso da cocaína como medicamento. A reputação de Freud só não foi destruída porque era impossível controlar abusos de pacientes. O "pó mágico" era consumido livremente, fabricado por grandes laboratórios e considerado um remédio de largo espectro - era encontrado até em forma de pastilhas para dor de dentes. Os laboratórios Merck e Parke Davis apresentavam a droga em versões variadas: pó, extratos fluidos, inaladores, sprays e tônicos. Além dos medicamentos, doses generosas de cocaína estavam presentes em cigarros e bebidas, como o Vinho Mariani e a Coca-Cola, que foi lançada em 1886 e só retirou o alcaloide da fórmula em 1903.

Drinque do papa

As propagandas do fim do século 19 pregavam que a cocaína "tornava os homens mais corajosos e enchiam as damas de vivacidade e charme". Para ter uma ideia da popularidade da droga, o papa Leão 13 (1810-1903) estampava o rótulo do Vinho Mariani, um poderoso coquetel à base de cocaína e álcool criado pelo químico francês Angelo Mariani em 1863 -, que se tornou a bebida predileta do Sua Santidade. O médico Howard Markel, autor de Anatomy of Addiction (Anatomia do Vício), afirma que Mariani foi um dos primeiros a fazer fortuna com a cocaína - o "drinque do papa" conquistou rapidamente intelectuais e celebridades. A lista dos admiradores inclui os escritores Julio Verne, Henrik Ibsen, Alexandre Dumas e Arthur Conan Doyle (o criador do detetive Sherlock Holmes, um usuário notório). Thomas Edison e o ex-presidente americano Ulysses S. Grant completam a lista. Antes de morrer de câncer na garganta, em 1885, Grant redigiu suas memórias sob o efeito desse "vinho tônico". E é muito provável que tenha exagerado as façanhas e os efeitos da bebida.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Droga Krokodil

Vídeo mostra mulher sob os efeitos devastadores da droga Krokodil, cenas são fortes

Gazetasocial.com

Krokodil é uma droga russa fabricada a partir da desomorfina. O nome vem de uma das consequências mais comuns ao uso, uma vez que a pele da pessoa passa a ter um tom esverdeado e cheia de escamas, como a de um crocodilo.
Krokodil é um substituto para uma droga de alto valor, a heroína. O princípio ativo do Krokodil, é a “desomorphine” que é vendida em alguns países da Europa (especialmente na Suíça) como substituto da morfina e é conhecida pela farmacologia desde 1932. A desomorphine é de 8 a 10 vezes mais potente do que a morfina. Trata-se de um opiáceo sintético que possui estrutura quase idêntica à da heroína.
A primeira aparição desta droga foi na Sibéria, em 1992. Seu consumo tem aumentado cada vez mais pois ela é uma alternativa barata quando comparada à heroína. Seus efeitos colaterais são bizarros. Ela causa necrose no local onde é aplicada, expondo ossos e músculos. Casos de viciados precisando de amputação ou da limpeza de grandes áreas apodrecidas em seus corpos são cada vez mais comuns.
Largá-la é uma tarefa extremamente difícil. A desintoxicação é muito lenta e o usuário sente náuseas e dores por até um mês. A Codeína, um narcótico disseminado pelo mundo inteiro e de fácil acesso pode ser transformado em desomorphine com algumas reações químicas relativamente baratas. Ela então é dissolvida e injetada pelo utilizador. Considerando que a heroína custa 150 dólares cada dose e o Krokodil pode ser obtido por menos de 10 dólares fica fácil entender a razão de sua existência.

Vídeo postado no Youtube mostra uma mulher sob os efeitos devastadores da droga Krokodil, também conhecido como a “substância dos zumbis”, em razão do comportamento habitual de seu usuários. Usuários de todo o mundo têm compartilhado este conteúdo como forma de conscientização a respeito dos efeitos da droga.

Veja o vídeo e saiba mais abaixo: 
(CENAS FORTES, RECOMENDA-SE CAUTELA. DISPONIBILIZAÇÃO OCORRENTE DEVIDO À NECESSIDADE DE CONSCIENTIZAÇÃO):

http://www.youtube.com/watch?v=0Zpxeb7YTgE#t=383

Não postei o vídeo, por conter cenas degradantes de uma mulher sob o efeito da droga. 
Este blog não tem a  intenção de expor nenhum dependente químico a situações vexatórias.
Quem tiver interesse acesse o endereço acima, que está público no YouTube


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Fumo passivo afeta memória e aprendizado de animais

Fumo passivo afeta memória e aprendizado de animais

Agência USP de Notícias
Por Valéria Dias
Experimentos realizados na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP demonstraram que a exposição à fumaça de cigarro no período pós-natal (logo após o nascimento) induziu alterações em processos críticos do desenvolvimento do sistema nervoso central (SNC) e a diminuição da atividade locomotora na infância e na adolescência. Os testes foram feitos em camundongos durante a pesquisa de doutorado da farmacêutica Larissa Helena Lobo Torres.
Segundo a OMS, 40% das crianças no mundo são expostas ao fumo passivo
Segundo o estudo, a fumaça de cigarro prejudicou os processos de mielinização (formação da bainha de mielina que é a camada protetora dos neurônios) e de sinaptogênese (formação e refinamento das sinapses). “Nossos resultados sugerem que, com a exposição à fumaça do cigarro não há reversão dos efeitos observados no aprendizado e memória ou mesmo nos níveis das proteínas pré-sináptica na adolescência e na fase adulta”, aponta a farmacêutica.
“Até o momento, este é o único estudo experimental em roedores que associa dados bioquímicos e comportamentais ao avaliar os efeitos do fumo passivo no inicio do desenvolvimento do SNC e as possíveis consequências na adolescência e na fase adulta, dos animais”, destaca a pesquisadora. A tese Avaliação do desenvolvimento do sistema nervoso central de camundongos Balb/c expostos à fumaça do cigarro no início do período pós-natal foi defendida na FCF no dia 24 de outubro, sob a orientação da professora Tania Marcourakis.
De acordo com a pesquisadora, a exposição à fumaça do cigarro ocorreu durante as duas primeiras semanas de vida dos camundongos “pois esse período é crítico para os processos de sinaptogênese e mielinização”.
Cigarros 3R4F
Os animais foram expostos à fumaça de cigarros 3R4F, que foram produzidos pela Universidade de Kentucky (EUA) exclusivamente para pesquisa. “Realizamos a exposição com uma mistura de fumaça central e fumaça lateral numa câmara de polipropileno”, explica.
A fumaça lateral é a que sai pela ponta acesa do cigarro e a central é aquela que é tragada pelo fumante. Os animais foram expostos à fumaça duas vezes por dia, durante uma hora no período da manhã (8 horas) e uma hora à tarde (16 horas). Foi utilizado um sistema que produz vácuo e que permitiu que a fumaça fosse ‘tragada’ pelos animais. Os camundongos foram avaliados na infância, com 15 dias de vida; na adolescência, com 35 dias; e na fase adulta, com 65 dias.
Para avaliar a sinaptogênese, foram quantificadas proteínas sinápticas (sinapsina I e sinaptofisina) e o BDNF, um fator neurotrófico envolvido na manutenção da sobrevivência neuronal e na plasticidade sináptica. Essas análises foram realizadas em diferentes estruturais do encéfalo: hipocampo, cerebelo, córtex pré-frontal e estriado. O processo de mielinização foi avaliado por meio de microscopia eletrônica de transmissão do nervo óptico e da quantificação da proteína básica de mielina no telencéfalo, diencéfalo, cerebelo e tronco encefálico. “Realizamos ainda estudos comportamentais para avaliar os efeitos da fumaça do cigarro na aprendizagem e memória, na atividade locomotora e ansiedade”, conta.
Resultados
Os resultados indicaram diminuição dos níveis de BDNF e de sinapsina e sinaptofisina no hipocampo, cerebelo, córtex pré-frontal e estriado. A fumaça também induziu a diminuição na porcentagem de fibras mielinizadas no nervo óptico e aumento da proteína básica de mielina (PBM) no cerebelo na infância, além de diminuição da PBM no telencéfalo e tronco encefálico na adolescência e no cerebelo na fase adulta.
“Estes dados são condizentes com outra pesquisa que demonstrou que crianças e adolescentes expostos ao fumo passivo apresentam deficiência de aprendizado evidenciado por um pior desempenho escolar. Em conjunto, esses resultados representam uma ferramenta que pode direcionar futuras pesquisas que visem a prevenção dos danos causados pelo fumo passivo”, estima a pesquisadora.
Fumo passivo
O fumo passivo é um problema de saúde pública e diversos trabalhos comprovam os prejuízos causados por essa exposição, principalmente no sistema respiratório. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 40% das crianças no mundo são expostas ao fumo passivo, que é responsável por elevada morbidade respiratória e mortalidade em crianças de baixa idade.

“Apesar desses dados, poucos trabalhos têm como foco os efeitos do fumo passivo no SNC, em especial, durante o período de desenvolvimento”, finaliza a farmacêutica.

Energético muda as batidas do coração

Consumo de bebidas energéticas muda as batidas do coração

O Globo
Pesquisadores não recomendam bebida para crianças e pessoas com problemas de coração.
Mônica Imbuzeiro / Agência O Globo - LONDRES 
Imagens do coração de 17 pessoas uma hora depois de elas terem bebido um energético mostraram que as contrações ficaram mais intensas depois do consumo, segundo pesquisa da Universidade de Bonn, na Alemanha.
Os pesquisadores anunciaram o estudo no encontro anual da Sociedade de Radiologia da América do Norte e alertaram que crianças e pessoas com problemas de coração devem evitar esse tipo de bebida.
- A quantidade de cafeína é até três vezes maior nos energéticos do que em outras bebidas com a substância, como café ou bebidas à base de cola - explicou o pesquisador Jonas Dorner à BBC News.
- Há muitos efeitos colaterais associados ao consumo elevado de cafeína, como taquicardia, palpitações, aumento da pressão arterial e, em casos mais severos, convulsões e morte súbita.No estudo, os voluntários tomaram uma bebida com 32mg de cafeína e 400mg de taurina por 100ml.
Eles mostraram que a câmara do coração que bombeia sangue para todo o corpo, o ventrículo esquerdo, teve a contração mais forte uma hora depois a bebida energética foi tomada, em comparação com o início do estudo

28 milhões têm algum familiar dependente

Pesquisa: 28 milhões têm algum familiar dependente químico no Brasil

Jornal do Brasil - Ciência e Tecnoligia

Pelo menos 28 milhões de pessoas vivem no Brasil com um dependente químico, mostra o Levantamento Nacional de Famílias de Dependentes Químicos, divulgado hoje (3) pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A pesquisa inédita mostra o impacto que a convivência com um parente usuário de drogas provoca na experiência cotidiana das famílias.

Entre os parentes entrevistados, as mulheres são a grande maioria (80%), sendo que 46% delas são as mães dos dependentes químicos. Mais da metade delas (66%) são responsáveis pelo tratamento. Essas mães também são consideradas chefes da família, fazendo com que, além da sobrecarga de cuidar do filho usuário de drogas, cuidem dos outros membros da casa.
O levantamento revela ainda que mais da metade (57,6%) das famílias têm outro parente usuário de drogas. Os entrevistados, no entanto, avaliam que as más companhias (46,8%) e a autoestima baixa (26,1%) foram os fatores de risco mais relevantes que levaram ao uso.
O tempo médio para a busca de ajuda após o conhecimento do uso de álcool e/ou outras drogas é três anos. Entre os que usam cocaína e crack, o tempo é menor, dois anos. E sobe para 7.3 anos, quando considerados apenas os dependentes de álcool.
Mais de um terço dos parentes (44%) disse que descobriu o uso dessas substâncias por causa da mudança de comportamento. Apenas 15% relataram que a descoberta ocorreu por ter visto o paciente fazendo uso dessas substâncias fora de casa.
O impacto nas finanças é bem relevante. O estudo detectou que em 58% dos casos o tratamento foi pago exclusivamente pela família. Cerca de 45% apontaram que o pagamento do tratamento afetou drasticamente o orçamento familiar. Para 28,2%, o tratamento influenciou pouco, enquanto 7% disseram ter sofrido muito pouco impacto. Cerca de 19% disseram, por outro lado, que o tratamento não trouxe danos às finanças da família.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Nugtella, creme que mistura chocolate com maconha medicinal

Legalização da maconha estimula abertura de novos negócios nos EUA

Novas marcas e empresas são criadas para explorar um mercado que pode chegar a US$ 20 bilhões anuais
Gustavo Aguiar, especial para o Estadão 30/10/2013
SÃO PAULO - Autorizada para uso medicinal em 18 estados americanos e  para uso recreativo em outros dois, a maconha começa a dar impulso à criação de novas marcas em uma indústria que atrai empresas interessadas em aproveitar o novo mercado para lançar produtos especializados.
Uma empresa americana criou a Nugtella, creme que mistura chocolate com maconha medicinal em uma embalagem semelhante à tradicional Nutella, criada em 1963 pela italiana Ferrero e conhecida mundialmente. 

A Nugtella é feita com chocolate de avelã e óleo de haxixe, substância extraída da folha da maconha. De acordo com a Organicares, companhia que lançou o produto no mercado americano, o doce só é vendido em lojas especializadas da Califórnia para quem faz uso da maconha como medicamento e prefere não fumá-la. O pote com 320 mg de THC adicionados ao chocolate custa US$ 25.
Os empresários Jamen Shively e Brian Laoruangroch também investem no lançamento de produtos e marcas variadas e lojas superequipadas voltadas para o mercado de maconha legalizada.
 Shively, ex-gerente da Microsoft, é o fundador da primeira marca de varejo nos EUA especializada no ramo, a Diego Pellicer. Ele se prepara para lançar em breve roupas, alimentos e bebidas e até tecnologia a partir dos derivados da maconha.

O projeto da companhia de Shively é inaugurar a primeira rede de cafés e chás com receitas a base de maconha inspiradas na Starbucks, a cadeia de cafés número 1 no mundo.
Outro projeto é oferecer uma loja de mudas da planta para o mercado de varejo em Colorado e Washington, onde o uso da maconha já é liberado para 'entretenimento', e até uma rede de relacionamentos que aproxima usuários.

O empresário afirmou ao site norte-americano ABC News que a planta é um impulso "incrível" para a criatividade. De acordo com ele, este é um mercado ainda praticamente sem concorrência, e o campo está livre para a criatividade de empreendedores dispostos a abrir novos horizontes com um produto até hoje dominado pelo comércio ilegal.

Malboro. Acompanhando a onda promissora,  Brian Laoruangroch estrela na internet o comercial da própria companhia, a Prohibition Brands, para atrair financiadores. No vídeo, vestido de cowboy, o jovem de 29 anos apresenta razões para que outras empresas invistam na Corrida Verde e especialmente em sua ideia: a de produzir cigarros de maconha em grande escala e tornar-se a nova Malboro.

"Estamos aqui para inaugurar o primeiro negócio internacional de maconha", anuncia. O site da empresa explica que a companhia aguarda a patente com as especificações para a fabricação do 'Roach', um cigarro de maconha com filtro, como é feito com o tabaco, para consumo individual.
A Prohibition Brands já comercializa no mercado europeu o 'Marijuanettes', uma mistura de maconha com cigarro, e uma espécie de charuto também a base da droga. Os lemas da empresa de Laoruangroch descritos no site são qualidade, responsabilidade, pesquisa e inovação.

Fiscalização. Embora existam muitos empresários entrando no mercado da maconha recreativa, ainda pairam duvidas sobre como o governo federal dos EUA, que não reconhece a venda legalizada para o país, vai reagir.

O economista da Universidade de Harvard, Jeffrey Miron, declarou ao ABC News que está 'cautelosamente otimista' com a permissão que a nova indústria tem para florescer.

De acordo com o especialista, um mercado totalmente legalizado poderá gerar US$ 20 bilhões em vendas anuais no varejo nos Estados Unidos. Estima-se que o tráfico e a venda autorizada em todo o país movimente, atualmente, cerca de US$ 100 bilhões por ano.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

95% dos homicídios em Teresina têm ligação com o tráfico de drogas

95% dos homicídios em Teresina têm ligação com o tráfico de drogas

Delegacia de Homicídios revela também ter dificuldade para resolver casos.
Maioria das mortes são registradas na Zona Sul da capital
G1
  A disputa pelo controle do tráfico de drogas tem gerado uma série de homicídios entre os integrantes de grupos rivais na Zona Sul de Teresina.
Segundo a Polícia Civil, 95% das mortes registradas na capital têm ligação com entorpecentes, mas em outros casos as vítimas são inocentes e não têm nenhuma relação com a criminalidade.
No bairro Promorar, Zona Sul de Teresina, moradores reclamam da insegurança. O industriário José Dantas conta que quase levou um tiro ao escapar de um conflito entre bandidos próximo à casa de familiares, enquanto o seu primo foi atingido no pé.
"A minha revolta é grande, pois não é pelo fato dos criminosos estarem próximos, que nós temos envolvimento com eles. Os bandidos chegam de forma para acabar com outro e quem estiver por perto", denuncia.
Na Vila Irmã Dulce, também na Zona Sul, três mortes foram registradas nos últimos cinco dias. Dados da polícia mostram que só no primeiro semestre deste ano foram 32 homicídios, sendo 18 somente no Promorar.
Para a Delegacia de Homicídios, a falta de informação dificulta a trabalho da polícia e espera que até sexta-feira (18) seja criada uma linha direta para incentivar a comunidade a fazer a denúncia.
"A polícia vive de informações, mas ali existe a sensação de insegurança e impunidade, porque os populares vêem indivíduo preso e solto. Isto cria um ciclo vicioso, onde as pessoas ficam com medo de falar", destacou o delegado de homicídios, Francisco das Chagas Bareta.

Já a Polícia Militar não acredita que os casos tenham relação com uma lista de criminosos marcados para morrer. "Acreditamos que existam grupos rivais, que o tráfico encontra-se presente nestes homicídios, mas isto é por conta de dívidas entre eles", ressalta o tenente Sá Júnior.

Por que parar de fumar engorda?

Estudo explica por que ex-fumantes engordam após largar o vício

Pesquisadores suíços descobrem que quem larga o cigarro ganha peso não pela ingestão extra de calorias, mas porque passa a ter na flora intestinal bactérias que geralmente aparecem em obesos.
Todo fumante sabe que o cigarro faz mal à saúde. E muitos querem parar, porém têm medo de engordar – cerca de 80% dos que largam o hábito ganham, em média, sete quilos. Para muitos é um mistério como o aumento de peso atinge não só os que, por uma possível compensação do vício, passam a ingerir mais alimentos calóricos, mas também os que seguiam uma dieta balanceada.
Agora, pesquisadores suíços descobriram que as calorias não são as únicas responsáveis por essa reação, mas sim uma mudança na flora intestinal. Durante nove semanas, uma equipe do Hospital Universitário de Zurique analisou amostras de fezes de fumantes, não fumantes e pessoas que haviam recentemente largado o cigarro.   O estudo revelou que, ao longo do período analisado, não houve qualquer mudança entre os fumantes e não fumantes.
Mas no caso dos ex-fumantes recentes, aconteceu uma transformação drástica: bactérias encontradas na flora intestinal de obesos tomaram conta dos seus intestinos.   Essas bactérias são as proteobactérias e bacteroidetes. Por isso, pessoas que largaram o cigarro engordam, mesmo não comendo ou bebendo mais do que antes, quando fumavam, segundo o estudo.  
“Nós conseguimos encontrá-las (as bactérias) por seis meses, mas não sabemos quanto tempo o intestino permanece nesse estado e se esse estado é reversível”, explicou o coordenador do estudo científico, Gerhard Rogler.   Algumas bactérias na flora intestinal conseguem aproveitar de maneira eficiente a energia da alimentação e acumulá-las em adipócitos. Mas essa eficiência acumula gordura nas regiões da barriga e quadril. Pesquisadores do Centro de Medicina Cedars-Sinai, de Los Angeles, descobriram que a composição da flora intestinal influencia a tendência ao sobrepeso nas pessoas.   Pessoas mais gordas possuem determinadas bactérias no intestino. Um estudo científico que ainda está em andamento investiga se é possível eliminar do intestino bactérias que contribuem para engordar ou emagrecer.  
Existem muitos problemas atribuídos ao fumo. Recentemente, uma pesquisa da Pontíficia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) aponta que os fumantes são mais infelizes.   “Passada a turbulência inicial dos primeiros dias ou semanas logo após a cessação do tabagismo, o que se detectou é que o ex-fumante se torna mais feliz do que o que permanece fumando. O uso não frequente até melhora o humor, mas a longo prazo leva à depressão”, diz o pneumologista José Miguel Chatkin.  
Danos
  1 Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), se a mãe fuma depois que o bebê nasce, o filho sofre imediatamente os efeitos do cigarro. Durante o aleitamento, a criança recebe nicotina através do leite materno, podendo ocorrer intoxicação em função da nicotina, principalmente em mães fumantes de 20 ou mais cigarros por dia.  
2 Em crianças de zero a um ano de idade que vivem com fumantes, há uma maior prevalência de problemas respiratórios em relação àquelas cujos familiares não fumam.
Além disso, quanto maior o número de fumantes no domicílio, maior o percentual de infecções respiratórias. Os hábitos tabagísticos dos pais de longo prazo afetam a probabilidade de fumar dos filhos. Dados de 214 pais e 314 crianças de 11 anos ou mais foram analisados pelos estudiosos.  
Adolescentes têm maior possibilidade de ter o vício  
Exemplo vem de casa. A máxima é antiga, mas muito atual. Segundo um estudo recente, publicado no ‘Pediatrics’, mesmo em uma época de declínio das taxas de uso do cigarro pelos adolescentes, nos Estados Unidos, os filhos de fumantes atuais (e mesmo de ex-fumantes) são mais propensos a fumar. A influência do irmão mais velho neste processo também é relevante.   Segundo os pesquisadores, os hábitos tabagísticos dos pais de longo prazo afetam a probabilidade de fumar de seus filhos.
Dados de 214 pais e 314 crianças de 11 anos ou mais foram analisados pelos estudiosos. Os resultados revelaram que 8% dos filhos de pais não-fumantes fumaram no ano passado.  
Já entre os filhos de fumantes, cerca de 23-29% tinham fumado no ano passado. Essas taxas variaram de acordo com a consistência do ato de fumar dos pais, mas mesmo filhos de fumantes ‘leves’, ‘ocasionais’ ou que pararam de fumar apresentaram um risco maior de fumar.  
Segundo o estudo, o tabagismo dos pais em qualquer idade, mesmo antes de a criança nascer, contribui diretamente para uma maior chance de que os filhos fumem.  
A pesquisa também descobriu que as crianças que tinham um irmão mais velho fumante apresentavam seis vezes mais probabilidade de fumar do que as crianças que não tinham um irmão que fuma.  
“Um irmão mais velho que fuma tem 15 vezes mais chances de estar presente numa família com pais que são fumantes inveterados em comparação às famílias onde os pais não são fumantes”, diz o pediatra Moises Chencinski. A recomendação do estudo é clara: os esforços de prevenção para enfraquecer associações intergeracionais devem considerar o uso do cigarro a longo prazo dos pais, bem como o comportamento de fumar de irmãos mais velhos na casa.  
Cigarro mata mais de 200 mil pessoas por ano no Brasil   No Brasil, estima-se que cerca de 200 mil mortes/ano são decorrentes do tabagismo. De acordo com o Inquérito Domiciliar sobre Comportamentos de Risco e Morbidade Referida de Doenças e Agravos Não Transmissíveis , realizado em 2002 e 2003, entre pessoas de 15 anos ou mais, residentes em 15 capitais brasileiras e no Distrito Federal, a prevalência de tabagismo variou de 12,9 a 25,2% nas cidades estudadas.  
Os homens apresentaram prevalências mais elevadas do que as mulheres em todas as capitais. Em Porto Alegre, encontram-se as maiores proporções de fumantes, tanto no sexo masculino quanto no feminino, e em Aracaju, as menores.  
Essa pesquisa também mostrou que a concentração de fumantes é maior entre as pessoas com menos de oito anos de estudo do que entre pessoas com oito ou mais anos de estudo.  
Em relação à prevalência de experimentação e uso de cigarro entre jovens, de acordo com estudo realizado entre escolares de 12 capitais brasileiras, nos anos de 2002-2003 (Vigescola), a prevalência da experimentação nessas cidades variou de 36-58% no sexo masculino e de 31-55% no sexo feminino, enquanto a prevalência de escolares fumantes atuais variou de 11-27% no sexo masculino e 9-24% no feminino.  
O tabagismo feminino reduz globalmente a fertilidade, causando um atraso da primeira gestação. O atraso na concepção reflete-se numa gama de possíveis efeitos adversos na reprodução, como interferência na fertilização, dificuldade de implantação do óvulo concebido ou perda após a implantação.  

A mulher fumante tem um risco maior de infertilidade, câncer de colo de útero, menopausa precoce (em média dois anos antes) e dismenorreia (sangramento irregular