segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Por que parar de fumar engorda?

Estudo explica por que ex-fumantes engordam após largar o vício

Pesquisadores suíços descobrem que quem larga o cigarro ganha peso não pela ingestão extra de calorias, mas porque passa a ter na flora intestinal bactérias que geralmente aparecem em obesos.
Todo fumante sabe que o cigarro faz mal à saúde. E muitos querem parar, porém têm medo de engordar – cerca de 80% dos que largam o hábito ganham, em média, sete quilos. Para muitos é um mistério como o aumento de peso atinge não só os que, por uma possível compensação do vício, passam a ingerir mais alimentos calóricos, mas também os que seguiam uma dieta balanceada.
Agora, pesquisadores suíços descobriram que as calorias não são as únicas responsáveis por essa reação, mas sim uma mudança na flora intestinal. Durante nove semanas, uma equipe do Hospital Universitário de Zurique analisou amostras de fezes de fumantes, não fumantes e pessoas que haviam recentemente largado o cigarro.   O estudo revelou que, ao longo do período analisado, não houve qualquer mudança entre os fumantes e não fumantes.
Mas no caso dos ex-fumantes recentes, aconteceu uma transformação drástica: bactérias encontradas na flora intestinal de obesos tomaram conta dos seus intestinos.   Essas bactérias são as proteobactérias e bacteroidetes. Por isso, pessoas que largaram o cigarro engordam, mesmo não comendo ou bebendo mais do que antes, quando fumavam, segundo o estudo.  
“Nós conseguimos encontrá-las (as bactérias) por seis meses, mas não sabemos quanto tempo o intestino permanece nesse estado e se esse estado é reversível”, explicou o coordenador do estudo científico, Gerhard Rogler.   Algumas bactérias na flora intestinal conseguem aproveitar de maneira eficiente a energia da alimentação e acumulá-las em adipócitos. Mas essa eficiência acumula gordura nas regiões da barriga e quadril. Pesquisadores do Centro de Medicina Cedars-Sinai, de Los Angeles, descobriram que a composição da flora intestinal influencia a tendência ao sobrepeso nas pessoas.   Pessoas mais gordas possuem determinadas bactérias no intestino. Um estudo científico que ainda está em andamento investiga se é possível eliminar do intestino bactérias que contribuem para engordar ou emagrecer.  
Existem muitos problemas atribuídos ao fumo. Recentemente, uma pesquisa da Pontíficia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) aponta que os fumantes são mais infelizes.   “Passada a turbulência inicial dos primeiros dias ou semanas logo após a cessação do tabagismo, o que se detectou é que o ex-fumante se torna mais feliz do que o que permanece fumando. O uso não frequente até melhora o humor, mas a longo prazo leva à depressão”, diz o pneumologista José Miguel Chatkin.  
Danos
  1 Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), se a mãe fuma depois que o bebê nasce, o filho sofre imediatamente os efeitos do cigarro. Durante o aleitamento, a criança recebe nicotina através do leite materno, podendo ocorrer intoxicação em função da nicotina, principalmente em mães fumantes de 20 ou mais cigarros por dia.  
2 Em crianças de zero a um ano de idade que vivem com fumantes, há uma maior prevalência de problemas respiratórios em relação àquelas cujos familiares não fumam.
Além disso, quanto maior o número de fumantes no domicílio, maior o percentual de infecções respiratórias. Os hábitos tabagísticos dos pais de longo prazo afetam a probabilidade de fumar dos filhos. Dados de 214 pais e 314 crianças de 11 anos ou mais foram analisados pelos estudiosos.  
Adolescentes têm maior possibilidade de ter o vício  
Exemplo vem de casa. A máxima é antiga, mas muito atual. Segundo um estudo recente, publicado no ‘Pediatrics’, mesmo em uma época de declínio das taxas de uso do cigarro pelos adolescentes, nos Estados Unidos, os filhos de fumantes atuais (e mesmo de ex-fumantes) são mais propensos a fumar. A influência do irmão mais velho neste processo também é relevante.   Segundo os pesquisadores, os hábitos tabagísticos dos pais de longo prazo afetam a probabilidade de fumar de seus filhos.
Dados de 214 pais e 314 crianças de 11 anos ou mais foram analisados pelos estudiosos. Os resultados revelaram que 8% dos filhos de pais não-fumantes fumaram no ano passado.  
Já entre os filhos de fumantes, cerca de 23-29% tinham fumado no ano passado. Essas taxas variaram de acordo com a consistência do ato de fumar dos pais, mas mesmo filhos de fumantes ‘leves’, ‘ocasionais’ ou que pararam de fumar apresentaram um risco maior de fumar.  
Segundo o estudo, o tabagismo dos pais em qualquer idade, mesmo antes de a criança nascer, contribui diretamente para uma maior chance de que os filhos fumem.  
A pesquisa também descobriu que as crianças que tinham um irmão mais velho fumante apresentavam seis vezes mais probabilidade de fumar do que as crianças que não tinham um irmão que fuma.  
“Um irmão mais velho que fuma tem 15 vezes mais chances de estar presente numa família com pais que são fumantes inveterados em comparação às famílias onde os pais não são fumantes”, diz o pediatra Moises Chencinski. A recomendação do estudo é clara: os esforços de prevenção para enfraquecer associações intergeracionais devem considerar o uso do cigarro a longo prazo dos pais, bem como o comportamento de fumar de irmãos mais velhos na casa.  
Cigarro mata mais de 200 mil pessoas por ano no Brasil   No Brasil, estima-se que cerca de 200 mil mortes/ano são decorrentes do tabagismo. De acordo com o Inquérito Domiciliar sobre Comportamentos de Risco e Morbidade Referida de Doenças e Agravos Não Transmissíveis , realizado em 2002 e 2003, entre pessoas de 15 anos ou mais, residentes em 15 capitais brasileiras e no Distrito Federal, a prevalência de tabagismo variou de 12,9 a 25,2% nas cidades estudadas.  
Os homens apresentaram prevalências mais elevadas do que as mulheres em todas as capitais. Em Porto Alegre, encontram-se as maiores proporções de fumantes, tanto no sexo masculino quanto no feminino, e em Aracaju, as menores.  
Essa pesquisa também mostrou que a concentração de fumantes é maior entre as pessoas com menos de oito anos de estudo do que entre pessoas com oito ou mais anos de estudo.  
Em relação à prevalência de experimentação e uso de cigarro entre jovens, de acordo com estudo realizado entre escolares de 12 capitais brasileiras, nos anos de 2002-2003 (Vigescola), a prevalência da experimentação nessas cidades variou de 36-58% no sexo masculino e de 31-55% no sexo feminino, enquanto a prevalência de escolares fumantes atuais variou de 11-27% no sexo masculino e 9-24% no feminino.  
O tabagismo feminino reduz globalmente a fertilidade, causando um atraso da primeira gestação. O atraso na concepção reflete-se numa gama de possíveis efeitos adversos na reprodução, como interferência na fertilização, dificuldade de implantação do óvulo concebido ou perda após a implantação.  

A mulher fumante tem um risco maior de infertilidade, câncer de colo de útero, menopausa precoce (em média dois anos antes) e dismenorreia (sangramento irregular

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