sábado, 19 de maio de 2012

Mistura de energético com álcool pode causar arritmia cardíaca


Mistura de energético com álcool pode causar arritmia cardíaca




Globo News


Combinação pode estimular o alcoolismo. Palpitação forte, tontura, mal-estar, sudorese, e principalmente dor no peito e desmaio são sinais de alerta importantes após a ingestão da mistura.

O consumo de energéticos não para de crescer no Brasil. Eles prometem aumentar o ânimo e a disposição, mas podem provocar sérios problemas, se forem misturados com bebida alcoólica ou ingeridos em doses elevadas. Os fabricantes de energéticos dizem que a bebida está presente em mais de 160 países, porque as autoridades consideram o consumo seguro. E acrescentam que o próprio rótulo alerta que a mistura com álcool não é recomendada.

O cardiologista Leandro Echenique, do Hospital Albert Einstein e da Unifesp, lembra que a combinação de energéticos com bebidas alcoólicas potencializa o risco de arritmia cardíaca: “Essa mistura pode ser perigosa. O rótulo informa que algumas populações são de risco, como crianças, idosos, gestantes e portadores de algumas enfermidades. Para o coração, há risco, pelo fato de ambas as substâncias poderem causar arritmia. O coração acelera ou bate de forma irregular”.

Uma pesquisa americana diz que 52 latas de energético por ano já é uma quantidade perigosa e pode levar a dependência. O cardiologista Leandro destaca que a cafeína tira a sonolência do álcool e não melhora o reflexo: “A pessoa acha que está bem, ingere maior quantidade de álcool e acaba dirigindo. Em boa parte das vezes, é possível reverter a situação, mas alguns danos podem ser permanentes, como arritmias”. O médico alerta ainda que palpitação forte, tontura, mal-estar, sudorese, e principalmente dor no peito e desmaio são sinais de alerta importantes após a ingestão da mistura.

A psiquiatra Fátima Vasconcellos, chefe da psiquiatria da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, ressalta que as pessoas podem acreditar que só o energético vai dar a elas condições e energia para se divertir. “A mistura dessas substâncias gera uma falsa sensação de alegria e pode estimular o alcoolismo, levando ao comportamento de risco”. A psiquiatra diz ainda que almoçar com os filhos pelo menos uma vez por semana diminui o risco do consumo de drogas e lembra que a mulher tem um terço da capacidade de absorver o álcool. Por isso, as reações de intoxicação e são mais rápidas nelas.

Como apagar o desejo de consumir drogas?


Como apagar o desejo de consumir drogas




Jornal O Estado de S. Paulo
Fernando Reinach - O Estado de S.Paulo
 
Cada vez que trazemos à consciência uma lembrança, ela passa a ter maiores chances de se manter em nossa memória. Cada vez que você se lembra do telefone da sua mãe, a memória do número é reforçada no seu cérebro. Se uma memória não é trazida à consciência, aos poucos ela vai se perdendo.

Há menos de um ano foi descoberto que o processo de trazer à consciência uma lembrança pode ser dividido em duas etapas. Na primeira, a informação é "copiada" para a consciência; na segunda, a informação, que está na consciência, é "reescrita" na nossa memória. Esse processo de "reescrever" apaga parcialmente a memória anterior e a substitui pela nova versão. É devido a esse fato que as memórias mudam com o tempo. 

Cada vez que elas são relembradas existe a chance de elas serem "reescritas" de forma ligeiramente modificada. Isso faz com que as memórias fiquem frágeis (sujeitas a modificação) por um breve período de tempo (alguns minutos), durante o qual elas estão sendo "reescritas" no nosso cérebro.

Essa descoberta abriu a possibilidade de modificar ou apagar memórias desagradáveis, conforme foi relatada na coluna de 5 de janeiro ("Como apagar memórias sem deixar traços").

Agora, um grupo de cientistas chineses e norte-americanos demonstrou que é possível apagar da memória de ratos lembranças relacionadas ao consumo de cocaína e heroína e dessa maneira diminuir o desejo de consumir drogas. E, mais impressionante, repetiram o experimento em pessoas dependentes de heroína e demonstraram que esse procedimento também é capaz de reduzir o desejo dos pacientes de consumir a droga.

O experimento em ratos é muito simples. Eles foram habituados a viver em uma gaiola com dois ambientes (diferentes formatos e diferentes pisos). Os ratos receberam durante 8 dias doses frequentes da droga. Sempre que recebiam uma dose eram colocados no ambiente 1 por algumas horas. Assim eles se habituaram a sentir os efeitos da droga nesse ambiente 1 o qual associaram ao recebimento da droga, ficando mais tempo nessa parte da gaiola. Por mais que eles fossem colocados no ambiente 2, eles insistiam em voltar para o local onde poderiam receber a droga. Após dois dias sem acesso à droga, os ratos receberam uma única dose e foram colocados brevemente no ambiente 1 (este passo do experimento tem como função trazer para a memória as experiências relacionadas ao consumo da droga). Em seguida, eles foram divididos em três grupos. No primeiro grupo, os cientistas esperaram 10 minutos e colocaram os ratos no ambiente 2. No segundo grupo, os cientistas esperaram 1 hora antes de colocar os ratos no ambiente 2;. E, no terceiro grupo, a espera foi aumentada para 6 horas. Nos três casos, os ratos foram forçados a ficar 45 minutos no ambiente 2 (essa etapa tem como função fazer eles esquecerem a associação entre a droga e o ambiente 1). Dias depois os ratos foram soltos na gaiola com dois ambientes para testar se eles ainda preferiam o ambiente 1 (associado ao consumo de droga). O resultado foi claro. Os ratos que haviam sido submetidos ao ambiente 2 logo após receberam a droga (grupo de 10 minutos), haviam esquecido a associação entre o ambiente 1 e a droga, deixando de preferir o ambiente 1. Mas se a exposição ao ambiente 2 ocorria duas ou seis horas depois da experiência de receber a droga, a memória que associava o ambiente 1 às drogas não era apagada e os animais continuavam a preferir o ambiente 1. Isso demonstra que é possível remover a associação entre o ambiente 1 e o consumo da droga.

Experimento semelhante foi feito com ratos treinados para se autoinjetar drogas e o mesmo efeito, de apagar as associações de consumo de droga, foi obtido.

Um procedimento semelhante foi utilizado em 66 pacientes dependentes de heroína. 

Neste caso, o estímulo capaz de trazer à memória as lembranças relacionadas ao consumo da droga foi a apresentação de um filme de 5 minutos contendo cenas explícitas de consumo de droga. Quando apresentados ao filme, os pacientes reportavam um desejo muito alto de consumir a droga, um aumento no batimento cardíaco e na pressão sanguínea. Mas, se nos 10 minutos seguintes ao filme, os pacientes fossem colocados em contato com diversos objetos associados ao consumo de droga (como seringas, cachimbos e agulhas), mas na ausência da droga propriamente dita, a memória que era "reescrita" nos seus cérebros deixava de conter a lembrança da sensação causada pela heroína. Nos dias subsequentes estes pacientes, quando submetidos ao mesmo filme já não sentiam tanta vontade de consumir a droga e sua pressão e batimentos cardíacos não subiam tanto. O estímulo visual de pessoas consumindo drogas já não despertava um desejo tão forte.

Estes resultados são impressionantes pois mostram que um método relativamente simples e não invasivo pode alterar memórias associadas ao consumo de drogas e consequentemente o desejo de consumir drogas.

* MAIS INFORMAÇÕES: A MEMORY RETRIEVAL-EXTINCTION PROCEDURE TO PREVENT DRUG CARVING AND RELAPSE. SCIENCE VOL. 336 PAG. 241 2012

FERNANDO REINACH

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Alimentar-se compulsivamente pode induzir ao uso de drogas


Alimentar-se compulsivamente pode induzir ao uso de drogas
 
08/05/2012 - Fonte: The British Psychological Society

Recente pesquisa realizada pela Universidade Penn State sugere que indivíduos com compulsão alimentar possuem maior risco de desenvolver comportamentos de vício, como o abuso de substâncias.

O estudo, publicado no periódico Behavioral Neuroscience, aponta que ambas a compulsão alimentar e o vício a substâncias psicoativas são caracterizadas pela perda de controle de consumo, fato este que explica a alta co-ocorrência dos mesmos.

Segundo um dos autores do estudo, ainda é desconhecido quanto à perda de controle em um distúrbio afeta a mesma perda em outro.

O estudo desenvolveu a associação entre o alto consumo de gordura e a procura e consumo de cocaína, o que aponta a possibilidade de um comportamento influenciar o outro; Segundo Michael Cohen, psicólogo que trabalha com indivíduos com vícios diversos há 20 anos, muitos de seus pacientes que sofriam do abuso de substâncias desenvolviam distúrbios alimentares (como bulimia e compulsão alimentar).

“Apesar dos distúrbios alimentares coexistirem com o abuso de drogas legais (como as drogas prescritas) e ilegais, os resultados do estudo dá luz a existência do chamado vício cruzado –onde há a transferência de vícios ou a troca de um vício por outro. É apenas uma maneira das pessoas tentarem melhorar a situação de seu vício anterior”, aponta Cohen.

O psicólogo também pontua que indivíduos que tentam superar um vício geralmente são atraídos pelo vício cruzado, exemplificando um caso onde uma pessoa com compulsão alimentar se utiliza de cocaína pensando que tal ato é mais saudável que sua compulsão, imaginando que nunca fora prejudicado pelo uso.

O psicólogo aponta que um indivíduo com personalidade propensa ao vício, quando combina-se com uma variedade de outros fatores, desenvolve a compulsão alimentar no intuito de resolver seus problemas  que estão fora de controle.

sábado, 12 de maio de 2012

Saúde defende a maconha


Saúde defende a maconha




Livro disponível em blog de programa da secretaria municipal sugere o plantio da droga

O DIA ONLINE - POR FRANCISCO EDSON ALVES


Rio -  Plantar maconha para consumo próprio ou frequentar cultos da seita Santo Daime. Essas são duas das polêmicas alternativas para a redução de danos à saúde de dependentes químicos, abordadas no livro ‘Drogas: Clínica e Cultura/Toxicomanias, Incidências Clínicas e Socioantropológicas’, recomendado pela Coordenação Saúde Mental, programa da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil.

No site da coordenação (saudementalrj.blogspot.com.br), que tem a logomarca da Prefeitura do Rio, a publicação, de 305 páginas, tinha destaque para download gratuito. Por volta de 22h de ontem, depois de questionamentos feitos pelo DIA, o blog, com mais de 105 mil visitações, tirou o livro do ar.

Na página 248 da publicação, Antônio Nery Filho e mais três autores — Edward MacRae, Luiz Alberto Tavares, Marlize Rêgo —, defendem a liberação e a regulamentação do porte, cultivo e distribuição não comercial de cannabis sativa (maconha). “Uma outra dimensão do plantio, cultivo, semeio e colheita pode ser vislumbrada, não como ato não permitido, mas como efetivo e eficaz mecanismo de redução de danos”, diz o texto.

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Na mesma página os escritores justificam: “Permitindo ao usuário produzir a droga que consome, o Estado estaria contribuindo com a não inserção (do viciado) no mundo da violência e do tráfico, e em face da segurança e integridade física e emocional, como sua própria saúde”. Já na página 248, uma ‘dica’ inusitada e perigosa: “... 100 gramas de maconha podem ser considerados uma quantidade razoável para um usuário diário”.

A seita Santo Daime, doutrina surgida na região amazônica e cujo um dos adeptos, fora de si, matou o cartunista Glauco em 2010, surpreendentemente é considerada pelos autores no livro como “exemplo de redução de danos”. Na seita, bebe-se um chá com propriedades alucinógenas.

Associação pede mais tratamento

O presidente da Associação dos Dependentes Químicos em Recuperação, Marcelo da Rocha, não poupou críticas ao conteúdo do livro e ao governo municipal. Em audiência pública sobre drogas na Assembleia Legislativa, quinta-feira, ele deixou claro sua indignação.
“O que está por trás disso é uma política nefasta de legalização das drogas. Defendemos ajuda para quem, por algum motivo, acreditou que seria bom usar drogas, e teve suas vidas e de suas famílias destruídas, mas agora quer recomeçar tudo sem usar drogas”, afirmou.
De acordo com ele, nos únicos três Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) do município, que tratam pessoas com transtornos mentais decorrentes do uso de álcool e outras drogas, os usuários têm sido recomendados a “mudar de droga” e não a parar com o vício. Semana passada, O DIA mostrou com exclusividade a precariedade no atendimento nas clínicas mantidas pelo governo estadual. 

Secretaria diz que blog é de funcionários

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil alegou que o livro é utilizado de forma acadêmica por diversos profissionais da saúde mental no país e que o conteúdo é de responsabilidade de seus autores, sem qualquer ligação com o órgão da prefeitura. “A secretaria tem papel histórico no combate ao uso de drogas neste município, tendo como missão a defesa da vida e a não exclusão de qualquer paciente do sistema de saúde”, diz o texto.

O órgão frisa que é responsável pelo tratamento de mais de 3.500 usuários de drogas e trabalha com a política de redução de danos seguindo as determinações da Coordenação de Saúde Mental do Ministério da Saúde.

A secretaria afirma que o livro é “uma publicação oficial da Universidade Federal da Bahia e reconhecido pelo Scielo Book, o principal portal acadêmico no Brasil”. E também que não distribui exemplares da publicação: “O blog citado é iniciativa dos funcionários da Coordenação de Saúde Mental da secretaria. A publicação não integra o site oficial da SMSDC e não expressa a opinião da secretaria”. Mas o órgão não explicou, no entanto, porque permite sua logomarca oficial no espaço.

Como acontece o tratamento de multiplas drogas através da redução de danos? 
Se por exemplo, a pessoa é dependente de cocaína ou crack com uso intenso, mas também é usuário de maconha, e usando a maconha ele não usa o crack ou a cocaína, ele poderia parar de usar a cocaína que traz maiores danos em sua vida e continuar a usar a maconha como uma forma de se manter menos ansioso e depois de um periodo abstinente da cocaína parar de usar a maconha. Isso com acompanhamento psicológico e médico! 
Entender e aceitar o tratamento de multiplas drogas através da redução de danos não é fácil, pois exige mudanças de crenças profundas, é uma nova forma de pensar com novos conceitos formando novos paradigmas. 
Minha experiência me mostra que para quem pode fazer a redução de danos é a melhor escolha de tratamento.