domingo, 7 de agosto de 2011

O que acontece com o bebe na gestação de usuárias de crack?

Crianças sem história


O Povo

As sequelas do uso do crack na gravidez ainda estão sendo diagnosticadas por estudos dispersos. Mas a experiência de profissionais que lidam com a dependência química afirma: os problemas começam desde o início da gestação
As estatísticas ainda não mostram o que médicos, psicólogos, terapeutas e outros profissionais especializados em dependência química veem nas salas de parto e de tratamento da adicção. Há 18 anos, a neonatologista da Maternidade Escola Assis Chateaubriand testemunha gestações de risco, como a das crianças-mães, e nascimentos-quase-morte. “Na realidade, você tem uma cascata de efeitos muito grande do uso do crack”, percebe Maria Francielze Holanda Lavor.
A experiência afirma: os problemas começam a existir desde o início da gravidez. “No primeiro e no segundo trimestre, ou seja, até o sexto mês de gestação”, aponta a médica, “esse feto vai receber crack não só pelo sangue”. Envolto em um líquido amniótico contaminado pela droga, o feto absorve crack também pela pele em formação. “Os vasos sanguíneos estão muito superficiais. Então, a absorção de crack pela pele do bebê é acentuada. Esse efeito é tanto maior quanto mais baixa é a idade gestacional”, conclui Francielze Lavor. Além dos danos intrauterinos – desnutrição e lesões no sistema nervoso central e nos órgãos -, o crack pode causar nascimentos prematuros (no sétimo ou oitavo mês) ou mesmo levar ao aborto, cogitam especialistas.

“A placenta pode se descolar prematuramente. Pode ter ruptura do útero, dada a fragilidade dos músculos e dos vasos. E alguns casos podem evoluir para um aborto, no começo da gestação”, explica Lavor. As sequelas do uso do crack na gravidez ainda estão sendo diagnosticas por pesquisas dispersas. O psiquiatra Carlos Salgado, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), pondera: “Existe alguma tentativa de caracterizar alterações relacionadas com o crack. Por enquanto, o que tem conseguido se documentar são alterações menores, nada comparado ao (consumo do) álcool”.

Para Carlos Salgado, a associação crack e álcool, “bastante comum”, é mais explosiva. “Essas crianças que nascem com más formações são devidas ao álcool”, ratifica, acrescentando que “se uma pessoa vem usando crack, aumenta o risco genérico de uma gestação mal cuidada. O entorno do uso do crack, o ambiente de maus cuidados é que responde melhor pela criança desnutrida”. Sobrevida e morte (sugestão de intertítulo)

No mundo fora do útero, salve-se quem puder. “A mãe deixa a criança lá e vai usar droga”, relata o psicólogo Osmar Diógenes Parente que, há mais de 20 anos, está ao lado dos dependentes químicos. A “exposição ao risco”, dialoga o médico Alfredo Vieira de Holanda, do Centro de Assistência Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD) da Barra do Ceará, torna-se o cotidiano. “São crianças que já nascem no meio da violência e permanecem. Se tornam órfãos. O maior risco que, hoje, se vê no crack é o risco social”, expõe o médico.

E as crianças vão crescendo sem história, até se tornar estatísticas. Tanto na Meac quanto no Instituto Doutor José Frota (IJF, onde dá plantão na UTI pediátrica), o que chega às mãos da neonatologista Francielze Lavor são indícios de gente. “Normalmente, os filhos de usuárias de crack são bebês que a gente nem tem a história porque as mães nem contam que são usuárias. Temos indícios: aquela mãe muito emagrecida, agitada”, retrata. “Tenho oportunidade de trabalhar com o recém-nascido que é vítima da condição da mãe, da falta de estrutura familiar. Ele vai crescer e, logo, logo, vai estar do outro lado”, sublinha a pediatra da UTI do IJF. Da idade da inocência para o tempo de delinquência. “Recebemos os frutos dessa violência. A gente vê adolescentes e crianças, cada vez mais usuários, atingidos por acerto de contas. Dia desses, chegou um adolescente com 12 a 15 perfurações por bala. É uma execução, num menino de 15 anos”, lamenta.

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SAIBA MAIS

O médico Alfredo Holanda atende de 12 a 17 pacientes, por turno, no Centro de Assistência Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD) da Barra do Ceará. A maior parte, homens.

Vigilantes, pescadores, profissionais da construção civil e até policiais têm mudado o perfil dos dependentes de crack.

“São pessoas que estão trabalhando e têm família. Mas existe um nível de abandono”, revela o médico. “Não era o perfil das drogas. O crack está assumindo a postura como se fosse o álcool. E não tem jogo com o crack. Você pode tomar uma dose de álcool e não ficar viciado. No crack, o primeiro jogo é a queda”, alerta.

Os dependentes que procuram atendimento, presume Holanda, são “um pedaço do iceberg, um pequeno número”. Ele acredita que a proporção de usuárias do crack já se aproxima da metade de dependentes do sexo masculino. Mães já foram suas pacientes no Caps AD.

No Instituto Volta a Vida (Lagoa Redonda), o psicólogo Osmar Parente diz ter “sempre mais de 40 pessoas” em tratamento. Os homens, na faixa etária inferior a 30 anos, são maioria e 20% a 25% dos pacientes são da classe baixa.

Mas, na última década, destaca Parente, o perfil mudou: “Era o usuário pobre. Hoje, tem médicos usando crack. Alcoolista, era aquele pobre coitado, que bebia no botequim. Já internei padre alcoolista, freira. A droga está democratizada”.

10 comentários:

  1. deus que cuida dessa criancas jovens adulto ja passei por isso estou 4 ano sein usar nada gracas a deus

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  2. e como vc se livrou

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  3. foi dificil pra vc deixar de ser um usuario

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    1. Olá, talvez a pessoa não consiga te responder, mas pela minha experiência em tratamento posso te dizer que não é fácil parar de usar droga. A pessoa tem muita vontade de usar no começo (que se chama fissura), mas com a psicoterapia e se houver necessidade com medicamentos, essa fissura vai diminuindo. Recaídas podem acontecer, mas é necessário insistir para ter sucesso e conseguir parar de usar drogas! Boa sorte!

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  4. Nao é facil mesmo, eu nao consigo passar de uma semana

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    1. Vc poderia procurar um CAPS álcool e drogas na região onde mora e iniciar um tratamento, isso irá te ajudar muito. Va a um posto de saúde e se informe. Não desista! Boa sorte!

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  5. em uma gestaçao se a pessoa usa crack e tem uma doença sexualmente transmicivel chamada sifilis,e entra em trabalho de parto aos 6 meses,mais a criaça nasce morta.qual poderia ter cido a causa mair ha doença ou o usa de drogas

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    1. As duas coisas juntas, com certeza potencializaram maior problema para o feto! Pense que aconteceu o melhor, mas que vc pode modificar o seu presente e o seu futuro, para que isso não volte a acontecer novamente. Cuide-se!! Boa sorte querida! Abraço.

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  6. eu achei muito legau essa leitura falando sobre as causas pegirosas durante a gravides

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