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domingo, 11 de agosto de 2013
Uso medicinal da Maconha é aprovado por cientistas
Médico se desculpa por artigo contrário ao uso medicinal da
maconha
Do UOL Em São Paulo 08/08/2013 19h02
O neurocirurgião
americano Sanjay Gupta, chefe dos correspondentes para assuntos médicos da CNN,
divulgou um artigo nesta quinta-feira (8) no site de
notícias da rede em que pede desculpas por ter publicado, em 2009, um artigo
contrário ao uso medicinal da maconha na revista Time.
- Martin Bernetti/AFPO médico, que trabalha em um documentário sobre o uso medicinal da maconha, diz que é irresponsável não oferecer o melhor cuidado aos pacientes com sintomas que podem ser aliviados com o uso da erva
Gupta, que está
trabalhando em um documentário chamado "Weed" ("Erva
Daninha", em português), diz que passou o último ano entrevistando
especialistas, produtores, autoridades e pacientes em diversos países. "O
que eu descobri foi impressionante", relata.
Ele diz que
havia feito uma revisão da literatura científica dos EUA na ocasião em que
escreveu o artigo, intitulado "Por que eu votaria contra a maconha".
Mas admite que não havia pesquisado o bastante, nem buscado estudos de
qualidade de laboratórios menores, de outros países. Além de ter desprezado o
coro, "legítimo", de pacientes que apresentaram redução significativa
em seus sintomas com o uso da erva.
O neurocirurgião
cita um exemplo comovente de uma menina de 3 anos, Charlotte Figi, do Colorado,
que tinha cerca de 300 convulsões por semana apesar dos medicamentos. Com o uso
da maconha, ela passou a ter apenas duas ou três ao mês. "Tenho visto mais
pacientes como Charlotte, passado tempo com elas, e concluí que é irresponsável
não oferecer o melhor cuidado possível a eles, cuidado esse que pode envolver o
uso da maconha", diz o médico no artigo.
Ele também cita
um estudo recente em que 76% dos médicos responderam que aprovariam a
administração de maconha em mulheres com dores decorrentes do câncer de
mama.
Gupta questiona
o fato de a droga fazer parte da categoria das mais perigosas nos EUA, mais até
que a cocaína. No entanto, ela provoca dependência em cerca de 9% dos usuários,
enquanto que, para a cocaína, a proporção é de 20%, e para o tabaco, de 30%.
Ele acrescenta
que a abstinência da erva não produz sintomas tão graves quanto a do álcool,
que pode até levar à morte. E, apesar de ter procurado muito, ele garante que
não encontrou ninguém que tenha morrido por overdose de maconha. Por outro
lado, uma pessoa morre a cada 19 minutos nos EUA em decorrência do abuso de
remédios prescritos por médicos.
Ele esclarece
que a classificação da maconha foi estabelecida em 1970 pelo médico Roger
Egeberg, então secretário de saúde, não por haver estudos contundentes sobre os
riscos da maconha, mas pelo fato de que não havia estudos, na época, capazes de
avaliá-los. Segundo ele, a maior parte dos trabalhos sobre a droga se destina a
investigar seus efeitos negativos, e não seus eventuais benefícios - ele
analisou mais de 20 mil trabalhos recentes.
A justificativa
para isso, o médico explica, é que não é nada fácil obter autorização, muito
menos conseguir a droga, que é ilegal, para conduzir esse tipo de teste.
"Temos sido terrivelmente e sistematicamente enganados por quase 70 anos
nos Estados Unidos, e peço desculpas por meu próprio papel nisso",
declara. Gupta diz esperar que o artigo, assim como o documentário, sirvam como
correção.
O neurocirurgião
deixa claro, no entanto, que a maconha tem efeitos deletérios à saúde,
especialmente para os jovens, que ainda estão com o cérebro em formação. Ele
cita evidências de que a droga reduz o desempenho em testes de QI e pode
deflagrar psicose em indivíduos com predisposição. "Da mesma maneira que
eu não deixaria meus filhos beberem álcool, eu não permitiria que usassem
maconha até que chegassem à idade adulta", pondera
sábado, 20 de julho de 2013
Vacina anti-cocaína é testada com sucesso
Nova vacina estimula o corpo a
tratar cocaína como intrusa
·
Medicamento testado em primatas não-humanos faz o corpo reagir com
resposta imunitária e ‘come’ a droga como um Pac-Man
O GLOBO Publicado: 13/05/13 - 17h28
NOVA YORK - Uma vacina anticocaína
tem sido usada com sucesso em primatas não-humanos e está a um passo da
aprovação para uso em terapias de dependência química. A vacina (dAd5GNE)
combina elementos de vírus do resfriado comum com o GNE, partícula que imita a
cocaína, e impede a alta de dopamina associada à droga.
- A vacina ‘come’ a cocaína no
sangue como um Pac-Man, antes que a droga chegue ao cérebro - explicou po
residente do departamento de medicina genética da Universidade Médica Weill
Cornell à revista “Wired”. - Com a vacina, mesmo que a pessoa recaia no vício,
a cocaína não surte efeito.
A cocaína funciona se ligando a um
transportador de dopamina, impedindo a reciclagem do hormônio do prazer em duas
áreas do cérebro, que produzem então o efeito da droga. A vacina estimula o
corpo a tratar a cocaína como um intruso e a montar uma resposta imunitária
contra a droga.
De acordo com os resultados do
estudo, primatas não-humanos que receberam a vacina apresentaram níveis bastante reduzidos da ligação de cocaína com o
transmissor da dopamina, cerca de 20% — bem abaixo dos 47% necessários para
‘dar barato’.
Uma vacina anticocaína exigirá doses de reforço nos seres humanos, mas nós ainda não sabemos quantas vezes essas doses de reforço serão necessárias - disse Crystal. - Acredito que para aquelas pessoas que querem desesperadamente quebrar seu vício, uma série de vacinas vai ajudar.
Uma vacina anticocaína exigirá doses de reforço nos seres humanos, mas nós ainda não sabemos quantas vezes essas doses de reforço serão necessárias - disse Crystal. - Acredito que para aquelas pessoas que querem desesperadamente quebrar seu vício, uma série de vacinas vai ajudar.
notaram níveis bastante reduzidos da
ligação de cocaína com o transmissor da dopamina, cerca de 20% — bem abaixo dos
47% necessários para ‘dar barato’.
Comentário: Os efeitos da vacina não modificarão os aspectos psicológicos, portanto, mesmo com a vacina ainda será necessário o tratamento psicoterápico, para que o dependente/usuário não migre para outra droga.
Psicóloga Rosangela
domingo, 30 de junho de 2013
Consumo de cocaína no Brasil, aumentou
Uso de cocaína entre estudantes é quase o dobro do que
na população geral
Carta Capital
UNODC
Segundo relatório, entre estudantes, taxa de prevalência chega a 3%
Contrariando a tendência dos maiores mercados de cocaína, como os Estados Unidos, o Brasil apresentou aumento no consumo da droga nos últimos anos. Segundo o Relatório Mundial sobre Drogas 2013, divulgado nesta quarta-feira 26 pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), o uso da droga entre os estudantes brasileiros chega quase ao dobro da prevalência estimada entre a população geral. “Segundo estudo [de 2010] conduzido entre estudantes em 27 capitais brasileiras, a prevalência anual de uso de cocaína entre eles gira em torno de 3%. A prevalência do uso de cocaína dentre a população geral é estimada em 1,75%, e também é consistente a tendência do aumento de uso da droga no País.” O dado sobre a população geral é uma estimativa feita pela própria UNODC, levando em conta o ritmo de consumo da droga.
UNODC
Segundo relatório, entre estudantes, taxa de prevalência chega a 3%
Contrariando a tendência dos maiores mercados de cocaína, como os Estados Unidos, o Brasil apresentou aumento no consumo da droga nos últimos anos. Segundo o Relatório Mundial sobre Drogas 2013, divulgado nesta quarta-feira 26 pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), o uso da droga entre os estudantes brasileiros chega quase ao dobro da prevalência estimada entre a população geral. “Segundo estudo [de 2010] conduzido entre estudantes em 27 capitais brasileiras, a prevalência anual de uso de cocaína entre eles gira em torno de 3%. A prevalência do uso de cocaína dentre a população geral é estimada em 1,75%, e também é consistente a tendência do aumento de uso da droga no País.” O dado sobre a população geral é uma estimativa feita pela própria UNODC, levando em conta o ritmo de consumo da droga.
De toda a cocaína
apreendida no País em 2011, ressalta o documento, mais da metade veio da
Bolívia (54%), enquanto 38% são originários do Peru, e 7,5%, da Colômbia. O
fato de fazer fronteira com três principais países -fonte de cocaína e de ter
uma população grande contribuíram, segundo o texto, para “níveis significativos
do uso de cocaína e crack”. Além disso, a extensa costa atlântica do país
propicia fácil acesso aos mercados da África e da Europa, fazendo-o desempenhar
um importante papel no mercado de cocaína tanto como destino quanto rota. “O
Brasil é também um ponto de passagem para remessas de cocaína traficadas para
África ocidental, a África Central e Europa, notadamente a Península Ibérica.”
Paralelamente ao
aumento do consumo de cocaína no Brasil, muitos países sul-americanos
registraram estabilidade ou queda. Os dois principais mercados para a cocaína,
a América do Norte e a Europa Ocidental e Central, também mostraram diminuição
do uso de cocaína entre 2010 e 2011. Enquanto a prevalência anual entre a
população adulta diminuiu de 1,3% em 2010 para 1,2% em 2011 na Europa Ocidental
e Central, na América do Norte a queda foi de 1,6% para 1,5%. Na América
Central, lembrou o documento, a concorrência entre traficantes resultou em um
aumento dos níveis de violência.
Assim como o Brasil, a
Austrália também registrou aumento no uso de cocaína, passando de 1% da
população acima de 14 anos em 2004 para 2,1% em 2010. As maiores apreensões de
cocaína do mundo, indica o documento, continuam a ser relatadas na Colômbia
(200 toneladas) e nos Estados Unidos (94 toneladas).
O relatório da UNODC
ressalta ainda que partes do leste e sudeste da Ásia correm, assim como o
Brasil, maior risco de expansão do uso de cocaína. Em Hong Kong, por exemplo,
as apreensões aumentaram dramaticamente para quase 600 kg em 2010, e
ultrapassaram 800 kg em 2011. Enquanto o aumento na Ásia pode estar ligado ao
“glamour associado ao uso da cocaína e à emergência de seções mais ricas da
sociedade”, no caso da América Latina o aumento do consumo “parece estar
relacionado ao fato de que a cocaína está amplamente disponível e é
relativamente barata, por causa da proximidade de países produtores”.
Na América do Norte,
de 2006 a 2011, o uso de cocaína nos Estados Unidos caiu 40%, parcialmente
“devido à menor produção na Colômbia, à intervenção dos órgãos responsáveis
pela aplicação da lei e à violência entre os cartéis”. Já na Oceania, as
apreensões atingiram novos recordes em 2010 e 2011: 1,9 e 1,8 toneladas,
respectivamente, em comparação com 290 kg em 2009. Estima-se que, no total, a
área global destinada ao cultivo de coca seja de 155.600 hectares.
NPS. O documento traz
também como ponto de preocupação do órgão ligado à ONU a velocidade do fenômeno
conhecido como novas substâncias psicoactivas (NSP) – substâncias ou produtos
psicoactivos não regulamentados que tentam imitar os efeitos de drogas
controladas, como mefedrona, BZP, ketamina, MDMA.
“O número de NSP
comunicadas pelos Estados-Membros para o UNODC aumentou de 166 no final de 2009
para 251 em meados de 2012, o que representa um aumento de mais de 50%. Pela
primeira vez, o número de NSP excedeu o total das substâncias controladas
internacionalmente.” O tema mostra-se um assunto de preocupação na área da
saúde pública, segundo o relatório, devido à falta de investigação científica e
conhecimento sobre seus efeitos.
O relatório faz ainda
alerta à combinação de medicamentos e substâncias ilícitas, especialmente ao
abuso de sedativos e tranquilizantes. Dos países cobertos pelo relatório, mais
de 60% classificam tais substâncias entre as três mais usadas indevidamente.
Em relação ao uso de
drogas injetáveis e a consequente contaminação por HIV, o relatório lembra que
dos 14 milhões de pessoas entre 15 e 64 anos que injetam drogas, 1,6 milhões
vivem com o vírus da Aids.
No ano de 2011, o
número de mortes relacionadas a drogas é estimado em 211 mil. O documento
lembra, no entanto, que “as mortes ocorreram entre a população mais jovem de
usuários e, em grande parte, poderia ter sido evitada”.
Ritalina pode ajudar a melhorar função cerebral de viciados, diz pesquisa.
Remédio para déficit de atenção pode combater vício em
cocaína, diz estudo
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Ritalina pode ajudar a
melhorar função cerebral de viciados, diz pesquisa.
Cientistas apontam que
resultados ainda são preliminares.
Do G1, em São Paulo
Caixa de ritalina (Foto: TV
Globo/Reprodução)
Uma pesquisa conduzida por
cientistas americanos sugere que o remédio ritalina, cuja substância ativa é o
cloridrato de metilfenidato, pode ajudar a combater o vício em cocaína e
melhorar as funções cerebrais de pessoas afetadas pelo vício na droga. A
medicação em geral é indicada para tratar transtornos de déficit de atenção,
principalmente em crianças.
Publicada na edição online da
revista científica "Jama Psychiatry" desta semana, a pesquisa foi
realizada por cientistas da Escola de Medicina Icahn do Hospital Monte Sinai,
em Nova York.
O estudo indica que a ritalina
alterou conexões em certas áreas cerebrais que determinam o auto-controle e o
desejo em pessoas viciadas em cocaína. "Administrada oralmente, a
medicação aumenta a dopamina no cérebro de maneira similar à cocaína, mas sem
as propriedades altamente viciantes", disse a professra de psiquiatria
Rita Goldstein ao site do hospital.
Foram recrutados 18 voluntários
viciados em cocaína que receberam doses de ritalina ou de placebo sem que
soubessem quais deles estariam tomando o remédio. Os pesquisadores usaram
ressonância magnética para monitorar conexões em certas regiões cerebrais
conhecidas por atuarem no vício.
A ressonância foi realizada antes e
durante o pico do efeito do medicamento. A gravidade do vício de cada
voluntário também foi levada em conta, para ver se isso teria alguma implicação
nos resultados.
A ritalina diminuiu a atividade
cerebral entre áreas do cérebro que são conhecidas por terem ligação com a
formação do comportamento compulsivo pela busca das drogas e pelo desejo. A
ressonãncia também mostrou que a ritalina fortaleceu as conexões cerebrais
entre regiões envolvidas com o controle das emoções e de certos tipos de
comportamento - ligações cerebrais que em geral são identificadas como
"rompidas" em casos de vício em cocaína.
"Os benefícios da ritalina
foram identificados após a aplicação de apenas uma dose", disse Rita.
"Este é um estudo preliminar, mas as descobertas animam a continuar com
mais pesquisas no tema."
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Usuários de drogas podem ter 10% de vagas em concursos
Usuários de drogas podem ter 10% de vagas em concursos
Tribuna Hoje
Sugestão foi feita
pelo presidente da Comissão de Enfrentamento ao Crack, o deputado estadual
Vanderlei Miranda (PMDB)
O Tempo
Diante da escassez de
investimentos públicos para os tratamentos de usuários de drogas no Estado e da
alta taxa de ocupação das vagas públicas destinadas a esse tipo de abordagem,
Minas poderá adotar uma medida polêmica: reservar 10% das vagas em concursos
públicos no Estado para dependentes químicos.
A sugestão foi feita
pelo presidente da Comissão de Enfrentamento ao Crack, o deputado estadual
Vanderlei Miranda (PMDB), durante o ciclo de debates Um Novo Olhar sobre o
Dependente Químico, encerrado, ontem, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais
(ALMG), na capital. “Fomos muito cobrados de que o poder público não ajuda na
reinserção de usuários de drogas. Sugeri isso ao governo, mas ainda não obtive
resposta para decidirmos o que fazer”, afirmou.
O projeto causa polêmica entre entidades que lidam
com o tratamento de dependentes químicos. Para Robert William, da ONG Defesa
Social, que trabalha com o tratamento de dependentes químicos, o investimento deveria
ser em vagas públicas de tratamento. “Em certo ponto, pode parecer bom
(reservar empregos públicos para usuários de drogas), ajudando o dependente a
se reinserir. Mas o principal é que o Estado invista em vagas públicas de
tratamento”, frisou.
Segundo Cleiton Dutra,
assessor de política de gabinete da Subsecretaria de Política Anti-Drogas, a
reserva de vagas para usuários de drogas em concursos públicos não foi
analisada. “Não tenho conhecimento do assunto, isso deve ser analisado. Mas,
independentemente disso, vamos expandir as vagas públicas futuramente”, disse.
Números
Minas oferece 1.600 vagas de para tratamento de dependentes químicos – 96,34% das quais ocupadas, segundo a sub secretaria de Polícia Anti-Drogas – e pretende chegar a 3.000 mil, mas a expansão não tem data prevista.
Minas oferece 1.600 vagas de para tratamento de dependentes químicos – 96,34% das quais ocupadas, segundo a sub secretaria de Polícia Anti-Drogas – e pretende chegar a 3.000 mil, mas a expansão não tem data prevista.
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Consumo de álcool por vias vaginal e anal preocupa médicos
Consumo de álcool por vias vaginal e anal preocupa médicos
Adolescentes têm assustado pais e médicos com consumo exagerado de álcool
por vias anal, vaginal e até pingando no olho
Aline Lacerda, Terra - 24 de maio 2013
Recentemente, um jovem
americano foi hospitalizado em coma alcoólico depois de introduzir uma grande
quantidade de vinho por meio de um tubo inserido no reto.
Além de consumir bebida via anal, vários jovens no mundo
têm assustado pais e médicos com métodos nada convencionais de se embriagar. Nos Estados Unidos e
Europa, vídeos se espalharam na internet com adolescentes pingando vodca nos olhos,
método chamado por eles de “vodka eyeballing”. Meninas que encharcam absorventes internos de
álcool e os colocam na vagina também tem
parecido uma prática difundida, além de beberem álcool em gel.
Jovens preocupam médicos com consumo de álcool via anal e vaginal (Foto: Getty Images)
Segundo a Dra. Zila
Van Der Meer Sanchez, pesquisadora do Centro Brasileiro de Informações sobre
Drogas Psicotrópicas (CEBRID), da Unifesp, os adolescentes que chegam aos
prontos-socorros alcoolizados usam menos destas práticas no Brasil do que em
outros países, apesar de casos terem sido registrados.
“Os riscos para quem
consome álcool desta maneira são exatamente os mesmos de métodos convencionais.
O que conta é a quantidade de álcool ingerida, porque independente de onde for,
o corpo vai absorver do mesmo jeito”.
O clínico geral do
Hospital das Clínicas, Dr. Arnaldo Lichtenstein, também alerta para o uso cada
vez maior de álcool. “O grande problema é o uso abusivo do álcool, independente
da via”.
No entanto, além do
comportamento extremamente invasivo ao corpo, o ânus, por exemplo, tem mais
terminações nervosas e mucosas mais expostas, o que causa uma absorção mais rápida e compromete a percepção da quantidade
ingerida.
“Se for tomando de
pouquinho em pouquinho, a pessoa vai sentindo e consegue identificar mais fácil
a hora de parar. Mas, mesmo assim, depois de parar ainda há uma grande
quantidade de álcool no estômago para ser metabolizado e, neste ponto é comum
as pessoas passarem mal, vomitarem e colocarem para fora o que ainda não foi
absorvido. No entanto, nestes casos de consumo por outras vias, a substância
vai ficar ali até ser completamente absorvida”, informou.
Além do estômago e
intestino, o álcool é mais rapidamente absorvido pelas mucosas do corpo, desde
a boca até o ânus e a vagina. “A absorção é muito grande pelas mucosas. Se você
bebe uma taça de vinho e demora uma hora ou duas para ser processado, o
consumo pela mucosa leva minutos”, explicou o Dr. Arnaldo
Lichtenstein.
“O problema é que o
álcool é irritante. Do mesmo modo que irrita o estômago, vai irritar o olho e
causar uma conjuntivite, no ânus e na vagina vai acontecer a mesma coisa e pode
gerar problema sérios a curto, médio e longo prazo”, esclareceu o clínico do
HC.
Os adolescentes que
bebem álcool em gel podem ter reflexos no fígado. “Você vai sobrecarregar seu
fígado com as substâncias que têm no produto, além do álcool. Pode intoxicar e
vai retardar o metabolismo”, informou a Dra. Zila Van Der Meer.
Vale ainda esclarecer
que a exceção é pingar bebida no
olho, prática que não tem efeito nenhum. “Esta história de
pingar nos olhos, teria que ser um caminhão de álcool para deixar bêbado. Nesta
região não tem nenhuma relação fazer isto”, comentou a especialista.
Em relação ao consumo
via anal, ela esclareceu ainda: “pode dar uma concepção de violência sexual.
Vai além do álcool, pode ter caráter de uma agressão sexual”.
O Dr. Arnaldo
Lichtenstein ressaltou que a procura pelo prazer sexual também vem junto nestas
práticas. “Isto é a busca pelo prazer mais rápido que está sendo misturado com
sexualidade. São duas grandes sensações de busca de prazer”, explicou .
Ele alertou ainda que
estas práticas não muito comuns acontecem há bastante tempo, mas o que mais
preocupa é a quantidade exagerada de álcool que tem sido colocado em questão.
“Esta busca desenfreada por sensações de euforia e anestesia é muito
preocupante. Alguns pacientes falam em anestesia e usam estes meios mais
rápidos para conseguir não só a desinibição que o álcool produz”, concluiu.
terça-feira, 7 de maio de 2013
Bolsa Crack no valor mensal de R$ 1.350 para dependentes químicos de SP
São
Paulo vai dar auxílio mensal de R$ 1.350 para dependentes químicos
Programa está em
fase de finalização no governo paulista e prevê a bolsa para famílias de
viciados
ALBERTO BOMBIG Revista Época – 07.05.2013
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), está prestes a concluir um
novo pacote de ações para combater a violência e o avanço das drogas no
Estado. Entre as principais medidas estará a transferência direta de dinheiro
para a recuperação de dependentes de crack e o incremento de 6.500
policiais no patrulhamento das ruas. O programa será batizado de Cartão
Recomeço e a transferência de renda deverá ser feita por meio de um cartão
similar aos utilizados no sistema bancário.
A ação de combate às
drogas será semelhante à adotada pelo governo tucano de Minas Gerais, o Cartão Aliança pela
Vida. Iniciativas como essa ganharam o apelido de “bolsa crack” ou “cartão
crack”. O cartão tornará disponível a quantia de R$ 1.350 mensais para as
famílias dos dependentes (em Minas o valor é de R$ 900) e esse dinheiro só
poderá ser utilizado no tratamento dos dependentes porque será repassado
diretamente para as clínicas de reabilitação. No total, até 3 mil famílias
poderão ser beneficiadas em todo o Estado São Paulo. Todos os detalhes do
programa serão apresentados na quinta-feira pelo governo Geraldo Alckmin.
Usuários de crack são recolhidos, voluntariamente, nas ruas
de São Paulo por uma organização que tem convênio com o Governo do Estado
(Foto: Marcelo Camargo/ABr)
Os detalhes finais do
programa estão sendo preparados pela Secretaria de Desenvolvimento Social,
comandada por Rodrigo Garcia. Como contrapartida, o dinheiro terá de ser
utilizado pelas famílias em ações que envolvam e complementem o tratamento dos
dependentes.
Pesquisa realizada
pelo Instituto Datafolha e divulgada na semana passada mostrou que 45% dos
paulistanos apontam o envolvimento de jovens da família com tóxicos como seu
maior medo, seguido do temor da violência urbana. No começo deste ano, o
governo paulista deu início à internação compulsória dos viciados em crack, que também foi respaldada
pela população conforme outra pesquisa. O Cartão Recomeço será, segundo o
Palácio dos Bandeirantes, uma medida complementar ao programa de internação.
Ambos devem fazer parte do “atendimento diferenciado aos dependentes químicos”,
uma das bandeiras do governador.
No final do ano passado,
a prefeitura do Rio de Janeiro também anunciou o lançamento da ajuda
financeira a dependentes, mas a iniciativa até agora não foi colocada em
prática.
Policiamento
No âmbito do combate à
violência, o pacote, também a ser anunciado nos próximos dias, vai colocar nas
ruas cerca de 6.500 policiais a mais – 5.000 da Polícia Militar e 1.500 da
Polícia Civil. O modelo a ser utilizado para o aumento do efetivo no
patrulhamento será o da Operação Delegada, que já existe e prevê parcerias do
Estado com as prefeituras e ficou conhecido como “bico legalizado” porque
permite aos PMs desempenharem funções de atribuição do município nos dias de
folgas.
A ideia em curso no
Palácio dos Bandeirantes é criar uma Operação Delegada em que o próprio Estado
pague para os policiais trabalharem em suas horas de folga sem precisar da
parceria com as prefeituras.
sábado, 27 de abril de 2013
Nova droga sintética: metanfetamina
Nova droga sintética chega às baladas do Vale
Delegado alerta: antes
restrita à capital, metanfetamina já é achada em casas noturnas da região
Agência O Vale
Agência O Vale
Globos espelhados, luzes coloridas e pista de dança lotada. A euforia toma conta das casas noturnas frequentadas pela nata da sociedade. Mas a festa das classes A e B foi invadida por uma nova droga, com um altíssimo poder de destruição: a metanfetamina.
A substância, tão ou mais devastadora do que o crack, já circula em boates
do Vale do Paraíba. O delegado do Denarc (Departamento de Investigações sobre
Narcóticos), Reinaldo Correa, explica que a novidade chegou este ano à região.
Antes, ficava restrita às baladas da capital paulista.
O alto custo da droga -- que varia entre R$ 70 e R$ 200, deixa o produto
restrito aos jovens de alto poder aquisitivo. Vendida em formato de comprimido,
pó ou até mesmo pedra, ela apresenta um grande potencial de dependência química.
Euforia/ O efeito provocado pela metanfetamina chega a durar 20 horas no
usuário.
"A droga causa a mesma sensação do ecstasy, que é uma droga
sintética. Quem experimenta a metanfetamina fica eufórico, sem cansaço, com a
autoestima lá em cima e com muito apetite sexual. Depois que o efeito passa,
vem um grande sentimento de depressão", disse o delegado.
Segundo ele, o uso crônico nova droga torna o usuário mais violento,
principalmente quando têm delírios, semelhantes às paranóias apresentadas pelos
usuários de crack.
A metanfetamina era usada para tratar problemas de déficit de atenção até
julho do ano passado, quando se tornou proibida pela Anvisa (Agência Nacional
de Vigilância Sanitária). Fruto do seu mau uso na noite paulistana.
O médico Marcelo Ribeiro, especialista em dependência química, explica que
o consumo pode levar ao suicídio em casos extremos. Ele desenvolveu um estudo
sobre esse tipo de anfetamina.
Social/ "Pessoas que querem melhorar o desempenho social usam
anfetaminas", disse. "A tentativa de abandonar ou diminuir o uso
resulta em depressão. O uso crônico torna a pessoa distante da realidade. Pode
haver suicídio decorrente do uso ou da depressão."
Traficante é rico, jovem e popular
Jovem, rico e popular entre os frequentadores de balada. Este é o perfil
do traficante de metanfetamina, segundo o delegado do Denarc, Reinado Correa.
De acordo com ele, o vendedor da droga costuma ser 'playboy' --gíria usada para
o rapaz que tem dinheiro e anda com roupas da moda.
O delegado ainda destaca que prendê-lo nem sempre é uma tarefa fácil para
a polícia.
"Essas drogas são vendidas no interior da balada, que é um lugar
muito escuro e de difícil acesso. Para conseguir encontrar metanfetamina, os policiais
precisariam entrar na casa noturna, pedir para acender as luzes e ir
procurando. Quem vai permitir que isso aconteça?", perguntou o delegado.
Por conta dessas dificuldades, a polícia não registrou apreensões da droga na região nos últimos meses.
Por conta dessas dificuldades, a polícia não registrou apreensões da droga na região nos últimos meses.
Polícia/ Houve apenas apreensão de ecstasy, uma droga parecida. Em outubro
do ano passado, por exemplo, a Polícia Militar fechou um laboratório do tráfico
no Residencial Righi, zona leste de São José dos Campos. No local havia 310
comprimidos de ecstasy.
EFEITOS DA DROGA
Depressão
A droga, que no início causa euforia, provoca depressão no usuário logo após o efeito da substância química passar.
A droga, que no início causa euforia, provoca depressão no usuário logo após o efeito da substância química passar.
Violência
O uso crônico torna o usuário mais violento, principalmente quando têm delírios, semelhantes às paranoias apresentadas pelos usuários de crack.
O uso crônico torna o usuário mais violento, principalmente quando têm delírios, semelhantes às paranoias apresentadas pelos usuários de crack.
Aparência
O uso crônico torna a pessoa distante da realidade, irritada e impulsiva, descuidada da aparência es compromissos.
O uso crônico torna a pessoa distante da realidade, irritada e impulsiva, descuidada da aparência es compromissos.
Corpo
Feridas e cicatrizes começam a aparecer. A droga tira o apetite, o que leva o viciado à desnutrição. O dente perde o esmalte e a gengiva fica destruída
Feridas e cicatrizes começam a aparecer. A droga tira o apetite, o que leva o viciado à desnutrição. O dente perde o esmalte e a gengiva fica destruída
Redução de danos para usuários de crack gera polêmica em BH
Redução de danos para usuários de crack gera polêmica
na capital
Jornal O Estado de Minas
Programa da PBH que incentiva consumo de drogas como álcool e tabaco em substituição à pedra surpreende o próprio prefeito, que no entanto diz que política tem base científica
Sandra Kiefer
A política de
enfrentamento ao uso do crack executada pela Prefeitura de Belo Horizonte, com
o incentivo à substituição da pedra por drogas lícitas, causou surpresa ao
próprio prefeito Marcio Lacerda (PSB). Como revelou o Estado de Minas em sua
edição de quinta-feira, a capital mineira põe em prática o modelo de redução de
danos preconizado pelo Ministério da Saúde, que incentiva a substituição do
crack por drogas mais leves, como opiáceos, álcool, tabaco e remédios
controlados, até que o usuário consiga atingir a abstinência.
Perguntado em entrevista à Rádio Itatiaia sobre a iniciativa, e se havia
ficado sabendo de detalhes da política de redução de danos por meio do jornal,
Lacerda respondeu: “Realmente, não conheço”. Mesmo assim, o prefeito defendeu o
programa, ao afirmar que “existem teses de medicina e trabalhos científicos que
demonstram que as pessoas com dependência química podem ser tratadas usando
drogas menos nocivas, enquanto não se livram totalmente (do vício do crack)”.
O tema da redução de danos é citado duas vezes no Projeto Recomeço, parte
do programa de governo para a reeleição de Marcio Lacerda, no ano passado. Em
resposta ao EM, por e-mail, o prefeito informou que a redução de danos é apenas
um dos pontos do projeto, que tem como objetivo “envolver os vários setores do
poder público e da sociedade no enfrentamento ao uso de drogas, buscando ações de
tratamento, de prevenção, de reinserção social e de redução de danos, tendo
como base a atual política sobre drogas.”
Segundo o prefeito, o combate ao crack é tratado como assunto prioritário
em sua gestão. Prova disso, afirma, é a inauguração do Centro de Referência de
Saúde Mental – Álcool e Drogas (Cersam–AD) do Barreiro, prevista para hoje.
“Isso mostra que estamos trabalhando para ampliar a prevenção e ofertar um
atendimento mais próximo e humanizado.” A unidade é uma das três do tipo
prometidas para a capital mineira dentro do Projeto Recomeço. A abertura do
Cersam Noroeste, nas proximidades da cracolândia do Bairro Lagoinha, está
prevista para junho.
A Secretaria Municipal de Saúde informou em nota que dentro das ações de
assistência aos usuários de álcool e outras drogas não são fornecidas na rede
de Belo Horizonte drogas ilícitas, como maconha, nem bebidas alcoólicas e
cigarros, apenas substâncias com orientação médica.
Audiência pública
Na próxima semana, Lacerda e o secretário municipal de Saúde, Marcelo
Teixeira, devem comparecer a audiência pública perante a Comissão Permanente de
Enfrentamento do Crack da Assembleia Legislativa de Minas, para esclarecer o
funcionamento do programa de redução de danos. O encontro foi convocado a
pedido de representantes do terceiro setor que, entre outras informações,
querem mais explicações sobre a política de distribuição de drogas lícitas para
usuários de crack da capital, o montante já aplicado da verba do governo
federal no setor e o número de usuários da pedra que perambulam pelas ruas da
capital.
Entraves nas comunidades terapêuticas
Uma das respostas mais objetivas para o impasse poderia vir das
comunidades terapêuticas, entidades ligadas às igrejas que sempre acolheram
“viciados em drogas” em fazendas, sítios e centros de recuperação. A proposta
da inclusão das entidades na política de combate ao crack é discutida à
exaustão desde 2011. Até hoje, porém, não foi aberta uma única vaga nas comunidades
terapêuticas no país dentro do programa Crack: é possível vencer.
Em novembro de 2012, quase um ano e meio depois da reunião com a
presidente Dilma Rousseff, que defendeu a causa, saiu o edital de convocação
das entidades pela Secretaria Nacional de Política sobre Drogas (Senad), do
Ministério da Justiça. Dava dois meses de prazo, até janeiro deste ano, para
que as entidades se inscrevessem. O tratamento, custeado com recursos federais,
iria durar de 45 dias a nove meses, dependendo do caso. Cada usuário de crack
fora das ruas custaria R$ 1 mil por mês.
Em janeiro esgotaram-se os prazos para inscrição, pré-habilitação,
habilitação e aprovação do contrato das comunidades terapêuticas. Mais de 400
entidades se inscreveram. Dois meses já se passaram e a Senad não conseguiu
avançar da segunda etapa (pré-habilitação). “Se continuar nesta toada, com a
divulgação de 10 nomes por mês, vai levar mais um ano e meio até acabarem as
habilitações e o governo começar a repassar os recursos. Enquanto isso, as
pessoas vão continuar nas ruas?”, questiona o pastor Wellington Vieira,
presidente da Federação de Comunidades Terapêuticas Evangélicas do Brasil
(Feteb).
Processos
Vieira calcula que existam hoje cerca de 300 entidades nestes moldes em
Minas, cuidando de 9 mil usuários de drogas (30 pessoas por entidade, em
média). Ao todo, respondem por 80% das pessoas em tratamento. O pastor esteve
em Brasília para acompanhar o andamento dos processos na companhia de Ana
Godoy, presidente da Federação das Comunidades Terapêuticas Católicas e
coordenadora da Pastoral da Sobriedade. “Realmente o processo está muito lento,
mas tenho esperança de que, ainda este ano, saia alguma verba.”
O Ministério da Justiça garante que até junho a maior parte das análises
terão sido concluídas. O órgão alega que quase 100% das documentações
encaminhadas estavam incompletas, o que dificultou o trabalho. Das 253
inscrições de entidades, 55 tiveram a documentação analisada, 42 foram
habilitadas e oito aprovadas. De Minas, três estão habilitadas e apenas uma
aprovada: a Associação de Apoio e Recuperação de Dependentes Químicos de
Itaúna, na Região Central.
SAMU fará resgate de usuário de crack em SP
Parceria prevê que Samu faça resgate de usuário de
crack em SP
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Convênio entre
Prefeitura e Estado pretende ampliar combate à droga.
Número de unidades de
acolhimento para usuários também deve crescer.
Márcio Pinho Do G1 São Paulo
Uma parceria que será anunciada nesta sexta-feira (26) pelo governo do
estado e a Prefeitura de São Paulo irá ampliar o programa do combate ao crack
na capital paulista. O Programa Recomeço, que auxilia usuários da drogas e seus
familiares, vai contar agora com equipes do Serviço Móvel de Urgência (Samu)
preparadas para o atendimento psiquiátrico de urgência.
Também está prevista a ampliação do número de Centros de Atenção
Psicossocial – Álcool e Drogas (Caps Ad). Dez novas unidades do serviço
ambulatorial 24 horas para usuários de drogas devem começar a funcionar ainda
este ano. Outras 20 unidades que atualmente funcionam apenas durante o dia
terão o horário ampliado.
Os Caps Ad ficarão responsáveis por receber os pacientes, identificar o
quadro clínico do usuário e apontar a necessidade de tratamento para os
dependentes químicos. Esses centros também poderão receber os familiares dos
usuários, mesmo dos que não estiverem presentes e em tratamento. Agentes
comunitários e de proteção social irão abordar os usuários de crack moradores
de rua, na tentativa de encaminhá-los para um serviço de saúde adequado.
Há cerca de um ano, a Prefeitura de São Paulo e o governo estadual
intensificarem as ações contra o crack no Centro da capital paulista, na
chamada Cracolândia. O Programa de Enfrentamento ao Crack na cidade foi lançado
em janeiro pelo governador Geraldo Alckmin.
Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo mostrou que o Brasil é o
maior mercado mundial do crack, onde 2% da população faz uso da droga, número
equivalente a quase 3 milhões de pessoas. De acordo com o estudo, o Sudeste
concentra 46% dos usuários.
Droga vendida pela internet
O e-commerce e o narcotráfico
Jornal Folha de S.
Paulo - MIKE POWER - DO "GUARDIAN"
Z. Klein/BBC Brasil
- Plantação de maconha da empresa Tikkun Olam, sediada em Israel
Muita gente deve ter
ficado alarmada, surpresa ou intrigada com a notícia, incluída na edição deste
ano da Pesquisa Global Sobre Drogas, de que o tráfico de entorpecentes pela
internet está em ascensão. Mas a primeira coisa vendida e comprada pela
internet foi um saquinho de maconha há mais de 40 anos.
Em um livro de 2005 chamado "What the Dormouse Said: How the Sixties
Counterculture Shaped the Personal Computer Industry" [O que disse o
arganaz: como a contracultura dos anos 60 moldou a indústria dos computadores
pessoais] --até o título é de uma velha faixa do Jefferson Airplane--, John
Markoff revela que a primeira transação on-line do mundo foi uma venda de
entorpecentes.
Em 1971 ou 72, alunos de Stanford usando contas da Arpanet no Laboratório
de Inteligência Artificial da Universidade Stanford participaram de uma
transação comercial com seus colegas do Instituto de Tecnologia de
Massachusetts (MIT). Antes da Amazon, antes do eBay, o ato seminal do
e-commerce foi uma venda de entorpecentes. Os alunos usaram a rede para
discretamente combinar a venda de uma quantidade não determinada de maconha.
Desde então tem sido, como diria o Grateful Dead, uma viagem longa e
esquisita, e os usuários de drogas vêm se mantendo, com a ajuda da química, da
neurofarmacologia e das telecomunicações, vários passos à frente da lei.
Nas décadas de 1970, 80 e 90, drogas de todos os tipos, legais ou não, já
eram vendidas on-line. Em 2013, algumas pessoas se perguntam: por que violar as
leis se você pode simplesmente encomendar a um laboratório chinês que sintetize
uma maconha artificial (tecnicamente, um agonista dos receptores canabinoides)
que já demonstrou, em condições laboratoriais, ter alguns dos mesmos efeitos da
maconha? A lei tem tido dificuldades para acompanhar isso.
A pergunta também está sendo feita por negociantes inescrupulosos, que
alegremente importam e vendem esses compostos raros, não testados e de pureza
incerta, os dissolvem em acetona e os aspergem sobre um suporte vegetal inerte,
que eles vendem pela internet a qualquer um que tenha um cartão de crédito.
Eles têm pouca consideração pelos consumidores dessas drogas não testadas, que
nem sequer foram concebidas para serem drogas. Elas podem causar náuseas,
hipertensão e até danos renais.
No ano passado, pesquisadores descobriram 73 novas drogas no mercado,
vendidas por quase 700 sites na Europa. Mas o que são elas? A maioria das
pessoas com mais de 30 anos se lembra de quando o cardápio de drogas se
limitava a maconha, LSD, anfetaminas, cocaína e heroína. Hoje, a farmacopeia é
incrivelmente nova, e em muitos casos legal.
Basta examinar as leis antidrogas, me disse um químico clandestino, para
notar que é brincadeira de criança burlar as restrições e criar uma droga
legal, que seja quimicamente semelhante a uma substância vetada, mas que não
seja ela mesma proibida. Ainda mais fácil é examinar pesquisas médicas
publicadas em busca de qualquer coisa que indique atividade locomotora
ampliada, ou atividade dos receptores de serotonina ou dopamina, já que isso
provavelmente funcionará, de uma forma ou outra, como uma droga.
E se só tiver sido testado em ratos, quem se importa? Os jovens estão
fazendo fila para serem cobaias.
Dos 73 novos compostos químicos descobertos no ano passado, 50 eram
agonistas dos receptores canabinoides, frequentemente desenvolvidos para o uso
em pesquisas farmacêuticas legítimas, conhecidos como teste de "relação
estrutura-atividade". O sistema canabinoide endógeno tem profundos efeitos
sobre o humor, o apetite, a pressão arterial e muitas outras funções essenciais.
Empresas como a Stirling Winthrop e os laboratórios de John William
Huffman na Universidade Clemson, nos EUA, já produziram centenas dessas drogas
como parte das suas pesquisas legítimas sobre anti-inflamatórios não
esteroides. Mas elas escaparam para os mercados cinzentos em 2008, e um pânico
moral teve início --assegurando a difusão do seu uso.
O primeiro lote de leis proibindo novos agonistas dos receptores
canabinoides surgiu em 2010, quando a febre da mefedrona (também conhecida como
M-cat ou miau-miau) estava no auge. Cerca de 170 deles foram banidos em uma
legislação tecnicamente complexa, que proíbe famílias inteiras de compostos
químicos e que cerca seus substitutos. Mesmo a legislação mais recente, em
fevereiro, não impediu as inovações na verdade, as estimulou. Assim que uma
leva era proibida, dezenas de outras apareciam sendo vendidas, no mesmíssimo
dia.
Hoje, o número de novas drogas disponíveis está se acelerando em tal ritmo
que a polícia e os toxicologistas já não conseguem nem identificar o que são
elas, pois não há amostras de referência disponíveis com as quais compará-las.
E, em toda a internet, há milhões de operações de narcotráfico acontecendo.
Como disse William Gibson: "O futuro já está aí só não é distribuído
muito equitativamente".
Tradução de RODRIGO LEITE.
Saúde libera R$ 50 milhões para construção de Caps em todo o país
Saúde libera R$ 50 milhões para
construção de Caps em todo o país
Fonte: Agência
Brasil / Paula Laboissière / Edição: Denise Griesinger
Brasília
Brasília – O Ministério da Saúde anunciou, dia 23 de abril, a liberação de
R$ 50 milhões para a construção de centros de Atenção Psicossocial (Caps) em
todo o país. Segundo a pasta, serão priorizados os serviços de atendimento 24
horas a dependentes de álcool e drogas e as unidades de Acolhimento.
A orientação do governo é para que
os gestores interessados em construir um Caps ou uma Unidade de Acolhimento
(UA) acessem a Portaria 615, publicada na semana passada, para dar início ao
processo. O valor dos incentivos para financiamento varia de acordo com o tipo
de estabelecimento (de R$ 500 mil e R$ 1 milhão).
De acordo com o Ministério da Saúde,
esta é a primeira vez que o governo federal repassa recursos para a construção
desses serviços. Antes, a edificação ou aluguel dos espaços cabia ao município,
o que dificultava a expansão da rede, muitas vezes por falta de locais
adequados.
Dados do ministério, dão conta de
que existem hoje 1.891 Caps em funcionamento, com o objetivo de oferecer
atendimento à população, realizar o acompanhamento clínico e a reinserção
social de usuários pelo acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis
e fortalecimento dos laços familiares e comunitários.
Já 60 as unidades de Acolhimento
foram instituídas para oferecer atendimento voluntário e cuidados contínuos
para pessoas com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras
drogas, em situação de vulnerabilidade social e familiar e que demandem
acompanhamento terapêutico e proteção em rede.
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