domingo, 11 de agosto de 2013

Como escolher uma boa Psicóloga (o)?


Conselho do mestre Gaiarsa de como escolher uma boa psicóloga!




Uso medicinal da Maconha é aprovado por cientistas

Médico se desculpa por artigo contrário ao uso medicinal da maconha 
Do UOL Em São Paulo  08/08/2013 19h02

O neurocirurgião americano Sanjay Gupta, chefe dos correspondentes para assuntos médicos da CNN, divulgou um artigo nesta quinta-feira (8) no site de notícias da rede em que pede desculpas por ter publicado, em 2009, um artigo contrário ao uso medicinal da maconha na revista Time.
  • Martin Bernetti/AFP
    O médico, que trabalha em um documentário sobre o uso medicinal da maconha, diz que é irresponsável não oferecer o melhor cuidado aos pacientes com sintomas que podem ser aliviados com o uso da erva
    O médico, que trabalha em um documentário sobre o uso medicinal da maconha, diz que é irresponsável não oferecer o melhor cuidado aos pacientes com sintomas que podem ser aliviados com o uso da erva
Gupta, que está trabalhando em um documentário chamado "Weed" ("Erva Daninha", em português), diz que passou o último ano entrevistando especialistas, produtores, autoridades e pacientes em diversos países. "O que eu descobri foi impressionante", relata.

Ele diz que havia feito uma revisão da literatura científica dos EUA na ocasião em que escreveu o artigo, intitulado "Por que eu votaria contra a maconha". Mas admite que não havia pesquisado o bastante, nem buscado estudos de qualidade de laboratórios menores, de outros países. Além de ter desprezado o coro, "legítimo", de pacientes que apresentaram redução significativa em seus sintomas com o uso da erva.

O neurocirurgião cita um exemplo comovente de uma menina de 3 anos, Charlotte Figi, do Colorado, que tinha cerca de 300 convulsões por semana apesar dos medicamentos. Com o uso da maconha, ela passou a ter apenas duas ou três ao mês. "Tenho visto mais pacientes como Charlotte, passado tempo com elas, e concluí que é irresponsável não oferecer o melhor cuidado possível a eles, cuidado esse que pode envolver o uso da maconha", diz o médico no artigo.

Ele também cita um estudo recente em que 76% dos médicos responderam que aprovariam a administração de maconha em mulheres com dores decorrentes do câncer de mama. 

Gupta questiona o fato de a droga fazer parte da categoria das mais perigosas nos EUA, mais até que a cocaína. No entanto, ela provoca dependência em cerca de 9% dos usuários, enquanto que, para a cocaína, a proporção é de 20%, e para o tabaco, de 30%.

Ele acrescenta que a abstinência da erva não produz sintomas tão graves quanto a do álcool, que pode até levar à morte. E, apesar de ter procurado muito, ele garante que não encontrou ninguém que tenha morrido por overdose de maconha. Por outro lado, uma pessoa morre a cada 19 minutos nos EUA em decorrência do abuso de remédios prescritos por médicos.

Ele esclarece que a classificação da maconha foi estabelecida em 1970 pelo médico Roger Egeberg, então secretário de saúde, não por haver estudos contundentes sobre os riscos da maconha, mas pelo fato de que não havia estudos, na época, capazes de avaliá-los. Segundo ele, a maior parte dos trabalhos sobre a droga se destina a investigar seus efeitos negativos, e não seus eventuais benefícios - ele analisou mais de 20 mil trabalhos recentes.

A justificativa para isso, o médico explica, é que não é nada fácil obter autorização, muito menos conseguir a droga, que é ilegal, para conduzir esse tipo de teste. "Temos sido terrivelmente e sistematicamente enganados por quase 70 anos nos Estados Unidos, e peço desculpas por meu próprio papel nisso", declara. Gupta diz esperar que o artigo, assim como o documentário, sirvam como correção.

O neurocirurgião deixa claro, no entanto, que a maconha tem efeitos deletérios à saúde, especialmente para os jovens, que ainda estão com o cérebro em formação. Ele cita evidências de que a droga reduz o desempenho em testes de QI e pode deflagrar psicose em indivíduos com predisposição. "Da mesma maneira que eu não deixaria meus filhos beberem álcool, eu não permitiria que usassem maconha até que chegassem à idade adulta", pondera

sábado, 20 de julho de 2013

Vacina anti-cocaína é testada com sucesso

Nova vacina estimula o corpo a tratar cocaína como intrusa

·         Medicamento testado em primatas não-humanos faz o corpo reagir com resposta imunitária e ‘come’ a droga como um Pac-Man

O GLOBO Publicado: 13/05/13 - 17h28

NOVA YORK - Uma vacina anticocaína tem sido usada com sucesso em primatas não-humanos e está a um passo da aprovação para uso em terapias de dependência química. A vacina (dAd5GNE) combina elementos de vírus do resfriado comum com o GNE, partícula que imita a cocaína, e impede a alta de dopamina associada à droga.

- A vacina ‘come’ a cocaína no sangue como um Pac-Man, antes que a droga chegue ao cérebro - explicou po residente do departamento de medicina genética da Universidade Médica Weill Cornell à revista “Wired”. - Com a vacina, mesmo que a pessoa recaia no vício, a cocaína não surte efeito.

A cocaína funciona se ligando a um transportador de dopamina, impedindo a reciclagem do hormônio do prazer em duas áreas do cérebro, que produzem então o efeito da droga. A vacina estimula o corpo a tratar a cocaína como um intruso e a montar uma resposta imunitária contra a droga.

De acordo com os resultados do estudo, primatas não-humanos que receberam a vacina apresentaram níveis bastante reduzidos da ligação de cocaína com o transmissor da dopamina, cerca de 20% — bem abaixo dos 47% necessários para ‘dar barato’.

Uma vacina anticocaína exigirá doses de reforço nos seres humanos, mas nós ainda não sabemos quantas vezes essas doses de reforço serão necessárias - disse Crystal. - Acredito que para aquelas pessoas que querem desesperadamente quebrar seu vício, uma série de vacinas vai ajudar.

notaram níveis bastante reduzidos da ligação de cocaína com o transmissor da dopamina, cerca de 20% — bem abaixo dos 47% necessários para ‘dar barato’.

Comentário: Os efeitos da vacina não modificarão os aspectos psicológicos, portanto, mesmo com a vacina ainda será necessário o tratamento psicoterápico, para que o dependente/usuário não migre para outra droga.
Psicóloga Rosangela

domingo, 30 de junho de 2013

Consumo de cocaína no Brasil, aumentou

Uso de cocaína entre estudantes é quase o dobro do que na população geral

Carta Capital

UNODC

Segundo relatório, entre estudantes, taxa de prevalência chega a 3%
 Contrariando a tendência dos maiores mercados de cocaína, como os Estados Unidos, o Brasil apresentou aumento no consumo da droga nos últimos anos. Segundo o Relatório Mundial sobre Drogas 2013, divulgado nesta quarta-feira 26 pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), o uso da droga entre os estudantes brasileiros chega quase ao dobro da prevalência estimada entre a população geral. “Segundo estudo [de 2010] conduzido entre estudantes em 27 capitais brasileiras, a prevalência anual de uso de cocaína entre eles gira em torno de 3%. A prevalência do uso de cocaína dentre a população geral é estimada em 1,75%, e também é consistente a tendência do aumento de uso da droga no País.” O dado sobre a população geral é uma estimativa feita pela própria UNODC, levando em conta o ritmo de consumo da droga.
De toda a cocaína apreendida no País em 2011, ressalta o documento, mais da metade veio da Bolívia (54%), enquanto 38% são originários do Peru, e 7,5%, da Colômbia. O fato de fazer fronteira com três principais países -fonte de cocaína e de ter uma população grande contribuíram, segundo o texto, para “níveis significativos do uso de cocaína e crack”. Além disso, a extensa costa atlântica do país propicia fácil acesso aos mercados da África e da Europa, fazendo-o desempenhar um importante papel no mercado de cocaína tanto como destino quanto rota. “O Brasil é também um ponto de passagem para remessas de cocaína traficadas para África ocidental, a África Central e Europa, notadamente a Península Ibérica.”
Paralelamente ao aumento do consumo de cocaína no Brasil, muitos países sul-americanos registraram estabilidade ou queda. Os dois principais mercados para a cocaína, a América do Norte e a Europa Ocidental e Central, também mostraram diminuição do uso de cocaína entre 2010 e 2011. Enquanto a prevalência anual entre a população adulta diminuiu de 1,3% em 2010 para 1,2% em 2011 na Europa Ocidental e Central, na América do Norte a queda foi de 1,6% para 1,5%. Na América Central, lembrou o documento, a concorrência entre traficantes resultou em um aumento dos níveis de violência.
Assim como o Brasil, a Austrália também registrou aumento no uso de cocaína, passando de 1% da população acima de 14 anos em 2004 para 2,1% em 2010. As maiores apreensões de cocaína do mundo, indica o documento, continuam a ser relatadas na Colômbia (200 toneladas) e nos Estados Unidos (94 toneladas).
O relatório da UNODC ressalta ainda que partes do leste e sudeste da Ásia correm, assim como o Brasil, maior risco de expansão do uso de cocaína. Em Hong Kong, por exemplo, as apreensões aumentaram dramaticamente para quase 600 kg em 2010, e ultrapassaram 800 kg em 2011. Enquanto o aumento na Ásia pode estar ligado ao “glamour associado ao uso da cocaína e à emergência de seções mais ricas da sociedade”, no caso da América Latina o aumento do consumo “parece estar relacionado ao fato de que a cocaína está amplamente disponível e é relativamente barata, por causa da proximidade de países produtores”.
Na América do Norte, de 2006 a 2011, o uso de cocaína nos Estados Unidos caiu 40%, parcialmente “devido à menor produção na Colômbia, à intervenção dos órgãos responsáveis pela aplicação da lei e à violência entre os cartéis”. Já na Oceania, as apreensões atingiram novos recordes em 2010 e 2011: 1,9 e 1,8 toneladas, respectivamente, em comparação com 290 kg em 2009. Estima-se que, no total, a área global destinada ao cultivo de coca seja de 155.600 hectares.
NPS. O documento traz também como ponto de preocupação do órgão ligado à ONU a velocidade do fenômeno conhecido como novas substâncias psicoactivas (NSP) – substâncias ou produtos psicoactivos não regulamentados que tentam imitar os efeitos de drogas controladas, como mefedrona, BZP, ketamina, MDMA.
“O número de NSP comunicadas pelos Estados-Membros para o UNODC aumentou de 166 no final de 2009 para 251 em meados de 2012, o que representa um aumento de mais de 50%. Pela primeira vez, o número de NSP excedeu o total das substâncias controladas internacionalmente.” O tema mostra-se um assunto de preocupação na área da saúde pública, segundo o relatório, devido à falta de investigação científica e conhecimento sobre seus efeitos.
O relatório faz ainda alerta à combinação de medicamentos e substâncias ilícitas, especialmente ao abuso de sedativos e tranquilizantes. Dos países cobertos pelo relatório, mais de 60% classificam tais substâncias entre as três mais usadas indevidamente.
Em relação ao uso de drogas injetáveis e a consequente contaminação por HIV, o relatório lembra que dos 14 milhões de pessoas entre 15 e 64 anos que injetam drogas, 1,6 milhões vivem com o vírus da Aids.

No ano de 2011, o número de mortes relacionadas a drogas é estimado em 211 mil. O documento lembra, no entanto, que “as mortes ocorreram entre a população mais jovem de usuários e, em grande parte, poderia ter sido evitada”.

Ritalina pode ajudar a melhorar função cerebral de viciados, diz pesquisa.

Remédio para déficit de atenção pode combater vício em cocaína, diz estudo

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·         Ritalina pode ajudar a melhorar função cerebral de viciados, diz pesquisa.
Cientistas apontam que resultados ainda são preliminares.
Do G1, em São Paulo
ritalina
Caixa de ritalina (Foto: TV Globo/Reprodução)
Uma pesquisa conduzida por cientistas americanos sugere que o remédio ritalina, cuja substância ativa é o cloridrato de metilfenidato, pode ajudar a combater o vício em cocaína e melhorar as funções cerebrais de pessoas afetadas pelo vício na droga. A medicação em geral é indicada para tratar transtornos de déficit de atenção, principalmente em crianças.
Publicada na edição online da revista científica "Jama Psychiatry" desta semana, a pesquisa foi realizada por cientistas da Escola de Medicina Icahn do Hospital Monte Sinai, em Nova York.
O estudo indica que a ritalina alterou conexões em certas áreas cerebrais que determinam o auto-controle e o desejo em pessoas viciadas em cocaína. "Administrada oralmente, a medicação aumenta a dopamina no cérebro de maneira similar à cocaína, mas sem as propriedades altamente viciantes", disse a professra de psiquiatria Rita Goldstein ao site do hospital.
Foram recrutados 18 voluntários viciados em cocaína que receberam doses de ritalina ou de placebo sem que soubessem quais deles estariam tomando o remédio. Os pesquisadores usaram ressonância magnética para monitorar conexões em certas regiões cerebrais conhecidas por atuarem no vício.
A ressonância foi realizada antes e durante o pico do efeito do medicamento. A gravidade do vício de cada voluntário também foi levada em conta, para ver se isso teria alguma implicação nos resultados.
A ritalina diminuiu a atividade cerebral entre áreas do cérebro que são conhecidas por terem ligação com a formação do comportamento compulsivo pela busca das drogas e pelo desejo. A ressonãncia também mostrou que a ritalina fortaleceu as conexões cerebrais entre regiões envolvidas com o controle das emoções e de certos tipos de comportamento - ligações cerebrais que em geral são identificadas como "rompidas" em casos de vício em cocaína.
"Os benefícios da ritalina foram identificados após a aplicação de apenas uma dose", disse Rita. "Este é um estudo preliminar, mas as descobertas animam a continuar com mais pesquisas no tema."

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Usuários de drogas podem ter 10% de vagas em concursos

Usuários de drogas podem ter 10% de vagas em concursos

Tribuna Hoje
Sugestão foi feita pelo presidente da Comissão de Enfrentamento ao Crack, o deputado estadual Vanderlei Miranda (PMDB)
O Tempo
Diante da escassez de investimentos públicos para os tratamentos de usuários de drogas no Estado e da alta taxa de ocupação das vagas públicas destinadas a esse tipo de abordagem, Minas poderá adotar uma medida polêmica: reservar 10% das vagas em concursos públicos no Estado para dependentes químicos.
A sugestão foi feita pelo presidente da Comissão de Enfrentamento ao Crack, o deputado estadual Vanderlei Miranda (PMDB), durante o ciclo de debates Um Novo Olhar sobre o Dependente Químico, encerrado, ontem, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na capital. “Fomos muito cobrados de que o poder público não ajuda na reinserção de usuários de drogas. Sugeri isso ao governo, mas ainda não obtive resposta para decidirmos o que fazer”, afirmou.
O projeto causa polêmica entre entidades que lidam com o tratamento de dependentes químicos. Para Robert William, da ONG Defesa Social, que trabalha com o tratamento de dependentes químicos, o investimento deveria ser em vagas públicas de tratamento. “Em certo ponto, pode parecer bom (reservar empregos públicos para usuários de drogas), ajudando o dependente a se reinserir. Mas o principal é que o Estado invista em vagas públicas de tratamento”, frisou.
Segundo Cleiton Dutra, assessor de política de gabinete da Subsecretaria de Política Anti-Drogas, a reserva de vagas para usuários de drogas em concursos públicos não foi analisada. “Não tenho conhecimento do assunto, isso deve ser analisado. Mas, independentemente disso, vamos expandir as vagas públicas futuramente”, disse.

Números

Minas oferece 1.600 vagas de para tratamento de dependentes químicos – 96,34% das quais ocupadas, segundo a sub secretaria de Polícia Anti-Drogas – e pretende chegar a 3.000 mil, mas a expansão não tem data prevista.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Consumo de álcool por vias vaginal e anal preocupa médicos

Consumo de álcool por vias vaginal e anal preocupa médicos

Adolescentes têm assustado pais e médicos com consumo exagerado de álcool por vias anal, vaginal e até pingando no olho

Aline Lacerda, Terra - 24 de maio 2013

Recentemente, um jovem americano foi hospitalizado em coma alcoólico depois de introduzir uma grande quantidade de vinho por meio de um tubo inserido no reto.
Além de consumir bebida via anal, vários jovens no mundo têm assustado pais e médicos com métodos nada convencionais de se embriagar. Nos Estados Unidos e Europa, vídeos se espalharam na internet com adolescentes pingando vodca nos olhos, método chamado por eles de “vodka eyeballing”. Meninas que encharcam absorventes internos de álcool e os colocam na vagina também tem parecido uma prática difundida, além de beberem álcool em gel.

álcool anal vaginal
Jovens preocupam médicos com consumo de álcool via anal e vaginal (Foto: Getty Images)

Segundo a Dra. Zila Van Der Meer Sanchez, pesquisadora do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), da Unifesp, os adolescentes que chegam aos prontos-socorros alcoolizados usam menos destas práticas no Brasil do que em outros países, apesar de casos terem sido registrados.
“Os riscos para quem consome álcool desta maneira são exatamente os mesmos de métodos convencionais. O que conta é a quantidade de álcool ingerida, porque independente de onde for, o corpo vai absorver do mesmo jeito”.

O clínico geral do Hospital das Clínicas, Dr. Arnaldo Lichtenstein, também alerta para o uso cada vez maior de álcool. “O grande problema é o uso abusivo do álcool, independente da via”.

No entanto, além do comportamento extremamente invasivo ao corpo, o ânus, por exemplo, tem mais terminações nervosas e mucosas mais expostas, o que causa uma absorção mais rápida e compromete a percepção da quantidade ingerida.
“Se for tomando de pouquinho em pouquinho, a pessoa vai sentindo e consegue identificar mais fácil a hora de parar. Mas, mesmo assim, depois de parar ainda há uma grande quantidade de álcool no estômago para ser metabolizado e, neste ponto é comum as pessoas passarem mal, vomitarem e colocarem para fora o que ainda não foi absorvido. No entanto, nestes casos de consumo por outras vias, a substância vai ficar ali até ser completamente absorvida”, informou.


Além do estômago e intestino, o álcool é mais rapidamente absorvido pelas mucosas do corpo, desde a boca até o ânus e a vagina. “A absorção é muito grande pelas mucosas. Se você bebe uma taça de vinho e demora uma hora ou duas para ser processado, o consumo pela mucosa leva minutos”, explicou o Dr. Arnaldo Lichtenstein.
“O problema é que o álcool é irritante. Do mesmo modo que irrita o estômago, vai irritar o olho e causar uma conjuntivite, no ânus e na vagina vai acontecer a mesma coisa e pode gerar problema sérios a curto, médio e longo prazo”, esclareceu o clínico do HC.

Os adolescentes que bebem álcool em gel podem ter reflexos no fígado. “Você vai sobrecarregar seu fígado com as substâncias que têm no produto, além do álcool. Pode intoxicar e vai retardar o metabolismo”, informou a Dra. Zila Van Der Meer.

Vale ainda esclarecer que a exceção é pingar bebida no olho, prática que não tem efeito nenhum. “Esta história de pingar nos olhos, teria que ser um caminhão de álcool para deixar bêbado. Nesta região não tem nenhuma relação fazer isto”, comentou a especialista.

Em relação ao consumo via anal, ela esclareceu ainda: “pode dar uma concepção de violência sexual. Vai além do álcool, pode ter caráter de uma agressão sexual”.
O Dr. Arnaldo Lichtenstein ressaltou que a procura pelo prazer sexual também vem junto nestas práticas. “Isto é a busca pelo prazer mais rápido que está sendo misturado com sexualidade. São duas grandes sensações de busca de prazer”, explicou .

Ele alertou ainda que estas práticas não muito comuns acontecem há bastante tempo, mas o que mais preocupa é a quantidade exagerada de álcool que tem sido colocado em questão. “Esta busca desenfreada por sensações de euforia e anestesia é muito preocupante. Alguns pacientes falam em anestesia e usam estes meios mais rápidos para conseguir não só a desinibição que o álcool produz”, concluiu.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Bolsa Crack no valor mensal de R$ 1.350 para dependentes químicos de SP


São Paulo vai dar auxílio mensal de R$ 1.350 para dependentes químicos

 

Programa está em fase de finalização no governo paulista e prevê a bolsa para famílias de viciados


ALBERTO BOMBIG Revista Época – 07.05.2013

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), está prestes a concluir um novo pacote de ações para combater a violência e o avanço das drogas no Estado. Entre as principais medidas estará a transferência direta de dinheiro para a recuperação de dependentes de crack e o incremento de 6.500 policiais no patrulhamento das ruas. O programa será batizado de Cartão Recomeço e a transferência de renda deverá ser feita por meio de um cartão similar aos utilizados no sistema bancário.

A ação de combate às drogas será semelhante à adotada pelo governo tucano de Minas Gerais, o Cartão Aliança pela Vida. Iniciativas como essa ganharam o apelido de “bolsa crack” ou “cartão crack”. O cartão tornará disponível a quantia de R$ 1.350 mensais para as famílias dos dependentes (em Minas o valor é de R$ 900) e esse dinheiro só poderá ser utilizado no tratamento dos dependentes porque será repassado diretamente para as clínicas de reabilitação. No total, até 3 mil famílias poderão ser beneficiadas em todo o Estado São Paulo. Todos os detalhes do programa serão apresentados na quinta-feira pelo governo Geraldo Alckmin.

Usuários de crack são recolhidos, voluntariamente, nas ruas de São Paulo por uma organização que tem convênio com o Governo do Estado (Foto: Marcelo Camargo/ABr)
Os detalhes finais do programa estão sendo preparados pela Secretaria de Desenvolvimento Social, comandada por Rodrigo Garcia. Como contrapartida, o dinheiro terá de ser utilizado pelas famílias em ações que envolvam e complementem o tratamento dos dependentes. 

Pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha e divulgada na semana passada mostrou que 45% dos paulistanos apontam o envolvimento de jovens da família com tóxicos como seu maior medo, seguido do temor da violência urbana. No começo deste ano, o governo paulista deu início à internação compulsória dos viciados em crack, que também foi respaldada pela população conforme outra pesquisa. O Cartão Recomeço será, segundo o Palácio dos Bandeirantes, uma medida complementar ao programa de internação. Ambos devem fazer parte do “atendimento diferenciado aos dependentes químicos”, uma das bandeiras do governador.

No final do ano passado, a prefeitura do Rio de Janeiro também anunciou o lançamento da ajuda financeira a dependentes, mas a iniciativa até agora não foi colocada em prática. 

Policiamento
No âmbito do combate à violência, o pacote, também a ser anunciado nos próximos dias, vai colocar nas ruas cerca de 6.500 policiais a mais – 5.000 da Polícia Militar e 1.500 da Polícia Civil. O modelo a ser utilizado para o aumento do efetivo no patrulhamento será o da Operação Delegada, que já existe e prevê parcerias do Estado com as prefeituras e ficou conhecido como “bico legalizado” porque permite aos PMs desempenharem funções de atribuição do município nos dias de folgas.
A ideia em curso no Palácio dos Bandeirantes é criar uma Operação Delegada em que o próprio Estado pague para os policiais trabalharem em suas horas de folga sem precisar da parceria com as prefeituras.

sábado, 27 de abril de 2013

Nova droga sintética: metanfetamina


Nova droga sintética chega às baladas do Vale

Delegado alerta: antes restrita à capital, metanfetamina já é achada em casas noturnas da região 

Agência O Vale

Globos espelhados, luzes coloridas e pista de dança lotada. A euforia toma conta das casas noturnas frequentadas pela nata da sociedade. Mas a festa das classes A e B foi invadida por uma nova droga, com um altíssimo poder de destruição: a metanfetamina.
A substância, tão ou mais devastadora do que o crack, já circula em boates do Vale do Paraíba. O delegado do Denarc (Departamento de Investigações sobre Narcóticos), Reinaldo Correa, explica que a novidade chegou este ano à região. Antes, ficava restrita às baladas da capital paulista.
O alto custo da droga -- que varia entre R$ 70 e R$ 200, deixa o produto restrito aos jovens de alto poder aquisitivo. Vendida em formato de comprimido, pó ou até mesmo pedra, ela apresenta um grande potencial de dependência química.
Euforia/ O efeito provocado pela metanfetamina chega a durar 20 horas no usuário.
"A droga causa a mesma sensação do ecstasy, que é uma droga sintética. Quem experimenta a metanfetamina fica eufórico, sem cansaço, com a autoestima lá em cima e com muito apetite sexual. Depois que o efeito passa, vem um grande sentimento de depressão", disse o delegado.
Segundo ele, o uso crônico nova droga torna o usuário mais violento, principalmente quando têm delírios, semelhantes às paranóias apresentadas pelos usuários de crack.
A metanfetamina era usada para tratar problemas de déficit de atenção até julho do ano passado, quando se tornou proibida pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Fruto do seu mau uso na noite paulistana.
O médico Marcelo Ribeiro, especialista em dependência química, explica que o consumo pode levar ao suicídio em casos extremos. Ele desenvolveu um estudo sobre esse tipo de anfetamina.
Social/ "Pessoas que querem melhorar o desempenho social usam anfetaminas", disse. "A tentativa de abandonar ou diminuir o uso resulta em depressão. O uso crônico torna a pessoa distante da realidade. Pode haver suicídio decorrente do uso ou da depressão."
 
Traficante é rico, jovem e popular
Jovem, rico e popular entre os frequentadores de balada. Este é o perfil do traficante de metanfetamina, segundo o delegado do Denarc, Reinado Correa. De acordo com ele, o vendedor da droga costuma ser 'playboy' --gíria usada para o rapaz que tem dinheiro e anda com roupas da moda.
O delegado ainda destaca que prendê-lo nem sempre é uma tarefa fácil para a polícia.
"Essas drogas são vendidas no interior da balada, que é um lugar muito escuro e de difícil acesso. Para conseguir encontrar metanfetamina, os policiais precisariam entrar na casa noturna, pedir para acender as luzes e ir procurando. Quem vai permitir que isso aconteça?", perguntou o delegado.

Por conta dessas dificuldades, a polícia não registrou apreensões da droga na região nos últimos meses.
Polícia/ Houve apenas apreensão de ecstasy, uma droga parecida. Em outubro do ano passado, por exemplo, a Polícia Militar fechou um laboratório do tráfico no Residencial Righi, zona leste de São José dos Campos. No local havia 310 comprimidos de ecstasy.

EFEITOS DA DROGA
Depressão
A droga, que no início causa euforia, provoca depressão no usuário logo após o efeito da substância química passar.
Violência
O uso crônico torna o usuário mais violento, principalmente quando têm delírios, semelhantes às paranoias apresentadas pelos usuários de crack.
Aparência
O uso crônico torna a pessoa distante da realidade, irritada e impulsiva, descuidada da aparência es compromissos.
Corpo
Feridas e cicatrizes começam a aparecer. A droga tira o apetite, o que leva o viciado à desnutrição. O dente perde o esmalte e a gengiva fica destruída

Redução de danos para usuários de crack gera polêmica em BH


Redução de danos para usuários de crack gera polêmica na capital

Jornal O Estado de Minas

 Programa da PBH que incentiva consumo de drogas como álcool e tabaco em substituição à pedra surpreende o próprio prefeito, que no entanto diz que política tem base científica

20130420002043954393o
Sandra Kiefer
 A política de enfrentamento ao uso do crack executada pela Prefeitura de Belo Horizonte, com o incentivo à substituição da pedra por drogas lícitas, causou surpresa ao próprio prefeito Marcio Lacerda (PSB). Como revelou o Estado de Minas em sua edição de quinta-feira, a capital mineira põe em prática o modelo de redução de danos preconizado pelo Ministério da Saúde, que incentiva a substituição do crack por drogas mais leves, como opiáceos, álcool, tabaco e remédios controlados, até que o usuário consiga atingir a abstinência.
Perguntado em entrevista à Rádio Itatiaia sobre a iniciativa, e se havia ficado sabendo de detalhes da política de redução de danos por meio do jornal, Lacerda respondeu: “Realmente, não conheço”. Mesmo assim, o prefeito defendeu o programa, ao afirmar que “existem teses de medicina e trabalhos científicos que demonstram que as pessoas com dependência química podem ser tratadas usando drogas menos nocivas, enquanto não se livram totalmente (do vício do crack)”.
O tema da redução de danos é citado duas vezes no Projeto Recomeço, parte do programa de governo para a reeleição de Marcio Lacerda, no ano passado. Em resposta ao EM, por e-mail, o prefeito informou que a redução de danos é apenas um dos pontos do projeto, que tem como objetivo “envolver os vários setores do poder público e da sociedade no enfrentamento ao uso de drogas, buscando ações de tratamento, de prevenção, de reinserção social e de redução de danos, tendo como base a atual política sobre drogas.”
Segundo o prefeito, o combate ao crack é tratado como assunto prioritário em sua gestão. Prova disso, afirma, é a inauguração do Centro de Referência de Saúde Mental – Álcool e Drogas (Cersam–AD) do Barreiro, prevista para hoje. “Isso mostra que estamos trabalhando para ampliar a prevenção e ofertar um atendimento mais próximo e humanizado.” A unidade é uma das três do tipo prometidas para a capital mineira dentro do Projeto Recomeço. A abertura do Cersam Noroeste, nas proximidades da cracolândia do Bairro Lagoinha, está prevista para junho.
A Secretaria Municipal de Saúde informou em nota que dentro das ações de assistência aos usuários de álcool e outras drogas não são fornecidas na rede de Belo Horizonte drogas ilícitas, como maconha, nem bebidas alcoólicas e cigarros, apenas substâncias com orientação médica.
Audiência pública
Na próxima semana, Lacerda e o secretário municipal de Saúde, Marcelo Teixeira, devem comparecer a audiência pública perante a Comissão Permanente de Enfrentamento do Crack da Assembleia Legislativa de Minas, para esclarecer o funcionamento do programa de redução de danos. O encontro foi convocado a pedido de representantes do terceiro setor que, entre outras informações, querem mais explicações sobre a política de distribuição de drogas lícitas para usuários de crack da capital, o montante já aplicado da verba do governo federal no setor e o número de usuários da pedra que perambulam pelas ruas da capital.

Entraves nas comunidades terapêuticas
Uma das respostas mais objetivas para o impasse poderia vir das comunidades terapêuticas, entidades ligadas às igrejas que sempre acolheram “viciados em drogas” em fazendas, sítios e centros de recuperação. A proposta da inclusão das entidades na política de combate ao crack é discutida à exaustão desde 2011. Até hoje, porém, não foi aberta uma única vaga nas comunidades terapêuticas no país dentro do programa Crack: é possível vencer.
Em novembro de 2012, quase um ano e meio depois da reunião com a presidente Dilma Rousseff, que defendeu a causa, saiu o edital de convocação das entidades pela Secretaria Nacional de Política sobre Drogas (Senad), do Ministério da Justiça. Dava dois meses de prazo, até janeiro deste ano, para que as entidades se inscrevessem. O tratamento, custeado com recursos federais, iria durar de 45 dias a nove meses, dependendo do caso. Cada usuário de crack fora das ruas custaria R$ 1 mil por mês.
Em janeiro esgotaram-se os prazos para inscrição, pré-habilitação, habilitação e aprovação do contrato das comunidades terapêuticas. Mais de 400 entidades se inscreveram. Dois meses já se passaram e a Senad não conseguiu avançar da segunda etapa (pré-habilitação). “Se continuar nesta toada, com a divulgação de 10 nomes por mês, vai levar mais um ano e meio até acabarem as habilitações e o governo começar a repassar os recursos. Enquanto isso, as pessoas vão continuar nas ruas?”, questiona o pastor Wellington Vieira, presidente da Federação de Comunidades Terapêuticas Evangélicas do Brasil (Feteb).
Processos
Vieira calcula que existam hoje cerca de 300 entidades nestes moldes em Minas, cuidando de 9 mil usuários de drogas (30 pessoas por entidade, em média). Ao todo, respondem por 80% das pessoas em tratamento. O pastor esteve em Brasília para acompanhar o andamento dos processos na companhia de Ana Godoy, presidente da Federação das Comunidades Terapêuticas Católicas e coordenadora da Pastoral da Sobriedade. “Realmente o processo está muito lento, mas tenho esperança de que, ainda este ano, saia alguma verba.”
O Ministério da Justiça garante que até junho a maior parte das análises terão sido concluídas. O órgão alega que quase 100% das documentações encaminhadas estavam incompletas, o que dificultou o trabalho. Das 253 inscrições de entidades, 55 tiveram a documentação analisada, 42 foram habilitadas e oito aprovadas. De Minas, três estão habilitadas e apenas uma aprovada: a Associação de Apoio e Recuperação de Dependentes Químicos de Itaúna, na Região Central.

SAMU fará resgate de usuário de crack em SP


Parceria prevê que Samu faça resgate de usuário de crack em SP

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·         Convênio entre Prefeitura e Estado pretende ampliar combate à droga.
Número de unidades de acolhimento para usuários também deve crescer.
Márcio Pinho Do G1 São Paulo
Uma parceria que será anunciada nesta sexta-feira (26) pelo governo do estado e a Prefeitura de São Paulo irá ampliar o programa do combate ao crack na capital paulista. O Programa Recomeço, que auxilia usuários da drogas e seus familiares, vai contar agora com equipes do Serviço Móvel de Urgência (Samu) preparadas para o atendimento psiquiátrico de urgência.
Também está prevista a ampliação do número de Centros de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (Caps Ad). Dez novas unidades do serviço ambulatorial 24 horas para usuários de drogas devem começar a funcionar ainda este ano. Outras 20 unidades que atualmente funcionam apenas durante o dia terão o horário ampliado.
Os Caps Ad ficarão responsáveis por receber os pacientes, identificar o quadro clínico do usuário e apontar a necessidade de tratamento para os dependentes químicos. Esses centros também poderão receber os familiares dos usuários, mesmo dos que não estiverem presentes e em tratamento. Agentes comunitários e de proteção social irão abordar os usuários de crack moradores de rua, na tentativa de encaminhá-los para um serviço de saúde adequado.
 Há cerca de um ano, a Prefeitura de São Paulo e o governo estadual intensificarem as ações contra o crack no Centro da capital paulista, na chamada Cracolândia. O Programa de Enfrentamento ao Crack na cidade foi lançado em janeiro pelo governador Geraldo Alckmin.
Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo mostrou que o Brasil é o maior mercado mundial do crack, onde 2% da população faz uso da droga, número equivalente a quase 3 milhões de pessoas. De acordo com o estudo, o Sudeste concentra 46% dos usuários.

Droga vendida pela internet


O e-commerce e o narcotráfico

Jornal Folha de S. Paulo - MIKE POWER - DO "GUARDIAN"
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Z. Klein/BBC Brasil - Plantação de maconha da empresa Tikkun Olam, sediada em Israel
Muita gente deve ter ficado alarmada, surpresa ou intrigada com a notícia, incluída na edição deste ano da Pesquisa Global Sobre Drogas, de que o tráfico de entorpecentes pela internet está em ascensão. Mas a primeira coisa vendida e comprada pela internet foi um saquinho de maconha há mais de 40 anos.
Em um livro de 2005 chamado "What the Dormouse Said: How the Sixties Counterculture Shaped the Personal Computer Industry" [O que disse o arganaz: como a contracultura dos anos 60 moldou a indústria dos computadores pessoais] --até o título é de uma velha faixa do Jefferson Airplane--, John Markoff revela que a primeira transação on-line do mundo foi uma venda de entorpecentes.
Em 1971 ou 72, alunos de Stanford usando contas da Arpanet no Laboratório de Inteligência Artificial da Universidade Stanford participaram de uma transação comercial com seus colegas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Antes da Amazon, antes do eBay, o ato seminal do e-commerce foi uma venda de entorpecentes. Os alunos usaram a rede para discretamente combinar a venda de uma quantidade não determinada de maconha.
Desde então tem sido, como diria o Grateful Dead, uma viagem longa e esquisita, e os usuários de drogas vêm se mantendo, com a ajuda da química, da neurofarmacologia e das telecomunicações, vários passos à frente da lei.
Nas décadas de 1970, 80 e 90, drogas de todos os tipos, legais ou não, já eram vendidas on-line. Em 2013, algumas pessoas se perguntam: por que violar as leis se você pode simplesmente encomendar a um laboratório chinês que sintetize uma maconha artificial (tecnicamente, um agonista dos receptores canabinoides) que já demonstrou, em condições laboratoriais, ter alguns dos mesmos efeitos da maconha? A lei tem tido dificuldades para acompanhar isso.
A pergunta também está sendo feita por negociantes inescrupulosos, que alegremente importam e vendem esses compostos raros, não testados e de pureza incerta, os dissolvem em acetona e os aspergem sobre um suporte vegetal inerte, que eles vendem pela internet a qualquer um que tenha um cartão de crédito. Eles têm pouca consideração pelos consumidores dessas drogas não testadas, que nem sequer foram concebidas para serem drogas. Elas podem causar náuseas, hipertensão e até danos renais.
No ano passado, pesquisadores descobriram 73 novas drogas no mercado, vendidas por quase 700 sites na Europa. Mas o que são elas? A maioria das pessoas com mais de 30 anos se lembra de quando o cardápio de drogas se limitava a maconha, LSD, anfetaminas, cocaína e heroína. Hoje, a farmacopeia é incrivelmente nova, e em muitos casos legal.
Basta examinar as leis antidrogas, me disse um químico clandestino, para notar que é brincadeira de criança burlar as restrições e criar uma droga legal, que seja quimicamente semelhante a uma substância vetada, mas que não seja ela mesma proibida. Ainda mais fácil é examinar pesquisas médicas publicadas em busca de qualquer coisa que indique atividade locomotora ampliada, ou atividade dos receptores de serotonina ou dopamina, já que isso provavelmente funcionará, de uma forma ou outra, como uma droga.
E se só tiver sido testado em ratos, quem se importa? Os jovens estão fazendo fila para serem cobaias.
Dos 73 novos compostos químicos descobertos no ano passado, 50 eram agonistas dos receptores canabinoides, frequentemente desenvolvidos para o uso em pesquisas farmacêuticas legítimas, conhecidos como teste de "relação estrutura-atividade". O sistema canabinoide endógeno tem profundos efeitos sobre o humor, o apetite, a pressão arterial e muitas outras funções essenciais.
Empresas como a Stirling Winthrop e os laboratórios de John William Huffman na Universidade Clemson, nos EUA, já produziram centenas dessas drogas como parte das suas pesquisas legítimas sobre anti-inflamatórios não esteroides. Mas elas escaparam para os mercados cinzentos em 2008, e um pânico moral teve início --assegurando a difusão do seu uso.
O primeiro lote de leis proibindo novos agonistas dos receptores canabinoides surgiu em 2010, quando a febre da mefedrona (também conhecida como M-cat ou miau-miau) estava no auge. Cerca de 170 deles foram banidos em uma legislação tecnicamente complexa, que proíbe famílias inteiras de compostos químicos e que cerca seus substitutos. Mesmo a legislação mais recente, em fevereiro, não impediu as inovações na verdade, as estimulou. Assim que uma leva era proibida, dezenas de outras apareciam sendo vendidas, no mesmíssimo dia.
Hoje, o número de novas drogas disponíveis está se acelerando em tal ritmo que a polícia e os toxicologistas já não conseguem nem identificar o que são elas, pois não há amostras de referência disponíveis com as quais compará-las. E, em toda a internet, há milhões de operações de narcotráfico acontecendo.
Como disse William Gibson: "O futuro já está aí só não é distribuído muito equitativamente".
Tradução de RODRIGO LEITE.

Saúde libera R$ 50 milhões para construção de Caps em todo o país


Saúde libera R$ 50 milhões para construção de Caps em todo o país


Fonte: Agência Brasil / Paula Laboissière / Edição: Denise Griesinger
Brasília  
Brasília – O Ministério da Saúde anunciou, dia 23 de abril, a liberação de R$ 50 milhões para a construção de centros de Atenção Psicossocial (Caps) em todo o país. Segundo a pasta, serão priorizados os serviços de atendimento 24 horas a dependentes de álcool e drogas e as unidades de Acolhimento.

A orientação do governo é para que os gestores interessados em construir um Caps ou uma Unidade de Acolhimento (UA) acessem a Portaria 615, publicada na semana passada, para dar início ao processo. O valor dos incentivos para financiamento varia de acordo com o tipo de estabelecimento (de R$ 500 mil e R$ 1 milhão). 
De acordo com o Ministério da Saúde, esta é a primeira vez que o governo federal repassa recursos para a construção desses serviços. Antes, a edificação ou aluguel dos espaços cabia ao município, o que dificultava a expansão da rede, muitas vezes por falta de locais adequados.
Dados do ministério, dão conta de que existem hoje 1.891 Caps em funcionamento, com o objetivo de oferecer atendimento à população, realizar o acompanhamento clínico e a reinserção social de usuários pelo acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários.
Já 60 as unidades de Acolhimento foram instituídas para oferecer atendimento voluntário e cuidados contínuos para pessoas com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, em situação de vulnerabilidade social e familiar e que demandem acompanhamento terapêutico e proteção em rede.