sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Câncer de ovário X cigarro e álcool


Uma em cada quatro mulheres com câncer de ovário admite consumo de álcool e tabaco


Do UOL Ciência e Saúde

Levantamento realizado pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) mostra que, das mulheres atendidas na clínica de ginecologia, 34% apresentam câncer de ovário. Em segundo lugar está o câncer de colo de útero, presente em 26% das pacientes. A pesquisa foi realizada com 2.435 pessoas.
Das 824 pacientes com diagnóstico de câncer de ovário, 27% assumem o consumo regular de álcool ou tabaco, fatores que podem estar diretamente relacionados ao aumento de risco para o problema. Além disso, 23% das mulheres são jovens e têm até 45 anos, 27% têm entre 46 e 55 anos, outros 27% entre 56 e 65 anos, e 23% mais de 66 anos.
O que chama a atenção no estudo é o fato de que a proporção na incidência destes dois tipos de cânceres no Instituto é diferente da apresentada pela população em geral, onde o número de casos de tumores de colo de útero é três vezes superior ao de ovário. A explicação para isso pode estar relacionada à complexidade do tratamento.
Segundo Jesus de Paula Carvalho, coordenador da equipe de ginecologia do Icesp, o câncer de ovário é a neoplasia maligna ginecológica de maior morbidade e a que demanda recursos mais avançados para a assistência das pacientes. Ele diz que a cirurgia é muito complexa, e o preparo pré-operatório requer maior quantidade de exames bioquímicos e de imagens. Além disso, o câncer de ovário exige suporte clínico e nutricional intensos, além de tratamento quimioterápico duradouro, com uso de múltiplas drogas

Internação à força é um erro!


Pioneiro na Bahia afirma que internação à força é um erro


Para psiquiatra, é preciso que o Estado faça sua parte na retaguarda do trabalho de aproximação
Eliana Lima- salvador- Ba - O Estado de S.Paulo

O psiquiatra e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Antonio Nery, criador do projeto Consultórios de Rua referência para o plano nacional de combate ao crack , afirma que não acredita em tratamentos impostos, que visam à total abstinência do usuário. "Isso é quase impossível, pelo tipo de vida que eles levam. Para eles, a vida ficaria insuportável."

O programa Consultórios de Rua prevê o atendimento de crianças e jovens de rua, viciados em drogas. O trabalho é realizado no próprio local onde são encontradas essas pessoas e de forma espontânea. "Não queremos salvá-los, impor regras ou práticas, tudo é voluntário. Eles são excluídos e de rua, não são estúpidos. Às vezes a droga é o menos importante na vida dessas pessoas, por isso estabelecemos um diálogo com elas."
Para Nery, é preciso que o Estado faça sua parte na retaguarda do trabalho de aproximação e busque criar medidas que resgatem a cidadania das pessoas que estão abaixo da linha da miséria absoluta.
O psiquiatra acredita que a forma como o tratamento é oferecido faz toda a diferença na aceitação. "Os outros dizem o que eles têm de fazer. Nós achamos que isso é uma consequência, uma possibilidade diante da confiança que vamos estabelecer com eles. E o resultado vai depender muito do nosso trabalho", sustenta Nery, que lidera uma equipe de 11 pessoas, do motorista do veículo usado no trabalho, uma van equipada, conhecida como "laranjão", ao coordenador.
Atendimento. Além das conversas, são oferecidos preservativos e encaminhamento para centros de saúde quando são detectadas patologias paralelas, entre outros serviços.
Os Consultórios de Rua funcionaram em Salvador de forma ininterrupta de 1995 até 2004, em parceria com as Secretarias de Saúde e Justiça do Estado. Depois de anos de suspensão por falta de recursos, o projeto foi retomado no ano passado e ampliado para duas importantes cidades da região metropolitana, Lauro de Freitas e Camaçari.
Em Salvador, o trabalho é desenvolvido em dois pontos identificados pelo grupo como os mais problemáticos, com intenso comércio de drogas: a Feira de São Joaquim, no bairro Comércio, e a Rua do Gravatá, no centro histórico.
Nery não tem muitas histórias de rejeição para contar: garante que a aceitação é grande. "Visitamos cada local duas vezes por semana. Quando faltamos por problemas que independem da nossa vontade, sempre somos cobrados pela ausência", conta.

Novo plano do governo: Crack, é possivel vencer.


CRACK, É POSSÍVEL VENCER


Ministério da Saúde Da Agência Saúde

SUS terá mais 3,6 mil leitos para atendimento a usuários de crack
Ministério da Saúde também vai financiar, até 2014, a criação de 7.780 vagas em unidades de acolhimento e de 216 novos consultórios na rua.
O Ministério da Saúde está ampliando em mais 3,6 mil leitos a rede de assistência aos usuários de crack e outras drogas no Sistema Único de Saúde (SUS). Até 2014, serão criados 2.462 novos leitos; outros 1.138 serão qualificados para se tornarem enfermarias especializadas em álcool e drogas. Essas unidades realizam internações de curta duração e oferecem atendimento multiprofissional aos dependentes químicos.
No âmbito do plano Crack, É Possível Vencer, o Ministério da Saúde também vai financiar a abertura de mais 7.780 vagas em unidades de acolhimento, que abrigarão os dependentes químicos por até seis meses para estabilização clínica e controle da abstinência.
Até 2014, serão investidos pelo Ministério da Saúde R$ 2 bilhões  para implantação e qualificação de novos serviços, que compõem a Rede Conte Com a Gente. “Temos que oferecer um novo projeto de vida ao dependente químico porque a relação com a droga tem relação com o lugar onde ele vive, com o espaço social, a sua condição na família. Isso exige serviços de saúde diferentes para necessidades diferentes”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Integram a rede de atenção a dependentes químicos os consultórios na rua, as enfermarias especializadas em álcool e drogas, as unidades de acolhimento adulto/infantil, os Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas 24 horas (CAPSad) e as instituições da sociedade civil que fazem atendimento a dependentes químicos, que serão habilitadas a receberem recursos do SUS se cumprirem critérios de qualidade do atendimento. A rede está interligada também aos serviços da atenção básica e ao atendimento de urgência e emergência.
PLANO - As ações do plano de enfrentamento ao crack estão estruturadas em três eixos: cuidado, autoridade e prevenção. Os recursos serão liberados mediante adesão de estados e municípios. “O enfrentamento ao crack e outras drogas se dará por meio de um grande esforço para reorganizarmos a rede, que funcionará integrada, oferecendo acolhimento e qualidade no atendimento”, afirma Padilha.
REFORÇO - Os 3,6 mil leitos nas enfermarias especializadas em álcool e drogas serão usados para atendimentos e internações de curta duração durante crises de abstinência e em casos de intoxicações graves. São serviços que atenderão com equipe multiprofissional crianças, adolescentes e adultos. Para estimular a criação destes espaços, o valor da diária de internação crescerá 250% - de R$ 57 para até R$ 200. Ao todo, serão investidos R$ 670,6 milhões até 2014.
O atendimento será reforçado no SUS com a criação de unidades de acolhimento, que terão equipe profissional disponível 24 horas para cuidados contínuos. Essas unidades cuidarão em regime residencial por até seis meses, e realizam a estabilização do paciente e o controle da abstinência. Para o público adulto, serão criados 408 estabelecimentos (6.120 novas vagas), com investimentos de R$ 265,7 milhões até 2014. Já para o acolhimento infanto-juvenil, serão 166 pontos (1.660 novas vagas), exclusivos para o público de 10 a 18 anos de idade, com investimento de R$ 128,8 milhões.
OUTROS SERVIÇOS -Além da ampliação de leitos, nos locais em que há maior incidência de consumo de crack serão criados 308 Consultórios na rua, que farão atendimento volante. Hoje, há 92 unidades em funcionamento no país. Esses serviços contam com profissionais que fazem intervenções de saúde para população em situação de rua (crianças, adolescentes e adultos) em seu contexto, incluindo locais de uso público de drogas, as chamadas cracolândias.As equipes são compostas por médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem. A ação, que terá recursos de R$ 152,4 milhões, atenderá municípios com mais de 100 mil habitantes.
Outra frente do plano é reforçar o atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial para Álcool e Drogas (CAPSad), que passarão a funcionar 24 horas por dia, 7 dias por semana.Os CAPSad oferecem tratamento continuado a pessoas e seus familiares  com problemas relacionados ao uso abusivo e/ou dependência de álcool, crack e outras drogas.Até 2014, serão 175 unidades em todo o país. Cada um dos centros terá oito leitos e oferecerá tratamento para até 400 pessoas por mês. Hoje, a rede de assistência no SUS conta com 1.700 CAPS. Nos últimos nove anos, a média mensal de atendimentos dos CAPS cresceu dez vezes, passando de 25 mil em 2003 para 250 mil em 2011.

Saúde mental de trabalhador piora e afeta produtividade


Saúde mental de trabalhador piora e afeta produtividade, afirma OCDE



Saúde mental de trabalhador piora e afeta produtividade, afirma OCDE
Relatório alerta para doenças e distúrbios como depressão e ansiedade.
Até 50% das reivindicações por benefícios são ligadas à condição mental.

Da Reuters

Um em cada cinco trabalhadores sofre de alguma condição mental, como depressão ou ansiedade, e essa situação está afetando cada vez mais a produtividade nos espaços de trabalho, segundo um relatório da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta segunda-feira (12).

A OCDE descobriu que pessoas com doenças mentais geralmente faltam ao trabalho por motivos médicos, e entre 30% e 50% de reivindicações por benefícios atualmente são devido à saúde mental debilitada.

Legisladores precisam encontrar novas formas de combater esse problema social e econômico, disse o relatório, pois os fatores que causam esses distúrbios, como estresse no trabalho, devem aumentar.

"O aumento da falta de segurança do emprego e a pressão hoje em dia nos espaços de trabalho devem agravar os problemas de saúde mental nos anos à frente", diz o relatório.

"A porcentagem de trabalhadores expostos ao estresse ou situações de tensão no trabalho tem aumentado na última década em toda a OCDE. E diante da atual conjuntura econômica, cada vez mais pessoas estão preocupadas com a segurança no emprego."

A depressão já é uma grande causa de mortes, deficiências e fardo econômico em todo o mundo, e a Organização Mundial de Saúde prevê que até 2020 esse será o segundo maior fator para as doenças mundiais em todas as idades.

Estudos recentes revelaram que o custo anual de distúrbios neurológicas é de quase 800 bilhões de euros.

SP irá receber R$ 569 milhões para combater crack


SP irá receber R$ 569 milhões para combater crack


Investimento será destinado para a criação de enfermarias e clínicas.
Ao todo, governo federal irá investir R$ 4 bilhões no país inteiro.
Do G1 SP, com informações do Globo Notícia
O estado de São Paulo irá receber R$ 569 milhões do governo federal para investimentos no combate ao crack. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esteve na Assembleia Legislativa de São Paulo nesta terça-feira (13) para explicar aos deputados paulistas o que será feito.
O programa irá incentivar a criação de enfermarias especializadas em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS). Para estimular a abertura de novos leitos, o valor da diária de internação irá passar de R$ 57 para R$ 200.
Os investimentos também irão financiar a implantação de clínicas de rua, que são consultórios especializados em atender os dependentes químicos. Ao todo, o governo federal irá investir R$ 4 bilhões no país inteiro.

Escolas estaduais terão prevenção do uso do álcool


Projeto de prevenção ao consumo de álcool será implantado nas escolas estaduais


Portal do Governo de São Paulo

Governador visitou uma das 28 unidades que integram o piloto para conscientizar estudantes sobre os riscos do uso de bebidas alcoólicas
O governador Geraldo Alckmin visitou, na manhã desta quarta-feira, a Escola Estadual Professor Giulio David Leone, localizada no bairro Cidade Dutra, na zona sul da capital, para acompanhar as ações do projeto Movimento Pé no Chão, que integra o Programa de Prevenção ao Uso de Álcool entre Crianças e Adolescentes, lançado recentemente pelo Governo do Estado.
Desenvolvida por meio de parceria entre as secretarias da Educação e da Saúde, a iniciativa envolve atualmente 28 escolas estaduais da zona sul de São Paulo, que participam da fase piloto, e será expandida gradativamente para toda a rede estadual de ensino até 2014. No próximo ano, deverão ser capacitados mais mil profissionais da Educação, especialmente professores-mediadores.
Por meio do projeto, educadores realizam oficinas sobre prevenção ao uso do álcool com grupos formados por no mínimo 10 alunos, para que esses atuem como multiplicadores da ação. As oficinas contam com metodologia e material específicos, de conteúdo lúdico e formato adequado ao público adolescente. Os estudantes aprendem diferentes formas de trabalhar a conscientização junto aos colegas, como produção de vídeos, peças teatrais, exposições fotográficas, festivais de música e fanzines.
Aluno da 1ª série do Ensino Médio da Escola Estadual José Raul Polleto, Victor de Carvalho Souza, 15 anos, foi um dos que participaram do workshop. Seu grupo utilizou a linguagem do cinema mudo para produzir um vídeo que mostra os efeitos do consumo excessivo de álcool. "Muitos jovens da minha idade bebem, por isso é importante que todos tenham consciência do quanto é prejudicial", comenta Victor, que organizou uma balada sem álcool na própria escola para exibir o filme aos colegas. "Foi uma maneira de mostrar que é possível se divertir sem bebida", complementa.
Desde o início do projeto, em setembro, já foram capacitados mais de 1.700 professores e gestores da rede estadual. Também foram realizadas mais de 150 oficinas, envolvendo diretamente 273 alunos e indiretamente mais de 8 mil estudantes. Houve ainda encontros direcionados a orientar os pais dos jovens. Uma pesquisa realizada com os alunos que participaram das oficinas revelou que 59,9% beberam álcool pela 1ª vez na própria casa, na residência de parentes ou de amigos, enquanto 12,9% experimentaram em bares.
Os professores envolvidos também preencheram um questionário de avaliação, no qual consideraram importante a abordagem do tema na escola, mas 85% deles revelaram não se sentirem seguros para falar sobre o assunto com os jovens. Considerando essas informações, o Governo do Estado vai ampliar a iniciativa a partir do próximo ano para que as cerca de 5,4 mil escolas da rede estadual de ensino sejam contempladas até 2014.
Profissionais da Educação, como diretores de escolas, professores-coordenadores, supervisores de ensino, docentes e, principalmente, professores-mediadores receberão treinamento específico para alertar os alunos sobre os riscos da ingestão de bebidas alcoólicas.
A função de Professor-Mediador Escolar e Comunitário foi criada, em março de 2010, como parte do Sistema de Proteção Escolar implantado pela Secretaria de Estado da Educação para proteger as escolas da rede estadual de fatores de risco e vulnerabilidade e aproximar a comunidade da escola.  Atualmente, 1.941 educadores exercem a função de professores-mediadores em 1.604 escolas estaduais.
Álcool para menores é proibido
A prevenção ao consumo de álcool por crianças e adolescentes é uma ação prioritária do Governo do Estado de São Paulo. A lei 14.592, que regulamenta o consumo de bebidas alcoólicas por crianças e adolescentes, sancionada em 19 de outubro deste ano, prevê multa e até a interdição dos estabelecimentos comerciais que venderem o produto a menores de 18 anos. Mais informações podem ser obtidas por meio do site  www.alcoolparamenoreseproibido.sp.gov.br

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Violação dos Direitos Humanos em clinicas de dependentes químicos


DIREITOS HUMANOS
Relatório de Inspeção em 68 comunidades terapêuticas em todo o país revela violações de direitos humanos

Publicado em 29/11/2011  crpsp.org.br


Foi lançado na tarde desta segunda feira, 28 de novembro, em Brasília, o Relatório da 4ª Inspeção Nacional de Direitos Humanos: locais de internação para usuários de drogas, produzido pela Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia (CFP) e desenvolvido em conjunto com o Sistema Conselhos de Psicologia. O Relatório traz o resultado de vistorias em 68 instituições de internação para usuários de drogas, em 24 estados brasileiros e no Distrito Federal, realizadas em 28 e 29 de setembro de 2011. Inúmeras violações aos direitos humanos foram detectadas na inspeção, como castigos físicos e psicológicos, humilhações sociais, desrespeito à escolha religiosa e orientação sexual são algumas das ocorrências detectadas. No estado de São Paulo, na cidade de Bragança Paulista, os usuários da Clínica Gratidão relataram que eram obrigados a cavarem uma cova com a dimensão de seu próprio corpo e escrever repetidamente trechos da Bíblia como castigo por indisciplina. Alguns acusaram a existência de um pedaço de madeira com a palavra gratidão com o qual eram surrados. 

Algumas das recomendações enumeradas pela Comissão Nacional de Direitos Humanos do CFP que devem ser tomadas em relação às comunidades terapêuticas são: que o Ministério Público instaure a abertura de procedimentos administrativos para apuração de denúncias de maus tratos; que o Ministério da Saúde implante mecanismos de efetivo controle e fiscalização de internações de adolescentes; que o Ministério do Trabalho promova uma ação de fiscalização junto às unidades de internação, considerando as denúncias de trabalhos forçados; entre outros. 

A divulgação do relatório acontece na iminência do anúncio oficial de um plano de combate às drogas, pela presidenta Dilma Rousseff, que anunciará a inclusão das comunidades terapêuticas na rede de tratamento pública, com financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS). 

"Amplamente divulgadas como a solução para o problema das drogas, essas instituições se inscrevem no campo das práticas sociais invisíveis ou subterrâneas. Acessar um desses lugares não é tarefa simples. Encontrar o caminho que conduz à porta de entrada de uma comunidade terapêutica exige, muitas vezes, esforço e persistência. E aqui se localiza um primeiro ponto a merecer destaque: não é possível ser público, ser incluído como dispositivo público, mantendo-se nos subterrâneos da sociedade. O acesso a um serviço público é um dos direitos do cidadão", aponta o texto do relatório. 

O lançamento do relatório já começou a ter repercussão na capital federal: na terça, dia 29, a Conselheira do CFP, Monalisa Barros, se encontrou com o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha. O assunto da reunião foram as violações aos direitos humanos detectadas no relatório. 

O CRP SP defende uma reflexão sobre o tema e um debate intenso e sério sobre uma política de álcool e outras drogas. É preciso dar visibilidade e reconhecimento às experiências substitutivas que já estão ocorrendo, como os CAPS ADs e as Clínicas de Rua. 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Programa de combate ao CRACK


07/12/2011 12h23 - Atualizado em 08/12/2011 13h24

Governo destina R$ 4 bilhões a programa de combate ao crack

 

Projeto, que prevê criação de 2 mil leitos, terá parceria com ONGs. 
Sobre entidades, Padilha disse que governo vai separar 'joio do trigo'.


Nathalia Passarinho Do G1, em Brasília

A presidente Dilma Rousseff lançou nesta quarta-feira (7) um conjunto de ações integradas para o combate ao crack que terão orçamento de R$ 4 bilhões do governo federal. Com o lema “Crack, é possível vencer”, o programa possui três eixos: cuidado, autoridade e prevenção. O primeiro é voltado ao tratamento dos usuários, com a ampliação e qualificação da rede de atenção e criação de uma rede de atendimento especializada chamada “Conte com a gente”.
O programa prevê enfermarias especializadas em dependência química no Sistema Único de Saúde (SUS), com investimento de R$ 670,6 milhões. A previsão é de que sejam criados 2.462 leitos destinados ao tratamento de usuários de drogas.
“As pessoas usam tráfico às vezes para evitar a exclusão ou como forma de inclusão, para trabalhar mais, como na zona rural. Por isso, temos que ter atendimentos diferentes, individualizados. É preciso reconstruir um projeto de vida e um sentido da vida para essas pessoas”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O governo federal fará parcerias com entidades privadas voltadas à recuperação de dependentes químicos. As entidades que serão beneficiadas com financiamento público serão escolhidas através de seleção pública de projetos.
Em meio a uma série de denúncias de irregularidades em convênios com Organizações Não-Governamentais, principalmente nos Ministérios do Esporte e do Trabalho, Padilha enfatizou que o governo vai, segundo ele, “separar o joio do trigo” na seleção das entidades.
Além disso, serão criados 308 consultórios na rua, com médicos, psicólogos e enfermeiros. Os profissionais farão busca ativa de dependentes e avaliarão a necessidade de internação dos usuários. “Esses consultórios têm um aspecto importante, que é poder atender em horários não usuais. Temos que trabalhar até meia-noite, até 1h, ter horários mais apropriados nos momentos de maior exposição”, disse Padilha.

Capacitação
Como parte do programa lançado por Dilma, o Ministério da Saúde vai habilitar para o atendimento específico a usuários de drogas 350 auxiliares de enfermagem, 11 mil profissionais de saúde, 100 mil alunos de graduação na área de saúde, 15 mil gestores e profissionais das Comunidades Terapêuticas.
As vagas de residência em psiquiatria nos hospitais públicos aumentarão em 82% e serão criadas 304 novas vagas especificamente para residência multifuncional em saúde mental. Além disso, serão habilitados 1.650 profissionais para atuarem como teleconsultores.

Autoridade
No eixo “autoridade”, o objetivo é intensificar as ações de inteligência e investigação para identificar e prender traficantes de drogas, assim como desarticular organizações criminosas que atuam no comércio de substâncias ilícitas. Para isso, o programa prevê maior integração das ações de inteligência da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e polícias estaduais. De acordo com o Palácio do Planalto, será realizado policiamento ostensivo nos pontos de uso de drogas em cidades de todo o país, além de projetos de revitalização desses locais.
"Não se combate o crime organizado sem ações de inteligência, estaremos integrando informações para que possamos desenvolver nossas atividades", afirmou o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, também presente no evento.
Segundo Cardozo, primeiro será feito um serviço de levantamento de dados para definir número de usuários e o funcionamento do consumo em locais de concentração do comércio de crack. A partir disso, agentes de saúde e policiais atuarão no local para orientar os usuários. Em seguida, haverá ocupação dos locais de consumo por policiais capacitados.
“Haverá policiamento ostensivo no local. Os policiais serão capacitados e treinados para enfrentar situações", disse Cardozo. O ministro afirmou ainda que serão ampliadas as operações em conjunto dos Ministérios da Saúde e Defesa para o combate ao crime organizado e tráfico de drogas nas fronteiras do Brasil com países vizinhos.

Prevenção
No eixo “prevenção”, o programa prevê ações que visam levar informações a escolas e comunidades com a finalidade de evitar o surgimento de novos usuários. A previsão do governo é capacitar, em quatro anos, 210 mil educadores através do Programa de Prevenção do Uso de Drogas na Escola, e 3,3 mil policiais militares do Programa Educacional de Resistência às Drogas.
O objetivo é que os profissionais e policiais atuem na prevenção do uso de drogas em 42 mil escolas públicas. Serão beneficiados 2,8 milhões de alunos por ano.
Outra ação do governo é facilitar o acesso por telefone a informações sobre drogas. O atendimento telefônico VivaVoz, que auxilia e orienta usuários e familiares de dependentes, passará de 0800 para o número de três dígitos 132.

sábado, 26 de novembro de 2011

Carta a presidente Dilma: Política para Álcool e Drogas


MOBILIZAÇÃO
Carta à Presidenta Dilma: Por uma Política de Álcool e Outras Drogas Não Segregativa e Pública
PSI site crpsp.org - Publicado em 25/11/2011 13:34:50

Proposta pela Rede Nacional Internúcleos de Luta Antimanicomial (RENILA), a carta à Presidenta Dilma: Por uma Política de Álcool e Outras Drogas Não Segregativa e Pública, recebeu a coassinatura do CFP e também do CRP SP. O importante documento defende o fortalecimento do Sistema Único de Saúde e uma sociedade sem manicômios. 

A carta também demonstra preocupação com a constante veiculação, através de setores da imprensa, da defesa da internação compulsória e das comunidades terapêuticas como fórmulas mágicas para o tratamento dos usuários de álcool e outras drogas. 

"Tais soluções opõem-se, radicalmente, aos princípios que sustentam o compromisso desse governo de trabalhar pela ampliação da cidadania e inclusão de todos (...).Se tais medidas forem implantadas produzirão, além de prejuízos políticos, danos à democracia brasileira. Uma das maiores referências e patrimônio da nossa sociedade, o SUS e várias de suas políticas, dentre estas, a Reforma Psiquiátrica, serão seriamente comprometidas, além de perderem o caráter público tão caro à saúde", afirma o documento.
 

Leia abaixo a íntegra da carta:
Carta à Presidenta Dilma 

Por uma Política de Álcool e Outras Drogas 

Não Segregativa e Pública 

A eleição de uma mulher presidenta da república, pela primeira vez na história, nos encheu de orgulho e foi festejado pelos brasileiros e brasileiras, em particular por todos os movimentos sociais, organizações populares e sindicais que lutam junto aos setores mais vulneráveis de nossa sociedade, pela ampliação dos direitos e de uma cidadania ativa. O compromisso definido como central para seu governo _ o combate e eliminação de uma das principais mazelas da sociedade brasileira, a pobreza e a miséria _ traduz, para nós, sua sensibilidade e filiação à Construção de um Novo Brasil, mais justo e solidário. 

Esse compromisso assumido com o povo brasileiro é motivo de esperança e perspectivas de avanços no processo de inclusão social e de ampliação das conquistas cidadãs. 

Nós, da RENILA - Rede Nacional Internúcleos de Luta Antimanicomial, presentes em todo o país, militamos pela construção de uma sociedade sem manicômios, projeto político que originou e inspira a Reforma Psiquiátrica brasileira, política pública que é referência para a Organização Mundial da Saúde. Apostamos que o atual governo iria avançar e aprofundar esse processo emancipatório, extinguindo os manicômios ainda existentes e em funcionamento e ampliando a rede substitutiva, contudo, estamos neste momento, seriamente preocupados com o futuro e os rumos da saúde mental brasileira. 

Informações veiculadas com insistência pela imprensa sobre as possibilidades de tratamento para usuários de álcool e outras drogas preocupa-nos, sobretudo, por seu caráter francamente contrário aos princípios que sustentam as políticas deste governo, a saber, a superação da exclusão social, condição historicamente imposta a uma parcela da sociedade brasileira. Como militantes sociais e de direitos humanos, queremos alertar para os riscos que se anunciam nestas propostas. 

O primeiro e mais grave risco diz respeito ao modo como a questão é colocada: ameaça, que fundada na cultura do medo, produz pânico e autoriza a violência, além de solicitar respostas precipitadas e superficiais. A apresentação de soluções mágicas, de respostas totais e plenas de garantias é não apenas ilusório, mas, sobretudo falacioso. Preocupa-nos, de modo particular, a defesa da internação compulsória e das comunidades terapêuticas, dois modos de resolver a questão recorrendo à exclusão e a segregação. Tais soluções opõem-se, radicalmente, aos princípios que sustentam o compromisso desse governo de trabalhar pela ampliação da cidadania e inclusão de todos. Portanto, não tem como dar certo! 

Senhora Presidenta, se tais medidas forem implantadas produzirão, além de prejuízos políticos, danos à democracia brasileira. Uma das maiores referências e patrimônio da nossa sociedade, o SUS e várias de suas políticas, dentre estas, a Reforma Psiquiátrica, serão seriamente comprometidas, além de perderem o caráter público tão caro à saúde. Submeter a saúde a interesses privados, à lógica de mercado, é fazê-la retroceder ao ponto que inaugurou o SUS como direito; é impor a saúde à dimensão de objeto mercantil, gerador de lucro para alguns e dor para muitos. Submeter o Estado e as políticas públicas a crenças e confissões, fere um princípio constitucional e a dimensão laica do mesmo. Submeter os cidadãos e suas famílias que sofrem com uma dependência a um modo de proteção que anula direitos é legitimar a violência como resposta institucional, portanto, não é uma ação cidadã, nem tão pouco solidária; é violência e tortura admitidas como recurso de tratamento. 

Senhora Presidenta, mantendo nossa confiança e aposta em seu compromisso público anunciado quando de sua posse, mas também em sua sensibilidade e capacidade para conduzir um projeto de nação que seja justo, solidário e cidadão, alertamos: não se pode admitir o sequestro de direitos como recurso de tratamento, não se pode admitir a redução de problemas complexos a soluções mágicas, não se pode admitir, acima de tudo, a banalização de valores democráticos em nome de nenhum mal. Não se pode fazer o mal em nome do bem! Não se autoriza ao Estado e nem à sociedade, o direito a desrespeitar e torturar ninguém, em razão de nenhum motivo. 

Sabendo que um governo se compõe de forças distintas e de perspectivas diversas, articuladas a setores e interesses sociais múltiplos, alguns mais próximos e comprometidos com valores republicanos, e outros com perspectivas mais restritas e a valores morais e religiosos, identificados na Casa Civil, conclamamos a Chefe da Nação a defender a cidadania de todos e a democracia brasileira, preservando suas conquistas, de modo especial, o Sistema Único de Saúde e suas políticas. 

Nossa posição não é sustentada em interesses particulares nem em preferências. É coerente com a ampla mobilização social em todo o país que resultou na IV Conferência Nacional de Saúde Mental - Intersetorial, fórum que foi claro e decidido neste ponto: comunidades terapêuticas não cabem no SUS, como também não cabem internações compulsórias. O tratamento dos usuários de álcool e outras drogas, incluído neste conjunto o crack, deve seguir os princípios do SUS e da Reforma Psiquiátrica, sendo também este o caminho a ser trilhado pelo financiamento: a ampliação da rede substitutiva. 

Senhora Presidenta, o Brasil precisa de mais CAPS-ad, necessita que os mesmos tenham condições que os permitam funcionar vinte e quatro horas, carece de leitos em hospital geral, de casas de acolhimento transitório, consultórios de rua, equipes de saúde mental na atenção básica, de estratégias de redução de danos e de políticas públicas intersetoriais. Este deve ser o endereço dos recursos públicos! 

Por uma Sociedade Sem Manicômios!! Por um Tratamento Sem Segregação!! Pelo Fortalecimento do Sistema Único de Saúde e da Reforma Psiquiátrica!!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Trabalho e Jogos: Vícios ocultos


Trabalho ou jogos podem ser tão viciantes quanto álcool ou drogas

Jogadores e workaholics enfrentam síndrome de abstinência com sintomas como depressão, ansiedade e insônia

BBC Brasil | 25/11/2011 10:12



Trabalhar demais também pode ser um vício

O psicólogo britânico Mark Griffiths, professor da Nottingham Trent University, vem estudando o jogo compulsivo há 25 anos e diz acreditar "enfaticamente" que o ato de jogar e apostar, se levado ao extremo, é tão viciante quanto qualquer droga.
Neste texto escrito para a BBC, ele comenta os resultados de seu trabalho:
"Os efeitos sociais e de saúde da jogatina extremada são muitos e têm muita coisa em comum com os efeitos de vícios mais tradicionais, entre eles mau humor, problemas de relacionamento, absenteísmo do trabalho, violência doméstica e ir à falência.
Os efeitos para a saúde - para jogadores e seus parceiros e parceiras - incluem ansiedade, depressão, insônia, problemas intestinais, enxaquecas, stress, problemas estomacais e pensamentos suicidas.
Se comportamentos como a jogatina podem se tornar um vício genuíno, não existe razão em teoria que impediria alguém de se viciar em atividades como videogames, trabalho ou exercícios físicos.
Pesquisas sobre jogadores compulsivos relatam que eles sofrem ao menos um efeito colateral quando passam por períodos de abstinência, como insônia, dores de cabeça, perda de apetite, fraqueza física, palpitações cardíacas, dores musculares, dificuldades de respiração e calafrios.
Abstinência 

Na verdade, jogadores compulsivos aparentam sofrer mais sintomas de abstinência física quando tentam cortar o vício do que viciados em drogas.
Mas quando é exatamente que um entusiasmo saudável se transforma em um vício? Comportamento excessivo por si só não significa que alguém seja viciado. Consigo pensar em muitas pessoas que se envolvem em atividades excessivas, mas eu não as classificaria como viciadas, já que elas parecem não sofrer qualquer efeito negativo ao apresentar tal comportamento.
Em essência, a diferença fundamental entre o excesso de entusiasmo e o vício é que os entusiastas saudáveis adicionam vida às atividades desprovidas dela.
Para qualquer comportamento ser definido como viciante, é preciso que existam consequências específicas como se tornar a atividade mais importante na vida de uma pessoa ou ser o meio pelo qual o humor dela pode melhorar.
Eles podem também começar a precisar fazer mais e mais da atividade ao longo do tempo para sentir seus efeitos e sentir sintomas físicos e psicológicos de abstinência se eles não conseguem fazê-lo.
Isso pode levar a conflitos com o trabalho e com responsabilidades pessoais e muitos podem até viver recaídas se tentam largar o vício.
A maneira pela qual os vícios se desenvolvem - sejam eles químicos ou comportamentais - é complexa.

Vícios 'ocultos' 

O comportamento viciante se desenvolve a partir de uma combinação de predisposição biológica e genética de uma pessoa, o ambiente social em que elas cresceram e sua constituição psicológica, como traços de personalidade, atitudes, experiências e crenças e a própria atividade.
Muitos vícios comportamentais são vícios ''ocultos''. Diferentemente do alcoolismo, o viciado em trabalho não apresenta a fala embolada ou sai tropeçando.
Mas, no entanto, o vício comportamental é um tema relativo a saúde que precisa ser levado a sério por todos os profissionais das áreas médicas ou de saúde.
Se o principal objetivo dos profissionais da área médica é garantir a saúde de seus pacientes, então ter consciência sobre o vício comportamental e os temas que o cercam deveriam ser tão importantes quanto o conhecimento básico e o treinamento.
Diversos vícios comportamentais podem ser tão graves quanto vícios em drogas."