sábado, 8 de outubro de 2011

Ex-jogador Sócrates tem cirrose hepática causada pelo álcool


Sócrates recebe alta após 17 dias internado
DA REDAÇÃO CLICK21 -  22/09/2011

O ex-jogador Sócrates recebeu alta médica nesta quinta-feira (22) após ficar 17 dias internado no Hospital Albert Einsten, em São Paulo. O comentarista foi internado no dia 5 de setembro com uma crise de cirrose hepática com sangramento no esôfago. Segundo a esposa do comentarista, Kátia Bagnarelli, Sócrates vai continuar a recuperação em casa.

Durante a recuperação, o ex-jogador terá que fazer uma dieta rigorosa recomendada pelos médicos. Ele ainda deverá realizar sessões de fisioterapia para recuperar os movimentos respiratórios, pois precisou da ajuda de aparelhos para respirar enquanto esteve na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Essa foi a segunda internação de Sócrates em menos de dois meses. Em 19 de agosto, o ex-jogador deu entrada no mesmo hospital devido ao mesmo problema e permaneceu internado por oito dias. Na ocasião, foi implantado uma espécie de cateter entre o pescoço e o fígado para estancar o sangramento.

Sócrates sofre de cirrose e segundo os médicos, um transplante de fígado não foi descartado. Em entrevista para o programa Fantástico após a primeira internação, o "Doutor" assumiu que era dependente de álcool e que o vício quase o matou.


"Travas de Álcool" : holandeses equiparão os carros


Holandeses terão que equipar carros com 'travas de álcool'


Aparelho tem 'minibafômetro' e trava o veículo se nível de álcool for alto.
A partir de dezembro, medida será obrigatória para recorrentes na infração.
Reuters
Motoristas holandeses que forem flagrados dirigindo enquanto estão com teor de álcool no sangue muito superior ao limite legalmente permitido serão obrigados a equipar seus carros com "travas de álcool" que travam o motor automaticamente se o motorista estiver acima do limite de álcool permitido.
Pessoas que já foram condenadas por dirigir embriagadas e forem encontradas ao volante com nível acima de 1,3 mg/dl - ou seja, mais de seis vezes o limite legal, que é de 0,2 mg/dl - terão que instalar travas de álcool em seus carros, disse o Ministério dos Transportes na terça-feira (4).
As novas regras entrarão em vigor em 1º de dezembro, em tempo para as festas do Natal e Ano Novo.

A trava de álcool funciona da seguinte maneira: o motorista precisa respirar dentro do aparelho para destravar o motor. Depois, tem que repetir o processo em intervalos regulares durante o percurso.
Se o aparelho, que é uma espécie de "minibafômetro" preso ao painel do carro, indicar um nível de álcool no sangue superior ao limite legal, o motor ficará desligado.
Cerca de 200 pessoas morrem todos os anos no país devido à direção de veículos sob o efeito de álcool, informou a mídia holandesa.
A Holanda, país da cerveja Heineken, é famosa por sua indústria de cerveja e é o 14º país da Europa.



Site de notícias holandês mostra imagem de aparelho que trava ou destrava o motor, que se assemelha a um bafômetro ligado ao painel (Foto: Reprodução/The Holland Times)

"Não é porque alguém usa droga que irá cometer crime"


“Não é porque usa droga que alguém vai cometer crimes”


Rafael Vianna, delegado da Polícia Civil e mestre em Ciências Jurídico-Criminais


GRPcom - Felippe Anibal
O delegado Rafael Vianna está longe de ser um pessimista. Mas, em seu recém-lançado livro Diálogos Sobre Segurança Pública, ele manda um recado quase subliminar: se a sociedade não repensar seu papel, o Estado civilizado chegará ao fim. A preocupação vai desde o papel da polícia até as políticas de segurança baseadas no combate às drogas.
Vianna adota uma posição lúcida – e de certa forma ousada – ao afirmar textualmente que os entorpecentes não causam a criminalidade e que o Estado erra na luta contra o tráfico: “A maioria dos traficantes presos são usuários que vendiam droga para comprar droga”, diz.
Para ele, a polícia não consegue resolver tudo: quanto mais serviço ela tiver, mais ineficaz será. No livro, o delegado traz ainda orientações simples de prevenção ao crime aos cidadãos.
O seu livro traz várias dicas de segurança em artigos com uma linguagem acessível. A segurança é algo simples?
Atitudes simples e práticas podem contribuir de alguma forma para a segurança pública. Mudanças no comportamento das pessoas também. Mas segurança pública, como um todo, é algo muito mais complexo. Essa é a grande dificuldade: existem diversas ações e propostas, mas muitas vezes não conseguimos visualizar o todo. Então, acaba que a segurança pública fica como uma colcha de retalhos.
Você subdivide a segurança pública em três áreas...
A primeira grande área são as questões existenciais, os valores da sociedade. É responder a perguntas como “qual o sentido da vida?”. Se um jovem não enxergar sentido na vida, a segurança pública não vai ter solução. A segunda é a de prevenção situacional do crime. Entram aí tanto a atuação policial, quanto o endurecimento dos alvos. Ou seja, a vítima contribuindo para diminuir as vulnerabilidades. A terceira área é a investigação que precisa ser feita de forma rápida e efetiva. Se atuarmos só em uma dessas áreas, não adianta. Essas três áreas precisam caminhar juntas.
Sempre que se fala em segurança vem à tona a questão das drogas. O senhor acha que o peso das drogas está superdimensionado ou, de fato, elas são o grande mal do século 21?
Estudos criminológicos e pesquisas revelam que a droga não é necessariamente a causa do crime. Não é uma relação de causa e efeito, é uma relação processual. Não é porque a pessoa consome drogas que ela pratica crimes. Também está descartado que os efeitos farmacológicos causados no cérebro levem algum indivíduo a cometer um crime.
Que efeito têm as políticas de segurança voltadas exclusivamente ao combate às drogas?
É preciso perguntar por que as pessoas usam drogas. Se a vida e a convivência social não tiverem sentido para uma pessoa não vai ter nada de anormal para ela usar droga. Outro fator é de que maneira combater as drogas. Será que, com a polícia combatendo com preponderância o tráfico de drogas, estamos atingindo os resultados que esperamos? A maioria dos traficantes presos são usuários que vendem drogas para consumir a própria droga. Então será que uma política de saúde pública não seria mais efetiva para uma sociedade do que a simples e pura ilusão da erradicação?
Qual o papela da família no combate ao crime e às drogas?
Enquanto o jovem não ver sentido na vida, utilizar drogas ou cometer um crime, não vai ter problema algum para ele. Se estivermos num barco à deriva, qual o problema de consumirmos drogas ou praticarmos um crime? A família deve discutir isso com os jovens. Enquanto não for discutido isso, não adianta agirmos só com polícia, porque não vai ter solução. Sempre vão chegar novos jovens nessas situações, que serão potenciais criminosos. A polícia nunca vai resolver o problema da segurança pública se não houver participação das famílias.
Uma parcela significativa da sociedade defende o recrudescimento das leis e da atuação da polícia. Como vê essa questão?
Quanto maior for a atribuição da polícia, ou seja, quanto mais tipos de crimes tiver de investigar e combater, acho que mais ineficaz a polícia será. Uma polícia que combate tudo, que tem que prevenir tudo, acaba que não combate nada, que não previne nada e os crimes ficam impunes. E a impunidade também gera criminalidade. Mas não podemos ficar no discurso vazio de que as penas deveriam ser mais graves, porque a gravidade de uma pena não significa nada no fator efetividade. É mais importante a pessoa ter a certeza de que vai encontrar a pena se cometer um crime, do que a gravidade. Se todos que cometerem um tipo de crime encontrarem punição, aí sim, o sistema cumpre sua função.
Por que o subtítulo do livro é O fim do Estado civilizado?
Porque se a sociedade não repensar qual o sentido que ela espera como sociedade, que sentido ela quer dar para sua existência, o Estado vai chegar ao fim e, infelizmente, vamos entrar no caos.


Cirrose hepática : cresce internação em SP


Internação por cirrose alcoólica cresce 50% no estado de São Paulo
Agência Brasil

As internações por cirrose hepática causada pela ingestão de bebidas alcoólicas aumentaram quase 50% nos últimos cinco anos nos hospitais do estado de São Paulo. Em 2007, foram internadas cerca de 2,1 mil pessoas com o problema e a estimativa para este ano é de mais de 3 mil pacientes. Os dados são do Serviço de Hepatologia do Hospital de Transplantes do Estado de São Paulo.
De acordo com o coordenador do serviço, o médico Carlos Baía, o levantamento indica que as pessoas passaram a ingerir mais bebidas alcoólicas. “A quantidade de álcool para provocar uma cirrose varia caso a caso. Geralmente são quantidades que as pessoas podem achar pequenas, como quatro ou cinco doses de bebidas destiladas por dia, se for consumido diariamente por dez anos”.


Sócrates disse que perdeu entre 25 a 30 quilos durante suas duas passagens pelo hospitalSocrates está com Cirrose Hepática causada pelo álcool
O álcool inflama e destrói gradualmente as células do fígado que, ao longo do tempo, passa a ficar tomado por pequenas cicatrizes, e tem seu funcionamento prejudicado. Estima-se que em torno de 15% dos alcoolistas cheguem a esta etapa em um período entre dez e 15 anos de dependência.
“Uma das características do álcool é induzir tolerância e a pessoa precisa de uma quantidade cada vez maior para sentir o mesmo efeito de relaxamento inicial”, destaca o médico.
As complicações decorrentes da doença podem ocorrer lentamente e desencadear o acúmulo de água na barriga, inchaço nas pernas, confusão mental, e até o desenvolvimento de câncer no fígado e hemorragias digestivas.
Baía ressalta que o transplante de fígado só é indicado em casos muito graves, quando o paciente já está com as funções vitais do órgão totalmente comprometidas. Segundo o Hospital de Transplantes, os dependentes de álcool correspondem a cerca de 15% das pessoas que estão na lista de espera.
“A porcentagem é baixa porque existem mecanismos para restringir a entrada dessas pessoas na lista. Não se faz transplante em uma pessoa que tem alto risco de voltar a beber”, diz o médico. Para poder entrar na lista de espera do transplante, a pessoa tem de estar a pelo menos seis meses sem consumir bebida alcoólica.
Hepatites virais, principalmente a do tipo C, também desencadeiam a cirrose hepática. O médico orienta as pessoas a realizar o teste laboratorial com exame de sangue. “Prevenção é sempre a melhor escolha. A hepatite C, por exemplo, é uma doença silenciosa e o combate fica mais fácil se o diagnóstico for precoce”, explica o hepatologista.

Família de dependente de Crack receberá R$900 em MG


Governo de Minas vai dar R$ 900 por mês a família de viciado em crack

Valor deve ser usado para tratamento e será destinado a casas com renda de até 2 salários mínimos

Denise Motta, iG Minas Gerais 



Em iniciativa inédita, o governo de Minas Gerais lança o cartão Aliança Pela Vida, que vai proporcionar à família de um dependente químico R$ 900 reais mensais para tratamento do vício. Deste total, R$ 810 serão destinados ao pagamento de comunidade terapêutica e R$ 90 para despesas de familiares com visitas ao dependente. Diferente das bolsas convencionais, os R$ 810 para tratamento serão repassados diretamente à comunidade terapêutica que tenha convênio com o Estado. A família terá acesso direto apenas aos R$ 90 destinados à visita.
As famílias beneficiadas devem ter renda de até dois salários mínimos. Inicialmente serão atendidas mil famílias de Teófilo Otoni e de Juiz de Fora, cidades do interior de Minas. As prefeituras receberão as inscrições, avaliarão as condições financeiras e manterão cadastros de dependentes químicos.
Nesta quarta-feira (05), o governador Antonio Anastasia (PSDB) assinou convênios com as duas prefeituras beneficiadas na primeira etapa do programa. Por uma lei, Anastasia determinou que todas as secretarias estaduais apliquem 1% de seu orçamento em políticas relacionadas à prevenção e uso de drogas. O recurso do cartão Aliança Pela Vida vem deste montante. Ao todo, serão destinados R$ 70 milhões ao ano para o programa.
Usuário fuma crack em agosto de 2008.
Chamado de "Bolsa Crack" nas redes sociais, o benefício financeiro para famílias de dependentes químicos gera controvérsia entre especialistas. Para alguns, o poder público transfere a responsabilidade de zelar pela saúde dos cidadãos no momento em que repassa à família o recurso, colocando nas mãos dos parentes a solução do problema. Há ainda quem acredite que o programa, por envolver transferência de dinheiro, pode estimular o uso de drogas e que a família não estaria preparada para usar os recursos.
Especialista em Segurança Pública, Robson Sávio alega ser a quantia extremamente insuficiente para cobrir um tratamento adequado ao viciado. “O serviço público deveria criar uma rede de atenção com apoio da família. A desintoxicação é lenta e tem longo acompanhamento. Esse tipo de atividade transfere para a esfera privada o que deveria ser oferecido pelo serviço público. Para pessoas que não sabem do nível de dependência, pode estimular consumo. O usuário é uma pessoa que está trilhando um caminho altamente complexo. O valor não é suficiente para tratamento digno”, analisa Sávio. Ele também diz ser inadequado comparar o cartão Aliança Pela Vida com o Bolsa Família, pois no primeiro caso o beneficiado não tem autonomia, como no segundo. Um tratamento para dependente químico varia de R$ 5 mil a R$ 10 mil por mês, segundo ele, podendo demorar até cinco anos, no caso do crack, por exemplo.
Professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) especializado na prevenção ao uso de drogas, Marcelo Vidigal pensa, assim como Sávio, que o poder público está transferindo uma responsabilidade. “O que esse familiar vai fazer com este dinheiro? Será que ele está preparado para pegar este dinheiro e usar em benefício do dependente?”
Há quem elogie a iniciativa. É o caso do psiquiatra Valdir Ribeiro Campos, especialista em dependência química. “De uma forma ou de outra o governo precisa ajudar os dependentes e suas famílias. Como não há tempo para viabilizar leitos públicos, ele (Estado), de certa forma, terceiriza o serviço. Tudo que é positivo deve ser feito, mas é lógico que outras pessoas terão outros pontos de vista”, observa. Questionado sobre custos e tempo de tratamento de recuperação do vício em crack, Ribeiro estima o valor mensal entre R$ 7 mil e R$ 14 mil, com duração média de um ano.
O que esse familiar vai fazer com este dinheiro? Será que ele está preparado para pegar este dinheiro e usar em benefício do dependente?”
O subsecretário estadual de políticas sobre drogas de Minas, Cloves Benevides, disse que o governo calculou o benefício a partir do tratamento com comunidades terapêuticas, mas admite que "em instituições com maior suporte e tempo de acolhimento o custo é maior”. Questionado se o tratamento terapeutico recupera um dependente químico a exemplo de clínicas com serviços de acolhimento, o subsecretário afirmou que o dependente poderá acessar outros serviços da rede pública de saúde que estão sendo reforçados para atendar a política de combate e prevenção às drogas. Ele citou como exemplo consultas psiquiátricas.
Por meio de sua assessoria, o governo de Minas afirma que haverá fiscalização do recurso utilizado pela família do dependente, pois deverá ser feita uma prestação de contas periódica pelos parentes. Também informou que caberá às prefeituras toda orientação aos parentes do dependente químico. “O cartão só vai poder ser usado a favor das comunidades terapêuticas, não pode ser usado com outra finalidade”, ressaltou a assessoria do governador.

Internauta poderá ajudar no combate contra as drogas


Senado quer sugestões da sociedade para o combate às drogas


 Agência Senado
A Subcomissão Temporária de Políticas Sociais sobre Dependentes Químicos de Álcool, Crack e Outras Drogas quer discutir com a sociedade sugestões apresentadas por especialistas para o enfrentamento do avanço das drogas no país. As contribuições, reunidas em audiências públicas realizadas nos últimos seis meses, estarão disponíveis na internet, em uma página especial a ser lançada nos próximos dias.

Os internautas poderão opinar sobre as sugestões e apresentar suas contribuições. A subcomissão, ligada à Comissão de Assuntos Sociais (CAS), ouviu 32 convidados ligados a segmentos que atuam no enfrentamento do problema da dependência química, como comunidades terapêuticas, profissionais de saúde, sindicatos, entidades governamentais e organismos internacionais.
 Foram reunidas 41 propostas, organizadas em três áreas: ações sociais e prevenção ao uso de drogas; segurança pública e legislação; e saúde pública e tratamento. Para a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS), vice-presidente da subcomissão, o Brasil só vencerá a guerra contra as drogas se conseguir mobilizar a sociedade para o problema.
 Vamos colocar no hot site todo o elenco de sugestões bem sintéticas, nas três áreas e em todos os ângulos que examinamos. E queremos que a sociedade se manifeste e acrescente contribuições, para ampliar o espectro desse quadro de soluções - disse.
 A subcomissão, presidida pelo senador Wellington Dias (PT-PI), aprovou nesta terça-feira (4) requerimento de Ana Amélia para realização de audiência pública para discutir as conclusões da comissão externa da Câmara que analisou políticas sobre drogas adotadas em Portugal, Holanda e Itália, além da política brasileira. O debate será realizado na quinta-feira (6) e terá como convidado o relator da comissão, o médico e ex-deputado federal Germano Bonow.

"Crack não é epidemia" diz Ministro da Saúde



Consumo de crack no Brasil não é epidemia, diz ministro da saúde



Folha com. - CAROLINA SARRES - DE BRASÍLIA


O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o consumo de crack no Brasil não é uma epidemia. Padilha participou de reunião entre membros do CNS (Conselho Nacional de Saúde), nesta quarta-feira, em Brasília.
Não houve consenso entre os conselheiros do CNS quanto aos requisitos técnicos que envolvem a questão.


Andréa Graiz
De acordo com o coordenador de doenças mentais do ministério da Saúde, Roberto Tykanori, não há uma série histórica para que o aumento do uso de crack seja considerado epidêmico.
Segundo os membros presentes na reunião, há dados que apontam para a existência de um surto.
"Não acho que haja uma epidemia de crack. O grande vilão é o álcool. Ainda assim, nós da saúde não podemos esperar que a questão se torne uma epidemia para agirmos. É uma nova realidade e um desafio ao campo da saúde pública", disse Padilha.
As discussões sobre a Política Nacional de Combate ao Álcool e outras Drogas abriram a 226ª Reunião Ordinária do CNS, ensejada por declaração feita pela presidente Dilma Roussef, no 7 de setembro, a respeito da aprovação da política em breve.
Técnicos do setor da saúde mental declararam sentir-se excluídos do debate e disseram que o plano não pode ser publicado sem que haja ampla participação de diversos setores da sociedade.
Ao final do debate de abertura da reunião do CNS, será aprovada resolução sobre cinco principais pontos: a Política Nacional de Combate ao Álcool e outras Drogas, a Política de Saúde Mental, a questão do recolhimento compulsório, o debate sobre experiências com comunidades terapêuticas e a necessidade de debate entre comissões e conselhos específicos.
RECOLHIMENTO COMPULSÓRIO
Maria Ermínia Ciliberti, do CFP (Conselho Federal de Psicologia), condenou o recolhimento compulsório de usuários de crack --como acontece no Rio de Janeiro, por iniciativa da SMAS (Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro).
A declaração de Ciliberti foi consensual entre os membros do CNS, que ainda mencionaram a recusa da ideia de "higienização" das ruas.
"Não se pode ir catando crianças nas ruas do Rio à 'baciada' e não tratá-las como se não fossem únicas. Não é verdade que a única solução é a internação. Senão não haveria pessoas com 40, 50 internações", declarou Ciliberti.
O Ministério da Saúde afirmou ser contrário ao recolhimento compulsório, por meio de diferenciação entre o "recolhimento" e as "internações" --nas quais não há reservas do órgão.
"Existe uma confusão entre esses nomes. O recolhimento compulsório não está na esfera da saúde. O Estado atua, mediante decisão prévia, sobre a restrição de certos grupos. As internações compulsórias [que são subordinadas a laudos médicos] são feitas de acordo com a lei, que prevê tal atuação. O ministério não tem a ver com o recolhimento e é contra a prática", declarou Roberto Tykanori.
Apesar da condenação, os usuários de drogas retidos por meio de recolhimento compulsório poderão ser atendidos por instituições do SUS (Sistema Único de Saúde), caso passem por procedimento médico posterior.
COMUNIDADES TERAPÊUTICAS
O Ministério da Saúde informou estar sendo elaborada uma portaria para a regulamentação de comunidades terapêuticas --centros de tratamento criticados por especialistas, que as consideram uma volta dos antigos "manicômios", extintos pela implementação da Reforma Psiquiátrica Antimanicomial (Lei nº 10.216/2001).



O conselho de psicologia apresentou na reunião o documento "13 razões para defender uma política para usuários de crack, álcool e outras drogas sem exclusão" e citou o caso da morte Damião Ximenes Lopes, em 1999, em uma "casa de repouso", no Ceará.
Em 2006, o Brasil foi condenado pelo caso na Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) por violar o direito à vida, a integridade física, as garantias judiciais e a proteção judicial.
Tykanori, coordenador de doenças mentais do ministério, afirmou que o Estado precisa institucionalizar tais comunidades e que não haverá retrocesso em relação aos marcos legais já consolidados.
"É um setor que está desregulado e é um campo em que há interesse da saúde e cuja atuação pode ser incluída na saúde. É uma situação de limbo institucional. Existem bons exemplos, assim como exemplos abomináveis", disse.
Ele declarou que para estarem de acordo com a política do ministério, as comunidades deverão cumprir políticas e pré-requisitos do SUS.
O ministério não tem dados sobre quantas comunidades poderiam ou teriam o interesse em ser financiadas pelo sistema.

Judiciário vai a Cracolândia


Prefeitura planeja centros de triagem para seleção
Secretaria de Negócios Jurídicos acredita que ação será facilitada com posto do TJ; Saúde quer mais vagas de internação

O Estado de S.Paulo

Apesar de afirmar que já realiza internação compulsória quando necessário, a Prefeitura de São Paulo estuda formas mais ágeis de levar crianças e adolescentes viciados em drogas para clínicas de tratamento. Atualmente, a Secretaria de Negócios Jurídicos analisa como realizar a triagem dos menores antes de interná-los. A presença do Judiciário na cracolândia, na visão da Prefeitura, agilizaria o processo.

O modelo escolhido pelo Rio - levar indiscriminadamente jovens viciados às clínicas - não é visto com bons olhos pela gestão de Gilberto Kassab (PSD). "O que pode acontecer são centros de triagem dos quais a secretaria é partícipe, mas não detentora da unidade", disse o secretário adjunto da Saúde, José Maria da Costa Orlando.

"Primeiro, precisamos decidir se isso vai acontecer. Se acontecer, o modelo pode ser o de ampliação da iniciativa do Said (Serviço de Atenção Integral ao Dependente, iniciado em 2008, com 80 leitos). Nossa ideia, diferentemente do Rio, foi desenvolver os passos para, após a triagem, oferecer o suporte necessário. Assim, estaremos melhor preparados se for tomada a iniciativa da internação compulsória", afirmou Orlando.

O secretário adjunto afirmou que essa decisão, polêmica, será tomada em breve. "É um assunto que não pode mais esperar", disse. A nova política, reconhece a secretaria, demandará, além de novos Saids, uma ampliação da oferta do número de vagas existentes na rede de clínicas conveniadas com o município.

Atualmente, segundo dados do Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), da Polícia Civil, somente na cracolândia há uma população flutuante de 2 mil usuários de droga, embora grande parte seja formada por maiores de idade. / V.H.B. e ADRIANA FERRAZ




TJ vai à cracolândia julgar internação

 

Pela primeira vez, a Justiça montará um posto com juízes na região para definir o tratamento compulsório de crianças viciadas


VITOR HUGO BRANDALISE - O Estado de S.Paulo 03/10/2011

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) vai montar um posto na cracolândia, na região da Luz, no centro da capital, para definir a internação compulsória de crianças e adolescentes viciados em crack. A partir deste mês, 15 juízes serão destacados para realizar audiências concentradas com os menores que vivem nas ruas para estabelecer quando devem ser internados em clínicas, encaminhados a abrigos ou retornar às famílias.
Para desembargador, proximidade com o problema nas ruas vai ajudar juízes - André Lessa/AEO projeto da Coordenadoria da Infância e da Juventude do TJ-SP foi aprovado há 15 dias pelo presidente do tribunal, desembargador José Roberto Bedran, e prevê a instalação de um posto móvel na cracolândia, com presença obrigatória de um juiz. É a primeira vez que o Judiciário paulista decide atuar, com espaço físico próprio, na mais degradada área do centro paulistano.
Os juízes realizarão as audiências na rua, dentro do posto móvel, após abordagem de um assistente social da Prefeitura ou da Defensoria Pública. Será aplicado um questionário ao jovem, que serve para traçar seu perfil e da sua família e então definir o encaminhamento. O projeto prevê parceria com a Secretaria Municipal da Saúde: psiquiatras da rede pública serão destacados para realizar os laudos para possíveis internações.
"Somos contra a internação compulsória geral, como está sendo feito no Rio. O objetivo do projeto é entender em quais casos há necessidade de levar a criança a uma clínica mesmo contra sua vontade e qual a melhor forma de encaminhamento legal", disse o coordenador da Infância e Juventude do TJ-SP, desembargador Antonio Carlos Malheiros, criador do projeto. "Com o Judiciário em cima, vivendo a realidade das ruas, vamos garantir o respeito à legislação e aos direitos humanos."
A Prefeitura apoia a parceria e estuda formas de viabilizar a atuação conjunta. "A Prefeitura, por meio das Secretarias de Saúde, Assistência Social e Negócios Jurídicos, vem participando de reuniões contínuas com a Vara da Infância e Adolescência do TJ-SP e tem total interesse em todas as ações", informou.
Além das reuniões com as secretarias, Malheiros e outros juízes se reuniram nas últimas semanas com integrantes da Defensoria Pública, do Ministério Público e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP). "Estamos acertando detalhes sobre a atuação de cada órgão. A previsão é que as audiências comecem ainda em outubro."
Apoio. A Defensoria Pública também apoia o projeto. "Podemos colaborar na abordagem, servindo como mediadores entre o juiz e as crianças. Adquirimos essa experiência em projetos de apoio aos moradores de rua e isso pode ser usado com as crianças e adolescentes", disse Carlos Weis, coordenador do Núcleo Especializado de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria de São Paulo. Psicólogos e assistentes sociais da Defensoria devem atuar no projeto.
"O grande desafio na questão da internação compulsória é não haver desrespeito aos direitos da criança. Trabalhando com o Judiciário ao lado, as decisões sobre cada caso serão mais seguras", disse o secretário especial de Direitos Humanos da Prefeitura, José Gregori.
O posto móvel do TJ será colocado, inicialmente, perto da Estação da Luz, na Rua Mauá. Ficará aberto de manhã e à tarde. E terá existência temporária, até que os juízes "adquiram a experiência do que acontece nas ruas", na definição de Malheiros. "Em alguns meses, teremos resultados e definiremos quanto tempo será necessário mantermos o esforço na cracolândia."

Uso de cocaína aumenta muito o risco de glaucoma


Usuários de cocaína têm risco muito maior de glaucoma


HypeScience
Uma nova pesquisa afirma que usuários de cocaína podem ter um risco aumentado de desenvolver um tipo de glaucoma.

Os pesquisadores americanos analisaram os registros de saúde de 5,3 milhões de veteranos dos EUA em 2009. Cerca de 90% dos veteranos eram do sexo masculino.
Cerca de 178 mil veteranos que foram atendidos em ambulatórios tinham um diagnóstico de abuso ou dependência de cocaína.
Os pesquisadores descobriram que cerca de 83 mil, ou cerca de 1,5% dos veteranos, tinham glaucoma.
Os participantes do estudo que tinham usado ou estavam usando cocaína eram mais propensos do que os não usuários a ter glaucoma de ângulo aberto, o tipo mais comum de glaucoma e a segunda causa mais comum de cegueira nos EUA.
Glaucoma de ângulo aberto é uma condição que está ligada a um aumento da pressão intraocular que, gradualmente, fere o nervo óptico. Com o tempo, essa pressão pode levar à perda substancial da visão periférica.
Os usuários e ex-usuários de cocaína tinham um aumento de 45% no risco de glaucoma de ângulo aberto.
Além disso, o estudo descobriu que pacientes com glaucoma e um histórico de uso de drogas ilegais eram quase 20 anos mais jovens do que pacientes com glaucoma sem histórico de exposição a drogas – ou uma média de idade de 54 versus 73 para não usuários de drogas.
Homens com glaucoma de ângulo aberto também tinham exposições significativas a maconha e anfetaminas, como metanfetamina, apesar de terem usado menos estas drogas do que a cocaína.
Segundo os pesquisadores, a associação do uso de drogas ilegais com glaucoma de ângulo aberto requer um estudo mais aprofundado, mas se a relação for confirmada, pode levar a novas estratégias para evitar a perda de visão.
Embora os cientistas estejam aguardando confirmação, é improvável que o glaucoma tenha precedido o uso de drogas ilegais, uma vez que o uso da substância começa tipicamente na adolescência ou nos 20 anos.
Mesmo assim, o estudo apenas mostrou uma correlação entre o uso de cocaína e o risco de glaucoma, e os cientistas não podem dizer se um causou o outro.[LiveScience]

Polêmica: Cartilha sobre drogas é distribuida para crianças



Cartilha que ensina como usar drogas é distribuída a crianças



Material sobre redução de danos foi dada aleatoriamente, diz MP.
Folheto deveria ter sido entregue apenas a us uários em Sorocaba, SP.

Do G1 SP, com informações do Bom Dia Brasil


Cartilha que ensina como usar drogas é distribuída a crianças

Uma cartilha causa polêmica com orientações sobre o uso de drogas pesadas, preparada com base na política de redução de danos, foi parar na mão de crianças e adolescentes em Sorocaba, no interior de São Paulo. O folheto foi distribuído aleatoriamente. Os pais que viram a cartilha ficaram assustados e procuraram a Prefeitura da cidade cobrando explicações.
A cartilha ensina, por exemplo, em que parte do corpo o viciado deve injetar drogas, explica ainda o que se deve fazer para evitar a overdose. O folheto do Ministério da Saúde deveria ser entregue apenas para jovens que usam drogas injetáveis. O material foi produzido para mostrar o perigo da transmissão de doenças entre as pessoas que usam a mesma seringa e a mesma agulha.

“Se caiu nas mãos de pessoas que não eram o público-alvo, a gente está investigando como isso aconteceu e vai estar conversando com as equipes para ter mais cuidado. Também dizer por que eventualmente caiu na mão de alguma pessoa que não é usuária, que lê aquilo e vai fazer com que ela comece a usar droga, eu acho que é uma visão totalmente ingênua do problema”, afirmou a secretária municipal de Juventude de Sorocaba, Edith di Giorgi.
O Ministério Público também critica a distribuição aleatória do material. “Pode ser um indutor do jovem, pela sua curiosidade, a entender que esse material é distribuído gratuitamente. E o governo, de certa forma, estaria incentivando o uso de drogas. Provavelmente vai ser expedida uma advertência para a prefeitura para que faça essa distribuição em locais apropriados, por pessoas determinadas, para realmente atingir o público-alvo da campanha”, afirma o promotor da Infância e Juventude Antônio Farto Neto.
Os vereadores de Sorocaba convocaram a secretária de Juventude para esclarecer por que o material de redução de danos foi parar nas mãos de crianças. Eles também querem um maior controle na distribuição dos folhetos, que já foram retirados de circulação. O Ministério da Saúde ressaltou que a distribuição dos folhetos deve ser feita unicamente para quem usa drogas injetáveis como maneira de prevenir o contágio de Aids e hepatite.

Álcool e drogas comprometem muito a memória


Álcool e drogas comprometem muito a memória, alerta neurologista


G1

Tarso Adoni, do Sírio-Libanês, respondeu a perguntas após o programa.
Principal motivo do mal de Alzheimer é o envelhecimento, não a genética.
O neurologista Tarso Adoni, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, respondeu a perguntas sobre memória feitas pelos telespectadores e internautas do Bem Estar nesta quinta-feira (29).
droga1 Jovem que consome álcool corre risco de dependênciaSegundo ele, álcool e drogas podem comprometer muito essa área do cérebro. Já o cigarro é um fator de risco indireto, pois atinge os vasos sanguíneos do corpo e pode aumentar as chances de derrame.
Não existe um lugar do encéfalo específico para a memória, mas sim estruturas cerebrais que tornam possível esse processo, como o hipocampo e os lobos temporais.
De maneira geral, as perdas orgânicas de memória não são recuperadas. Mas falhas associadas a momentos de estresse ou tristeza podem voltar. Remédios para tratar problemas de memória devem ser usados apenas por pacientes com mal de Alzheimer ou outras doenças degenerativas, sempre sob recomendação médica.
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O remédio, nesse caso, freia o avanço da doença, fazendo com que ela se torne mais branda. E é importante diferenciar um esquecimento corriqueiro de um problema de demência, que é quando a falta de memória começa a comprometer a vida do indivíduo (o que ele fazia bem antes se torna difícil, ele se perde em trajetos habituais, se torna repetitivo, esquece onde guarda coisas habituais, etc).
O principal motivo do aparecimento do Alzheimer é o envelhecimento, e começa em geral após os 65 anos de idade. Apenas 10% dos casos são motivados por fatores genéticos.
Quando nascem, os bebês têm um esboço de memória, que nessa fase é algo mais rudimentar. Já na infância, ainda é normal esquecer-se de episódios e lembrar apenas de flashes ou dos eventos, mas não de detalhes.
Na gestação e durante a amamentação, há uma mudança hormonal na mulher e também noites mal dormidas que podem influenciar a memória. A privação de sono tem papel fundamental no processo de retenção de informações, e acordar muito à noite para dar de mamar pode atrapalhar esse mecanismo.
Amnésia, de acordo com Adoni, é um termo genérico para perda de memória. O especialista destacou a importância do peixe e de outros alimentos presentes na dieta mediterrânea para o funcionamento do cérebro e também do coração.
Estresse pode interferir na memória, da mesma forma que contar histórias muito compridas, cheias de detalhes, pode fazer com que a pessoa perca "o fio da meada". Acidentes e traumatismos cranianos também podem levar a uma amnésia transitória.
Transtorno de deficit de atenção e hiperatividade (TDAH) pode causar problemas de retenção e consolidação de informações. Mas também há um excesso de diagnóstico da doença e de uso de remédios, principalmente entre crianças.
Por fim, o neurologista disse que não há um limite de armazenamento do cérebro, e o mais importante é inter-relacionar as informações. Com o passar do tempo, algumas memórias são atenuadas, e há fatores sensoriais (como cheiros, gostos e músicas) que ativam algumas lembranças do passado.