O ex-jogador Sócrates recebeu alta médica nesta quinta-feira (22) após
ficar 17 dias internado no Hospital Albert Einsten, em São Paulo. O
comentarista foi internado no dia 5 de setembro com uma crise de cirrose
hepática com sangramento no esôfago. Segundo a esposa do comentarista, Kátia
Bagnarelli, Sócrates vai continuar a recuperação em casa.
Durante a recuperação, o ex-jogador terá que fazer uma dieta rigorosa
recomendada pelos médicos. Ele ainda deverá realizar sessões de fisioterapia
para recuperar os movimentos respiratórios, pois precisou da ajuda de aparelhos
para respirar enquanto esteve na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Essa foi a segunda internação de Sócrates em menos de dois meses. Em 19 de
agosto, o ex-jogador deu entrada no mesmo hospital devido ao mesmo problema e
permaneceu internado por oito dias. Na ocasião, foi implantado uma espécie de
cateter entre o pescoço e o fígado para estancar o sangramento.
Sócrates sofre de cirrose e segundo os médicos, um transplante de fígado não
foi descartado. Em entrevista para o programa Fantástico após a primeira
internação, o "Doutor" assumiu que era dependente de álcool e que o
vício quase o matou.
Holandeses
terão que equipar carros com 'travas de álcool'
Aparelho
tem 'minibafômetro' e trava o veículo se nível de álcool for alto.
A partir de dezembro, medida será obrigatória para recorrentes na infração.
Reuters
Motoristas
holandeses que forem flagrados dirigindo enquanto estão com teor de álcool no
sangue muito superior ao limite legalmente permitido serão obrigados a
equipar seus carros com "travas de álcool" que travam o motor
automaticamente se o motorista estiver acima do limite de álcool permitido.
Pessoas que já foram condenadas por dirigir embriagadas e forem encontradas
ao volante com nível acima de 1,3 mg/dl - ou seja, mais de seis vezes o
limite legal, que é de 0,2 mg/dl - terão que instalar travas de álcool em
seus carros, disse o Ministério dos Transportes na terça-feira (4).
As novas regras entrarão em vigor em 1º de dezembro, em tempo para as festas
do Natal e Ano Novo.
A trava de álcool funciona da seguinte maneira: o motorista precisa respirar
dentro do aparelho para destravar o motor. Depois, tem que repetir o processo
em intervalos regulares durante o percurso.
Se o aparelho, que é uma espécie de "minibafômetro" preso ao painel
do carro, indicar um nível de álcool no sangue superior ao limite legal, o
motor ficará desligado.
Cerca de 200 pessoas morrem todos os anos no país devido à direção de
veículos sob o efeito de álcool, informou a mídia holandesa.
A Holanda, país da cerveja Heineken, é famosa por sua indústria de cerveja e
é o 14º país da Europa.
“Não é
porque usa droga que alguém vai cometer crimes”
Rafael
Vianna, delegado da Polícia Civil e mestre em Ciências Jurídico-Criminais
GRPcom
- Felippe
Anibal
O delegado Rafael Vianna está longe de ser um pessimista. Mas, em seu
recém-lançado livro Diálogos Sobre Segurança Pública, ele manda um recado
quase subliminar: se a sociedade não repensar seu papel, o Estado civilizado
chegará ao fim. A preocupação vai desde o papel da polícia até as políticas
de segurança baseadas no combate às drogas.
Vianna adota uma posição lúcida – e de certa forma ousada – ao afirmar
textualmente que os entorpecentes não causam a criminalidade e que o Estado
erra na luta contra o tráfico: “A maioria dos traficantes presos são usuários
que vendiam droga para comprar droga”, diz.
Para ele, a polícia não consegue resolver tudo: quanto mais serviço
ela tiver, mais ineficaz será. No livro, o delegado traz ainda orientações
simples de prevenção ao crime aos cidadãos.
O seu
livro traz várias dicas de segurança em artigos com uma linguagem acessível.
A segurança é algo simples?
Atitudes simples e práticas podem contribuir de alguma forma para a
segurança pública. Mudanças no comportamento das pessoas também. Mas
segurança pública, como um todo, é algo muito mais complexo. Essa é a grande
dificuldade: existem diversas ações e propostas, mas muitas vezes não
conseguimos visualizar o todo. Então, acaba que a segurança pública fica como
uma colcha de retalhos.
Você
subdivide a segurança pública em três áreas...
A primeira grande área são as questões existenciais, os valores da
sociedade. É responder a perguntas como “qual o sentido da vida?”. Se um
jovem não enxergar sentido na vida, a segurança pública não vai ter solução.
A segunda é a de prevenção situacional do crime. Entram aí tanto a atuação
policial, quanto o endurecimento dos alvos. Ou seja, a vítima contribuindo
para diminuir as vulnerabilidades. A terceira área é a investigação que precisa
ser feita de forma rápida e efetiva. Se atuarmos só em uma dessas áreas, não
adianta. Essas três áreas precisam caminhar juntas.
Sempre
que se fala em segurança vem à tona a questão das drogas. O senhor acha que o
peso das drogas está superdimensionado ou, de fato, elas são o grande mal do
século 21?
Estudos criminológicos e pesquisas revelam que a droga não é
necessariamente a causa do crime. Não é uma relação de causa e efeito, é uma
relação processual. Não é porque a pessoa consome drogas que ela pratica
crimes. Também está descartado que os efeitos farmacológicos causados no
cérebro levem algum indivíduo a cometer um crime.
Que
efeito têm as políticas de segurança voltadas exclusivamente ao combate às
drogas?
É preciso perguntar por que as pessoas usam drogas. Se a vida e a
convivência social não tiverem sentido para uma pessoa não vai ter nada de
anormal para ela usar droga. Outro fator é de que maneira combater as drogas.
Será que, com a polícia combatendo com preponderância o tráfico de drogas,
estamos atingindo os resultados que esperamos? A maioria dos traficantes
presos são usuários que vendem drogas para consumir a própria droga. Então
será que uma política de saúde pública não seria mais efetiva para uma
sociedade do que a simples e pura ilusão da erradicação?
Qual o
papela da família no combate ao crime e às drogas?
Enquanto o jovem não ver sentido na vida, utilizar drogas ou cometer
um crime, não vai ter problema algum para ele. Se estivermos num barco à
deriva, qual o problema de consumirmos drogas ou praticarmos um crime? A
família deve discutir isso com os jovens. Enquanto não for discutido isso,
não adianta agirmos só com polícia, porque não vai ter solução. Sempre vão
chegar novos jovens nessas situações, que serão potenciais criminosos. A polícia
nunca vai resolver o problema da segurança pública se não houver participação
das famílias.
Uma
parcela significativa da sociedade defende o recrudescimento das leis e da
atuação da polícia. Como vê essa questão?
Quanto maior for a atribuição da polícia, ou seja, quanto mais tipos
de crimes tiver de investigar e combater, acho que mais ineficaz a polícia
será. Uma polícia que combate tudo, que tem que prevenir tudo, acaba que não
combate nada, que não previne nada e os crimes ficam impunes. E a impunidade
também gera criminalidade. Mas não podemos ficar no discurso vazio de que as
penas deveriam ser mais graves, porque a gravidade de uma pena não significa
nada no fator efetividade. É mais importante a pessoa ter a certeza de que
vai encontrar a pena se cometer um crime, do que a gravidade. Se todos que
cometerem um tipo de crime encontrarem punição, aí sim, o sistema cumpre sua
função.
Por que
o subtítulo do livro é O fim do Estado civilizado?
Porque se a sociedade não repensar qual o sentido que ela espera como
sociedade, que sentido ela quer dar para sua existência, o Estado vai chegar
ao fim e, infelizmente, vamos entrar no caos.
Internação
por cirrose alcoólica cresce 50% no estado de São Paulo
Agência Brasil
As internações por cirrose hepática causada pela ingestão de bebidas
alcoólicas aumentaram quase 50% nos últimos cinco anos nos hospitais do
estado de São Paulo. Em 2007, foram internadas cerca de 2,1 mil pessoas com o
problema e a estimativa para este ano é de mais de 3 mil pacientes. Os dados
são do Serviço de Hepatologia do Hospital de Transplantes do Estado de São
Paulo.
De acordo com o coordenador do serviço, o médico Carlos Baía, o
levantamento indica que as pessoas passaram a ingerir mais bebidas
alcoólicas. “A quantidade de álcool para provocar uma cirrose varia caso a
caso. Geralmente são quantidades que as pessoas podem achar pequenas, como
quatro ou cinco doses de bebidas destiladas por dia, se for consumido
diariamente por dez anos”.
Socrates está com Cirrose Hepática causada pelo álcool
O álcool inflama e destrói gradualmente as células do fígado que, ao
longo do tempo, passa a ficar tomado por pequenas cicatrizes, e tem seu
funcionamento prejudicado. Estima-se que em torno de 15% dos alcoolistas
cheguem a esta etapa em um período entre dez e 15 anos de dependência.
“Uma das características do álcool é induzir tolerância e a pessoa
precisa de uma quantidade cada vez maior para sentir o mesmo efeito de
relaxamento inicial”, destaca o médico.
As complicações decorrentes da doença podem ocorrer lentamente e
desencadear o acúmulo de água na barriga, inchaço nas pernas, confusão
mental, e até o desenvolvimento de câncer no fígado e hemorragias digestivas.
Baía ressalta que o transplante de fígado só é indicado em casos muito
graves, quando o paciente já está com as funções vitais do órgão totalmente
comprometidas. Segundo o Hospital de Transplantes, os dependentes de álcool
correspondem a cerca de 15% das pessoas que estão na lista de espera.
“A porcentagem é baixa porque existem mecanismos para restringir a
entrada dessas pessoas na lista. Não se faz transplante em uma pessoa que tem
alto risco de voltar a beber”, diz o médico. Para poder entrar na lista de
espera do transplante, a pessoa tem de estar a pelo menos seis meses sem
consumir bebida alcoólica.
Hepatites virais, principalmente a do tipo C, também desencadeiam a
cirrose hepática. O médico orienta as pessoas a realizar o teste laboratorial
com exame de sangue. “Prevenção é sempre a melhor escolha. A hepatite C, por
exemplo, é uma doença silenciosa e o combate fica mais fácil se o diagnóstico
for precoce”, explica o hepatologista.
Governo
de Minas vai dar R$ 900 por mês a família de viciado em crack
Valor
deve ser usado para tratamento e será destinado a casas com renda de até 2
salários mínimos
Denise Motta,
iG Minas Gerais
Em iniciativa inédita, o governo de Minas Gerais lança o cartão
Aliança Pela Vida, que vai proporcionar à família de um dependente químico R$
900 reais mensais para tratamento do vício. Deste total, R$ 810 serão
destinados ao pagamento de comunidade terapêutica e R$ 90 para despesas de
familiares com visitas ao dependente. Diferente das bolsas convencionais, os
R$ 810 para tratamento serão repassados diretamente à comunidade terapêutica
que tenha convênio com o Estado. A família terá acesso direto apenas aos R$
90 destinados à visita.
As famílias beneficiadas devem ter renda de até dois salários mínimos.
Inicialmente serão atendidas mil famílias de Teófilo Otoni e de Juiz de Fora,
cidades do interior de Minas. As prefeituras receberão as inscrições,
avaliarão as condições financeiras e manterão cadastros de dependentes
químicos.
Nesta
quarta-feira (05), o governador Antonio
Anastasia (PSDB) assinou convênios com as duas
prefeituras beneficiadas na primeira etapa do programa. Por uma lei,
Anastasia determinou que todas as secretarias estaduais apliquem 1% de seu
orçamento em políticas relacionadas à prevenção e uso de drogas. O recurso do
cartão Aliança Pela Vida vem deste montante. Ao todo, serão destinados R$ 70
milhões ao ano para o programa.
Usuário fuma crack em agosto de 2008.
Chamado de "Bolsa Crack" nas redes sociais, o benefício
financeiro para famílias de dependentes químicos gera controvérsia entre
especialistas. Para alguns, o poder público transfere a responsabilidade de
zelar pela saúde dos cidadãos no momento em que repassa à família o recurso,
colocando nas mãos dos parentes a solução do problema. Há ainda quem acredite
que o programa, por envolver transferência de dinheiro, pode estimular o uso
de drogas e que a família não estaria preparada para usar os recursos.
Especialista em Segurança Pública, Robson Sávio alega ser a quantia
extremamente insuficiente para cobrir um tratamento adequado ao viciado. “O
serviço público deveria criar uma rede de atenção com apoio da família. A
desintoxicação é lenta e tem longo acompanhamento. Esse tipo de atividade
transfere para a esfera privada o que deveria ser oferecido pelo serviço público.
Para pessoas que não sabem do nível de dependência, pode estimular consumo. O
usuário é uma pessoa que está trilhando um caminho altamente complexo. O
valor não é suficiente para tratamento digno”, analisa Sávio. Ele também diz
ser inadequado comparar o cartão Aliança Pela Vida com o Bolsa Família, pois
no primeiro caso o beneficiado não tem autonomia, como no segundo. Um
tratamento para dependente químico varia de R$ 5 mil a R$ 10 mil por mês,
segundo ele, podendo demorar até cinco anos, no caso do crack, por exemplo.
Professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) especializado
na prevenção ao uso de drogas, Marcelo Vidigal pensa, assim como Sávio, que o
poder público está transferindo uma responsabilidade. “O que esse familiar
vai fazer com este dinheiro? Será que ele está preparado para pegar este
dinheiro e usar em benefício do dependente?”
Há quem elogie a iniciativa. É o caso do psiquiatra Valdir Ribeiro
Campos, especialista em dependência química. “De uma forma ou de outra o
governo precisa ajudar os dependentes e suas famílias. Como não há tempo para
viabilizar leitos públicos, ele (Estado), de certa forma, terceiriza o
serviço. Tudo que é positivo deve ser feito, mas é lógico que outras pessoas
terão outros pontos de vista”, observa. Questionado sobre custos e tempo de
tratamento de recuperação do vício em crack, Ribeiro estima o valor mensal
entre R$ 7 mil e R$ 14 mil, com duração média de um ano.
O que
esse familiar vai fazer com este dinheiro? Será que ele está preparado para
pegar este dinheiro e usar em benefício do dependente?”
O subsecretário estadual de políticas sobre drogas de Minas, Cloves
Benevides, disse que o governo calculou o benefício a partir do tratamento
com comunidades terapêuticas, mas admite que "em instituições com maior
suporte e tempo de acolhimento o custo é maior”. Questionado se o tratamento
terapeutico recupera um dependente químico a exemplo de clínicas com serviços
de acolhimento, o subsecretário afirmou que o dependente poderá acessar
outros serviços da rede pública de saúde que estão sendo reforçados para
atendar a política de combate e prevenção às drogas. Ele citou como exemplo
consultas psiquiátricas.
Por meio de sua assessoria, o governo de Minas afirma que haverá
fiscalização do recurso utilizado pela família do dependente, pois deverá ser
feita uma prestação de contas periódica pelos parentes. Também informou que
caberá às prefeituras toda orientação aos parentes do dependente químico. “O
cartão só vai poder ser usado a favor das comunidades terapêuticas, não pode
ser usado com outra finalidade”, ressaltou a assessoria do governador.
Senado
quer sugestões da sociedade para o combate às drogas
Agência Senado
A Subcomissão Temporária de Políticas Sociais sobre Dependentes
Químicos de Álcool, Crack e Outras Drogas quer discutir com a sociedade
sugestões apresentadas por especialistas para o enfrentamento do avanço das
drogas no país. As contribuições, reunidas em audiências públicas realizadas
nos últimos seis meses, estarão disponíveis na internet, em uma página
especial a ser lançada nos próximos dias.
Os internautas poderão opinar sobre as sugestões e apresentar
suas contribuições. A subcomissão, ligada à Comissão de Assuntos Sociais
(CAS), ouviu 32 convidados ligados a segmentos que atuam no enfrentamento do
problema da dependência química, como comunidades terapêuticas, profissionais
de saúde, sindicatos, entidades governamentais e organismos internacionais.
Foram reunidas 41 propostas, organizadas em três áreas: ações
sociais e prevenção ao uso de drogas; segurança pública e legislação; e saúde
pública e tratamento. Para a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS),
vice-presidente da subcomissão, o Brasil só vencerá a guerra contra as drogas
se conseguir mobilizar a sociedade para o problema.
Vamos
colocar no hot site todo o elenco de sugestões bem sintéticas,
nas três áreas e em todos os ângulos que examinamos. E queremos que a
sociedade se manifeste e acrescente contribuições, para ampliar o espectro
desse quadro de soluções - disse.
A subcomissão, presidida pelo senador Wellington Dias (PT-PI),
aprovou nesta terça-feira (4) requerimento de Ana Amélia para realização de
audiência pública para discutir as conclusões da comissão externa da Câmara
que analisou políticas sobre drogas adotadas em Portugal, Holanda e Itália,
além da política brasileira. O debate será realizado na quinta-feira (6) e
terá como convidado o relator da comissão, o médico e ex-deputado federal
Germano Bonow.
Consumo
de crack no Brasil não é epidemia, diz ministro da saúde
Folha com. -
CAROLINA
SARRES-DE BRASÍLIA
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o
consumo de crack no Brasil não é uma epidemia. Padilha participou de reunião
entre membros do CNS (Conselho Nacional de Saúde), nesta quarta-feira, em
Brasília.
Não houve consenso entre os conselheiros do CNS quanto
aos requisitos técnicos que envolvem a questão.
De acordo com o coordenador de doenças mentais do
ministério da Saúde, Roberto Tykanori, não há uma série histórica para que o
aumento do uso de crack seja considerado epidêmico.
Segundo os membros presentes na reunião, há dados que
apontam para a existência de um surto.
"Não acho que haja uma epidemia de crack. O grande
vilão é o álcool. Ainda assim, nós da saúde não podemos esperar que a questão
se torne uma epidemia para agirmos. É uma nova realidade e um desafio ao
campo da saúde pública", disse Padilha.
As discussões sobre a Política Nacional de Combate ao
Álcool e outras Drogas abriram a 226ª Reunião Ordinária do CNS, ensejada por
declaração feita pela presidente Dilma Roussef, no 7 de setembro, a respeito
da aprovação da política em breve.
Técnicos do setor da saúde mental declararam sentir-se
excluídos do debate e disseram que o plano não pode ser publicado sem que
haja ampla participação de diversos setores da sociedade.
Ao final do debate de abertura da reunião do CNS, será
aprovada resolução sobre cinco principais pontos: a Política Nacional de
Combate ao Álcool e outras Drogas, a Política de Saúde Mental, a questão do
recolhimento compulsório, o debate sobre experiências com comunidades terapêuticas
e a necessidade de debate entre comissões e conselhos específicos.
RECOLHIMENTO
COMPULSÓRIO
Maria Ermínia Ciliberti, do CFP (Conselho Federal de
Psicologia), condenou o recolhimento compulsório de usuários de crack --como
acontece no Rio de Janeiro, por iniciativa da SMAS (Secretaria Municipal de
Assistência Social do Rio de Janeiro).
A declaração de Ciliberti foi consensual entre os membros
do CNS, que ainda mencionaram a recusa da ideia de "higienização"
das ruas.
"Não se pode ir catando crianças nas ruas do Rio à
'baciada' e não tratá-las como se não fossem únicas. Não é verdade que a
única solução é a internação. Senão não haveria pessoas com 40, 50
internações", declarou Ciliberti.
O Ministério da Saúde afirmou ser contrário ao
recolhimento compulsório, por meio de diferenciação entre o
"recolhimento" e as "internações" --nas quais não há
reservas do órgão.
"Existe uma confusão entre esses nomes. O
recolhimento compulsório não está na esfera da saúde. O Estado atua, mediante
decisão prévia, sobre a restrição de certos grupos. As internações
compulsórias [que são subordinadas a laudos médicos] são feitas de acordo com
a lei, que prevê tal atuação. O ministério não tem a ver com o recolhimento e
é contra a prática", declarou Roberto Tykanori.
Apesar da condenação, os usuários de drogas retidos por
meio de recolhimento compulsório poderão ser atendidos por instituições do
SUS (Sistema Único de Saúde), caso passem por procedimento médico posterior.
COMUNIDADES
TERAPÊUTICAS
O Ministério da Saúde informou estar sendo elaborada uma
portaria para a regulamentação de comunidades terapêuticas --centros de
tratamento criticados por especialistas, que as consideram uma volta dos
antigos "manicômios", extintos pela implementação da Reforma
Psiquiátrica Antimanicomial (Lei nº 10.216/2001).
O conselho de psicologia apresentou na reunião o
documento "13 razões para defender uma política para usuários de crack,
álcool e outras drogas sem exclusão" e citou o caso da morte Damião
Ximenes Lopes, em 1999, em uma "casa de repouso", no Ceará.
Em 2006, o Brasil foi condenado pelo caso na Corte
Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados
Americanos) por violar o direito à vida, a integridade física, as garantias
judiciais e a proteção judicial.
Tykanori, coordenador de doenças mentais do ministério,
afirmou que o Estado precisa institucionalizar tais comunidades e que não
haverá retrocesso em relação aos marcos legais já consolidados.
"É um setor que está desregulado e é um campo em que
há interesse da saúde e cuja atuação pode ser incluída na saúde. É uma
situação de limbo institucional. Existem bons exemplos, assim como exemplos
abomináveis", disse.
Ele declarou que para estarem de acordo com a política do
ministério, as comunidades deverão cumprir políticas e pré-requisitos do SUS.
O ministério não tem dados sobre quantas comunidades
poderiam ou teriam o interesse em ser financiadas pelo sistema.
Prefeitura
planeja centros de triagem para seleção
Secretaria de Negócios Jurídicos acredita que ação será facilitada com posto
do TJ; Saúde quer mais vagas de internação
O
Estado de S.Paulo
Apesar
de afirmar que já realiza internação compulsória quando necessário, a
Prefeitura de São Paulo estuda formas mais ágeis de levar crianças e
adolescentes viciados em drogas para clínicas de tratamento. Atualmente, a
Secretaria de Negócios Jurídicos analisa como realizar a triagem dos menores
antes de interná-los. A presença do Judiciário na cracolândia, na visão da
Prefeitura, agilizaria o processo.
O modelo escolhido pelo Rio - levar indiscriminadamente jovens
viciados às clínicas - não é visto com bons olhos pela gestão de Gilberto
Kassab (PSD). "O que pode acontecer são centros de triagem dos quais a
secretaria é partícipe, mas não detentora da unidade", disse o
secretário adjunto da Saúde, José Maria da Costa Orlando.
"Primeiro, precisamos decidir se isso vai acontecer. Se acontecer, o
modelo pode ser o de ampliação da iniciativa do Said (Serviço de Atenção
Integral ao Dependente, iniciado em 2008, com 80 leitos). Nossa ideia,
diferentemente do Rio, foi desenvolver os passos para, após a triagem, oferecer
o suporte necessário. Assim, estaremos melhor preparados se for tomada a
iniciativa da internação compulsória", afirmou Orlando.
O secretário adjunto afirmou que essa decisão, polêmica, será tomada em
breve. "É um assunto que não pode mais esperar", disse. A nova
política, reconhece a secretaria, demandará, além de novos Saids, uma
ampliação da oferta do número de vagas existentes na rede de clínicas
conveniadas com o município.
Atualmente, segundo dados do Departamento Estadual de Investigações sobre
Narcóticos (Denarc), da Polícia Civil, somente na cracolândia há uma
população flutuante de 2 mil usuários de droga, embora grande parte seja
formada por maiores de idade. / V.H.B. e ADRIANA FERRAZ
TJ vai à
cracolândia julgar internação
Pela primeira vez, a Justiça montará um posto com
juízes na região para definir o tratamento compulsório de crianças viciadas
VITOR HUGO
BRANDALISE - O Estado de S.Paulo 03/10/2011
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) vai montar um posto na
cracolândia, na região da Luz, no centro da capital, para definir a internação
compulsória de crianças e adolescentes viciados em crack. A partir deste mês,
15 juízes serão destacados para realizar audiências concentradas com os menores
que vivem nas ruas para estabelecer quando devem ser internados em clínicas,
encaminhados a abrigos ou retornar às famílias.
O projeto da Coordenadoria da Infância e da Juventude do TJ-SP foi
aprovado há 15 dias pelo presidente do tribunal, desembargador José Roberto
Bedran, e prevê a instalação de um posto móvel na cracolândia, com presença
obrigatória de um juiz. É a primeira vez que o Judiciário paulista decide
atuar, com espaço físico próprio, na mais degradada área do centro paulistano.
Os juízes realizarão as audiências na rua, dentro do posto móvel, após
abordagem de um assistente social da Prefeitura ou da Defensoria Pública. Será
aplicado um questionário ao jovem, que serve para traçar seu perfil e da sua
família e então definir o encaminhamento. O projeto prevê parceria com a
Secretaria Municipal da Saúde: psiquiatras da rede pública serão destacados
para realizar os laudos para possíveis internações.
"Somos contra a internação compulsória geral, como está sendo feito
no Rio. O objetivo do projeto é entender em quais casos há necessidade de levar
a criança a uma clínica mesmo contra sua vontade e qual a melhor forma de
encaminhamento legal", disse o coordenador da Infância e Juventude do
TJ-SP, desembargador Antonio Carlos Malheiros, criador do projeto. "Com o
Judiciário em cima, vivendo a realidade das ruas, vamos garantir o respeito à
legislação e aos direitos humanos."
A Prefeitura apoia a parceria e estuda formas de viabilizar a atuação
conjunta. "A Prefeitura, por meio das Secretarias de Saúde, Assistência
Social e Negócios Jurídicos, vem participando de reuniões contínuas com a Vara
da Infância e Adolescência do TJ-SP e tem total interesse em todas as
ações", informou.
Além das reuniões com as secretarias, Malheiros e outros juízes se
reuniram nas últimas semanas com integrantes da Defensoria Pública, do
Ministério Público e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP). "Estamos
acertando detalhes sobre a atuação de cada órgão. A previsão é que as
audiências comecem ainda em outubro."
Apoio.A Defensoria Pública também apoia o projeto. "Podemos colaborar na
abordagem, servindo como mediadores entre o juiz e as crianças. Adquirimos essa
experiência em projetos de apoio aos moradores de rua e isso pode ser usado com
as crianças e adolescentes", disse Carlos Weis, coordenador do Núcleo
Especializado de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria de São Paulo.
Psicólogos e assistentes sociais da Defensoria devem atuar no projeto.
"O grande desafio na questão da internação compulsória é não haver
desrespeito aos direitos da criança. Trabalhando com o Judiciário ao lado, as
decisões sobre cada caso serão mais seguras", disse o secretário especial
de Direitos Humanos da Prefeitura, José Gregori.
O posto móvel do TJ será colocado, inicialmente, perto da Estação da Luz,
na Rua Mauá. Ficará aberto de manhã e à tarde. E terá existência temporária,
até que os juízes "adquiram a experiência do que acontece nas ruas",
na definição de Malheiros. "Em alguns meses, teremos resultados e
definiremos quanto tempo será necessário mantermos o esforço na
cracolândia."
Usuários
de cocaína têm risco muito maior de glaucoma
HypeScience
Uma
nova pesquisa afirma que usuários de cocaína podem ter um risco aumentado de
desenvolver um tipo de glaucoma.
Os pesquisadores americanos analisaram os registros de saúde de 5,3 milhões
de veteranos dos EUA em 2009. Cerca de 90% dos veteranos eram do sexo
masculino.
Cerca de 178 mil veteranos que foram atendidos em ambulatórios tinham um
diagnóstico de abuso ou dependência de cocaína.
Os pesquisadores descobriram que cerca de 83 mil, ou cerca de 1,5% dos
veteranos, tinham glaucoma.
Os participantes do estudo que tinham usado ou estavam usando cocaína eram
mais propensos do que os não usuários a ter glaucoma de ângulo aberto, o tipo
mais comum de glaucoma e a segunda causa mais comum de cegueira nos EUA.
Glaucoma de ângulo aberto é uma condição que está ligada a um aumento da
pressão intraocular que, gradualmente, fere o nervo óptico. Com o tempo, essa
pressão pode levar à perda substancial da visão periférica.
Os usuários e ex-usuários de cocaína tinham um aumento de 45% no risco de
glaucoma de ângulo aberto.
Além disso, o estudo descobriu que pacientes com glaucoma e um histórico de
uso de drogas ilegais eram quase 20 anos mais jovens do que pacientes com
glaucoma sem histórico de exposição a drogas – ou uma média de idade de 54
versus 73 para não usuários de drogas.
Homens com glaucoma de ângulo aberto também tinham exposições significativas
a maconha e anfetaminas, como metanfetamina, apesar de terem usado menos
estas drogas do que a cocaína.
Segundo os pesquisadores, a associação do uso de drogas ilegais com glaucoma
de ângulo aberto requer um estudo mais aprofundado, mas se a relação for
confirmada, pode levar a novas estratégias para evitar a perda de visão.
Embora os cientistas estejam aguardando confirmação, é improvável que o
glaucoma tenha precedido o uso de drogas ilegais, uma vez que o uso da
substância começa tipicamente na adolescência ou nos 20 anos.
Mesmo assim, o estudo apenas mostrou uma correlação entre o uso de cocaína e
o risco de glaucoma, e os cientistas não podem dizer se um causou o outro.[LiveScience]
Cartilha
que ensina como usar drogas é distribuída a crianças
Material
sobre redução de danos foi dada aleatoriamente, diz MP.
Folheto deveria ter sido entregue apenas a us uários em Sorocaba, SP.
Do G1
SP, com informações do Bom Dia Brasil
Uma
cartilha causa polêmica com orientações sobre o uso de drogas pesadas,
preparada com base na política de redução de danos, foi parar na mão de
crianças e adolescentes em Sorocaba, no interior de São Paulo. O folheto foi
distribuído aleatoriamente. Os pais que viram a cartilha ficaram assustados e
procuraram a Prefeitura da cidade cobrando explicações.
A cartilha ensina, por exemplo, em que parte do corpo o viciado deve injetar
drogas, explica ainda o que se deve fazer para evitar a overdose. O folheto
do Ministério da Saúde deveria ser entregue apenas para jovens que usam
drogas injetáveis. O material foi produzido para mostrar o perigo da
transmissão de doenças entre as pessoas que usam a mesma seringa e a mesma
agulha.
“Se caiu nas mãos de pessoas que não eram o público-alvo, a gente está
investigando como isso aconteceu e vai estar conversando com as equipes para
ter mais cuidado. Também dizer por que eventualmente caiu na mão de alguma
pessoa que não é usuária, que lê aquilo e vai fazer com que ela comece a usar
droga, eu acho que é uma visão totalmente ingênua do problema”, afirmou a
secretária municipal de Juventude de Sorocaba, Edith di Giorgi.
O Ministério Público também critica a distribuição aleatória do material.
“Pode ser um indutor do jovem, pela sua curiosidade, a entender que esse
material é distribuído gratuitamente. E o governo, de certa forma, estaria
incentivando o uso de drogas. Provavelmente vai ser expedida uma advertência
para a prefeitura para que faça essa distribuição em locais apropriados, por
pessoas determinadas, para realmente atingir o público-alvo da campanha”,
afirma o promotor da Infância e Juventude Antônio Farto Neto.
Os vereadores de Sorocaba convocaram a secretária de Juventude para
esclarecer por que o material de redução de danos foi parar nas mãos de
crianças. Eles também querem um maior controle na distribuição dos folhetos, que
já foram retirados de circulação. O Ministério da Saúde ressaltou que a
distribuição dos folhetos deve ser feita unicamente para quem usa drogas
injetáveis como maneira de prevenir o contágio de Aids e hepatite.
Álcool
e drogas comprometem muito a memória, alerta neurologista
G1
Tarso Adoni, do Sírio-Libanês, respondeu a perguntas após o programa.
Principal motivo do mal de Alzheimer é o envelhecimento, não a genética.
O neurologista Tarso Adoni, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo,
respondeu a perguntas sobre memória feitas pelos telespectadores e
internautas do Bem Estar nesta quinta-feira (29).
Segundo ele, álcool e drogas podem comprometer muito essa área do
cérebro. Já o cigarro é um fator de risco indireto, pois atinge os vasos
sanguíneos do corpo e pode aumentar as chances de derrame.
Não existe um lugar do encéfalo específico para a memória, mas sim
estruturas cerebrais que tornam possível esse processo, como o hipocampo e os
lobos temporais.
De maneira geral, as perdas orgânicas de memória não são recuperadas.
Mas falhas associadas a momentos de estresse ou tristeza podem voltar.
Remédios para tratar problemas de memória devem ser usados apenas por
pacientes com mal de Alzheimer ou outras doenças degenerativas, sempre sob
recomendação médica.
O remédio, nesse caso, freia o avanço da doença, fazendo com que ela
se torne mais branda. E é importante diferenciar um esquecimento corriqueiro
de um problema de demência, que é quando a falta de memória começa a
comprometer a vida do indivíduo (o que ele fazia bem antes se torna difícil,
ele se perde em trajetos habituais, se torna repetitivo, esquece onde guarda
coisas habituais, etc).
O principal motivo do aparecimento do Alzheimer é o envelhecimento, e
começa em geral após os 65 anos de idade. Apenas 10% dos casos são motivados por
fatores genéticos.
Quando nascem, os bebês têm um esboço de memória, que nessa fase é
algo mais rudimentar. Já na infância, ainda é normal esquecer-se de episódios
e lembrar apenas de flashes ou dos eventos, mas não de detalhes.
Na gestação e durante a amamentação, há uma mudança hormonal na mulher
e também noites mal dormidas que podem influenciar a memória. A privação de
sono tem papel fundamental no processo de retenção de informações, e acordar
muito à noite para dar de mamar pode atrapalhar esse mecanismo.
Amnésia, de acordo com Adoni, é um termo genérico para perda de
memória. O especialista destacou a importância do peixe e de outros alimentos
presentes na dieta mediterrânea para o funcionamento do cérebro e também do
coração.
Estresse pode interferir na memória, da mesma forma que contar
histórias muito compridas, cheias de detalhes, pode fazer com que a pessoa
perca "o fio da meada". Acidentes e traumatismos cranianos também
podem levar a uma amnésia transitória.
Transtorno de deficit de atenção e hiperatividade (TDAH) pode causar
problemas de retenção e consolidação de informações. Mas também há um excesso
de diagnóstico da doença e de uso de remédios, principalmente entre crianças.
Por fim, o neurologista disse que não há um limite de armazenamento do
cérebro, e o mais importante é inter-relacionar as informações. Com o passar
do tempo, algumas memórias são atenuadas, e há fatores sensoriais (como
cheiros, gostos e músicas) que ativam algumas lembranças do passado.