segunda-feira, 9 de julho de 2012

Decisão de enganar alguém vem de área específica do cérebro


DECISÃO DE ENGANAR ALGUÉM VEM DE ÁREA ESPECÍFICA DO CÉREBRO, DIZ ESTUDO





Em anos recentes, os neurocientistas descobriram que as pessoas raramente tomam decisões de maneira isolada porque são sensíveis ao que outras pessoas querem e esperam

Revista Época
Muitas áreas do cérebro lidam com as tarefas sociais, mas os cientistas da Universidade Duke identificaram uma que atua especificamente na maneira de agir quando nos encontramos com um oponente e pensamos em enganá-lo, segundo um artigo publicado nesta quinta-feira pela revista "Science".
As interações sociais fazem com que o cérebro opere sob regras diferentes e podem influir na tomada de decisões, assinala o artigo.
Em anos recentes, os neurocientistas descobriram que as pessoas raramente tomam decisões de maneira isolada porque são sensíveis ao que outras pessoas querem e esperam.
Pesquisador de Harvard diz: o otimismo é o maior indicador de sucesso
"Uma ligação telefônica e uma conversa rápida com a mãe ou com um amigo pode nos fazer pensar duas vezes antes de tomarmos uma decisão, e pode nos dar a coragem para seguir adiante com um plano", acrescenta.
Scott Huettel e seus colegas do Centro Interdisciplinar para Ciência de Decisões em Duke (Carolina do Norte) desenvolveram uma experiência na qual os participantes, que eram pessoas comuns sem experiência no pôquer, jogavam partidas virtuais contra um humano e um computador.
Os participantes jogaram conectados a um aparelho de imagem funcional por ressonância magnética (MRIf) e, mediante algoritmos de computador, os pesquisadores escanearam 55 regiões do cérebro e puderam observar o volume de informações processadas por cada área do cérebro.
Os cientistas verificaram que uma só região cerebral, a conjunção temporal parietal (CTP), se ocupa das informações específicas acerca das decisões tomadas contra outro humano.
A CTP é uma área do cérebro no extremo posterior do sulco lateral, onde se encontram os lóbulos temporal e parietal, e que, de acordo com os cientistas, desempenha um papel crucial nos processos de distinção do eu e dos outros.
Alguns experimentos demonstraram que o estímulo elétrico da CTP pode causar experiências extracorpóreas, e os transtornos eletromagnéticos nessa área afetam a capacidade do indivíduo para a tomada de decisões morais.
Em algumas partidas de pôquer da experiência em Dukek, os participantes receberam uma "mão" de cartas obviamente fraca, e os pesquisadores observaram a forma como o jogador pensava em enganar seu adversário.
Os sinais do cérebro, captados pelo MRIf, indicaram aos cientistas quando o participante pensava em blefar, se considerasse o adversário um bom jogador de pôquer. Já quando o participante jogava contra um computador, os sinais desde a CPT não indicavam as decisões que tomaria.
O principal pesquisador do estudo, McKell Carter, indicou que a CPT é uma área limítrofe no cérebro e pode estar na interseção onde se reúnem as informações de atenção e as informações biológicas.
Antes de começar a partida, os participantes se apresentavam e apertavam a mão de seus adversários humanos. Em geral, segundo observou Carter, os participantes prestavam mais atenção no adversário humano que no computador, o que é coerente com o impulso humano de comportamento social.
"Há diferenças neurais que são fundamentais entre as decisões tomadas em um contexto social e um não social", indicou Huettel, autor principal do artigo.
"A informação social pode fazer com que nosso cérebro jogue com regras diferentes das que usaria em uma situação não social", acrescentou. "E é importante que tanto os cientistas quanto os políticos compreendam o que faz com que encaremos uma situação de maneira social ou não social", complementou. EFE

Suplemento alimentar só pode ser indicado por médico ou nutricionista


Suplemento alimentar só pode ser indicado por médico ou nutricionista





Educador físico não pode fazer recomendação a alunos nas academias.
Anvisa classifica produtos para atletas em seis categorias diferentes.

Luna D'Alama Do G1, em São Paulo

Apesar de estarem na moda e serem vendidos em muitas academias do país, os suplementos alimentares são feitos apenas para atletas de alto rendimento, profissionais ou não, e só podem ser recomendados por médicos ou nutricionistas.
"O professor de educação física não deve prescrever nada, senão se torna um desvio de função. Nós trabalhamos com prevenção, o nutricionista atua com alimentos e o fisioterapeuta, com patologias", afirma o presidente do Conselho Regional de Educação Física do Estado de São Paulo (Cref/SP), Flavio Delmanto.
Ele destaca que esse procedimento é divulgado aos profissionais filiados e que o mercado tem espaço para todos, desde que respeitada cada atribuição. Em relação à venda dos suplementos nas academias, Delmanto diz que a fiscalização deveria ser feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Solonei se prepara para o Troféu Brasil de Atletismo (à dir.) em 2011, quando ficou em quarto lugar, e ao lado aparece na chegada da 18º Maratona de SP, em que ficou em primeiro . O educador físico Mauro Guiselini complementa: "Existem personal trainers que aprendem as regras básicas da suplementação e sugerem aos alunos. Isso é ruim para a profissão, pois é o mesmo caso de praticar medicina ilegalmente. Tanto que alguns profissionais já foram advertidos e até suspensos", diz. De acordo com Guiselini, o grande problema é vender anabolizantes e hormônio do crescimento no lugar de suplemento. "Aí o professor vira o cara que vende a droga."
Além disso, esses produtos não podem fazer propagandas enganosas, prometendo no rótulo uma eventual perda de peso ou ganho de massa muscular. A Anvisa proíbe palavras ou imagens que façam referência a hormônios ou induzam o consumidor sobre eventuais efeitos. Estão vetadas, portanto, expressões como "anabolizantes", "massa muscular", "hipertrofia muscular", "queima de gorduras" ou "fat burners", e "aumento da capacidade sexual".
Segundo a nutricionista da área esportiva Mirtes Stancanelli, que atua na Seleção Brasileira de Basquete Feminino, a idade média dos principais usuários no país vai dos 20 aos 35 anos, e as mulheres já são um público-alvo considerável.
O professor de educação física não deve prescrever nada, senão se torna um desvio de função. Nós trabalhamos com prevenção, o nutricionista atua com alimentos e o fisioterapeuta, com patologias"
Flavio Delmanto, presidente do Cref/SP

Na hora de determinar o que e quanto uma pessoa vai tomar de suplemento, é fundamental saber se ela está desprovida de algum nutriente, se a atividade que desempenha envolve força, e qual o tempo e a intensidade do exercício.
"Quem consome esses produtos sem indicação de um profissional pode ter problemas no fígado, nos rins e no coração. Ferro demais, por exemplo, pode se depositar nas artérias e causar cansaço. Muita vitamina C é capaz de aumentar o risco de pedras nos rins. E, no fígado, pode haver um acúmulo de gordura. O que a ciência coloca não é de agrado da indústria, mas a verdade é essa", explica.
Além disso, se o indivíduo for mal orientado, pode aumentar o percentual de gordura, ter acne, gases e alergias respiratórias, no caso de consumir um excesso de proteínas. Pode, ainda, apresentar dificuldade de digestão.
No caso da creatina, por exemplo, é permitido tomar por dia apenas 0,3 mg por quilo de peso corporal, ressalta Mirtes. Quanto ao isotônico, ele só deve ser uma opção quando há realmente uma desidratação, ou seja, perda de 2% a 3% de peso corporal em uma única atividade.
Outro ponto que deve ser observado é que, quando a pessoa para de usar o suplemento, pode levar até dois anos para readquirir a forma anterior, já que os produtos servem para acelerar esse processo.
Para quem quiser opções naturais e mais saudáveis de vitaminas e proteínas, a nutricionista sugere suco de frutas, leite, iogurte, queijo, carne vermelha e ovos.
Seis categorias
A Anvisa divide os suplementos alimentares em seis categorias diferentes: hidroeletrolíticos (isotônicos, que hidratam as células), energéticos (basicamente carboidratos, como maltodextrina, em géis, pó ou suco), suplementos de proteínas (barrinhas de proteínas e gorduras para recuperação pós-treino), produtos para substituição parcial de refeições (shakes ou pós capazes de suprir eventuais necessidades de proteínas, carboidratos e gorduras), complementos de creatina (proteína para liberação rápida de energia em atividades de alta intensidade, como atletismo e natação) e bebidas com cafeína (energéticos e estimulantes).
No Brasil, essas substâncias estão isentas de registro, mas devem seguir um regulamento técnico da Anvisa de abril de 2010, que estabelece critérios de classificação, indicação, composição e rotulagem. Também precisam de um número de notificação junto ao órgão de vigilância sanitária estadual ou municipal sobre o início da fabricação ou a importação.
Quem toma esses produtos sem indicação de um profissional pode ter problemas no fígado, nos rins e no coração" Mirtes Stancanelli, nutricionista do esporte

Cada produto deve informar esse número de notificação, a lista de ingredientes, as informações nutricionais e o prazo de validade.
Já os suplementos vitamínicos ou minerais – cápsulas que podem suprir demandas de ferro, cálcio, zinco, etc – não precisam de registro se os nutrientes não ultrapassarem 100% da ingestão diária recomendada. Se isso ocorrer, o produto é considerado um medicamento e necessita de autorização da Anvisa.
Caso as normas para os suplementos alimentares sejam descumpridas, como no caso de propaganda enganosa, o infrator deve ser penalizado, segundo uma lei de 1969 e outra de 1977. Também deve ser aberto um processo administrativo sanitário.
Multas são analisadas individualmente, e a empresa pode ter o produto suspenso por oferecer risco à saúde da população. A fiscalização deve ficar a cargo da vigilância sanitária local, que precisa encaminhar os dados à Anvisa, responsável pelas autuações e publicações no Diário Oficial da União.
Complemento dos treinos
O maratonista Solonei Rocha da Silva, vencedor dos Jogos Pan-Americanos de 2011 e da 18ª edição da Maratona de São Paulo, realizada no dia 17 de junho, é um dos milhares de atletas brasileiros que usam suplementos para melhorar o desempenho físico.
Aos 30 anos, o ex-catador de lixo que hoje mora em Bragança Paulista (SP) corre todos os dias cerca de 30 km, além de fazer fortalecimento muscular uma vez por semana. Para aguentar a rotina pesada, ele recebe acompanhamento nutricional na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde foi orientado a tomar isotônicos, proteínas, sachês e pós de carboidratos.
Isso tudo serve para dar um ganho energético rápido, o que pode ser feito antes, durante e/ou depois dos exercícios, dependendo de cada caso. No de Solonei, a suplementação ocorre após o treinamento. E ele já mira na São Silvestre, em 31 de dezembro.
"Também passei a ter mais nutrientes dos alimentos, como suco de laranja e leite de vaca e de soja, que eu não ingeria antes. O cálcio do leite ajuda a fortalecer os ossos, que sofrem muito impacto na corrida. E todo o conjunto de suplementos faz com que meu corpo responda melhor, sem ficar musculoso", diz o maratonista, que tem 59 kg em 1,77 m.
Os suplementos atraem também quem não é profissional. Ao frequentar a academia seis vezes por semana, o estudante de administração Renato Escudero, de 21 anos, não lembra em nada o adolescente sedentário e obeso que foi um dia.
Renato Escudero vai à academia seis vezes por semana e enxugou 20 kg. Há cinco anos, ele foca no ganho de massa magra e está tomando proteínas, aminoácidos, energéticos e isotônicos  (Foto: Arquivo pessoal)
Há quase cinco anos, o morador de São José dos Campos (SP) trocou as comidas gordurosas e calóricas por proteínas, aminoácidos, energéticos e isotônicos. Com isso e muita malhação, enxugou 20 kg e começou a focar no ganho de massa magra. Hoje, exibe 92 kg em 1,87 m de altura.
De segunda a sábado, Renato faz 40 minutos de musculação e 10 minutos de esteira. Geralmente depois do exercício, ele toma proteína de soro de leite, glutamina e um complexo de aminoácidos para recuperação muscular. Os produtos vêm em pó e são misturados com água. “Quando chego em casa, como um sanduíche de pão integral, queijo branco, peito de peru, atum ou frango”, cita.
O estudante começou a tomar os suplementos por conta própria: interessou-se pelo assunto, pesquisou e foi atrás. “No começo, tive problema de estômago, desconforto, passei mal. Mas foi só no primeiro mês. Acho até que foi psicológico”, diz Renato.
Os produtos para complementar os treinos na academia também caem no gosto das mulheres que buscam um corpo mais definido. É o caso da fisioterapeuta e personal trainer Luana Veronesi, de 28 anos, adepta dos suplementos há um ano e meio. Ela malha desde os 16 anos, mas de dois anos para cá intensificou a rotina.
A fisioterapeuta e personal trainer Luana Veronesi malha há 12 anos, mas intensificou a rotina de treinos há dois. Como complemento, ela toma aminoácidos, carboidrato, proteínas e vitaminas (Foto: Arquivo pessoal)
Luana toma aminoácidos líquidos pré-treino. Antes e depois, aposta em proteínas isoladas (com sabor de chocolate, baunilha, limão, uva ou tangerina), que ajudam a queimar apenas a gordura, deixando a massa magra intacta. Além disso, ela consome o carboidrato maltodextrina antes, durante e depois da malhação. Quando treina muito pesado, ainda ingere creatina.
A jovem também toma cápsulas manipuladas de vitamina C e E e um polivitamínico, sempre depois da atividade física. Segundo ela, os comprimidos ajudam na imunidade e na construção muscular.
"Todos esses suplementos são muito calóricos, por isso diminuí os carboidratos da alimentação. Não dá para usar isso tudo e ainda ter uma dieta ruim", diz Luana, que mora em Mogi-Mirim (SP) e vai à academia de segunda a sábado.
A fisioterapeuta pesa 69 kg em 1,74 m de altura, mas quem avalia seu peso pela balança se engana. Ela tem apenas 17,5% de gordura no corpo, um padrão considerado ideal.
Todo o conjunto de suplementos faz com que meu corpo responda melhor, sem ficar musculoso." Solonei Rocha da Silva, maratonista
"Antes eu tomava sem orientação, mas parava, não sabia ao certo o que poderia acontecer: engordar, inchar. Agora tenho acompanhamento", revela.

Substâncias proibidas
Nas normas da Anvisa, também há uma lista de substâncias que não podem entrar na composição dos alimentos para atletas. Entre elas, estão: guaraná, erva-mate, ginseng, gengibre, chá verde e aminoácidos como leucina, isoleucina e valina – que, neste último caso, podem ser registrados como novos alimentos.
A taurina é permitida em energéticos desde que dentro de um limite de 400 mg para cada 100 ml de produto. A regra vale tanto para as marcas nacionais quanto importadas. Outro aminoácido, a carnitina, não pode entrar nesses suplementos específicos para atleta, mas tem previsão de uso em outras categorias, como remédios emagrecedores.
Outros tipos de aminoácidos podem ser usados combinados, para melhorar a qualidade de proteínas do produto, mas não devem ser consumidos de forma isolada. No caso do ginseng e de outras substâncias, como efedrina e garcinia cambogia, o uso está liberado na área de medicamentos.

Regras específicas
Sobre os isotônicos, a resolução da Anvisa diz que eles não podem ultrapassar 1.150 mg/l de sódio, e a concentração de potássio não pode ser superior a 700 mg/l. Por outro lado, podem ser adicionados de vitaminas e minerais, mas não de fibras. As regras também falam sobre o limite máximo de carboidratos e frutose (açúcar das frutas) no preparo desses líquidos.
No caso dos energéticos ou carboidratos, o suplemento não pode conter mais de 75% do valor energético proveniente dessa fonte. Em gramas, não deve passar de 15 g na porção pronta para o consumo. A Anvisa diz, ainda, que esses produtos podem ter gorduras e proteínas, mas não fibras e substâncias consideradas "não nutrientes".
Todos esses suplementos são muito calóricos, por isso diminuí os carboidratos da alimentação. Não dá para usar isso tudo e ainda ter uma dieta ruim" Luana Veronesi, fisioterapeuta e personal trainer
Quanto aos suplementos de proteínas, devem ter pelo menos 10 gramas do componente em cada porção. Metade das calorias precisa ter origem proteica e também não é permitido adicionar fibras ou não nutrientes.
Em relação aos suplementos para substituição parcial de refeições, os famosos shakes, existe uma quantidade máxima permitida de carboidratos (de 50% a 70%), proteínas (de 13% a 20%) e gorduras (até 30%) sobre o total do valor energético. O produto deve fornecer pelo menos 300 kcal por porção. Além disso, o teor de gorduras saturadas e trans não pode ultrapassar 10% e 1%, respectivamente. E, ao contrário dos anteriores, esses complementos podem ter fibras.
A Anvisa também prevê critérios para os suplementos de creatina, cuja concentração deve ficar entre 1,5 g e 3 g por porção. O grau de pureza da substância precisa chegar a 99,9%. E não podem ser adicionados carboidratos nem fibras.
Por fim, os complementos de cafeína não podem ficar abaixo de 210 mg nem acima de 420 mg por porção. Não pode haver adição de nutrientes ou não nutrientes.

Alimentos que exigem registro no Brasil
Os alimentos que são obrigados a ter registro da Anvisa no país são: produtos funcionais (aqueles com ação comprovada sobre colesterol, intestino ou envelhecimento), substâncias probióticas (iogurtes que facilitam o funcionamento intestinal), alimentos infantis (como papinhas), produtos para nutrição enteral (por sonda em pacientes hospitalizados), embalagens recicladas para contato com alimentos e os chamados novos alimentos ou ingredientes (cápsulas, comprimidos e tabletes de vários componentes, como óleos, derivados de soja, fitoesteróis, quitosana e licopeno).
Nessa última categoria, encontram-se também produtos feitos de frutas ou vegetais submetidos a processamento de secagem ou desidratação.

Qual o país com o maior consumo de maconha e cerveja?


Pequena ilha do Pacífico é "maior consumidora de maconha e cerveja"

Dois relatórios mundiais apontaram a ilha de Palau como a maior consumidora mundial per capita destes dois itens. Método usado para obter os resultados está sendo contestado

Um pequeno grupo de ilhas do Pacífico com a população de uma cidade pequena foi considerado o país com o consumo mais alto de cerveja e maconha.
O Relatório Mundial sobre Drogas de 2012 da ONU, publicado em junho, diz que a nação com o nível mais alto de uso de maconha entre adultos é Palau.
O diminuto país, que é parte da Micronésia, no oeste do oceano Pacífico, abriga somente 21 mil pessoas. Mas lá, um quarto dos adultos consome a substância.
BBC
Palau: autoridades do pequeno país contestam dados da ONU
Os palauanos não só estão à frente de todo o mundo com o número, como lideram com uma margem expressiva. O segundo país da lista é a Itália, onde – segundo o relatório – cerca de 15% dos adultos usam a droga.
Se a ideia de que Palau é uma espécie de retiro hedonista soa familiar, pode ser porque a ilha já esteve no topo de uma tabela da Organização Mundial de Saúde em 2011, que examinava outro vício.
De acordo com o relatório global sobre álcool e saúde da OMS, os palauanos bebem mais cerveja per capita do que qualquer outro país do mundo.

Dados intrigantes
Mas o que acontece com Palau? Vamos observar primeiro as estatísticas da bebida. O relatório da OMS foi publicado em 2011, mas contém dados de 2005. Isso é importante porque, por alguma razão, os palauanos parecem ter bebido mais naquele ano. Em outros anos, eles caem algumas posições na tabela.
Mas, o mais importante é que, apesar de beberem muita cerveja, os habitantes de Palau não bebem muito mais de nada. Quando se olha para o total de álcool consumido – em vez de só cerveja – Palau cai para o 42º lugar, de 188. Nessa lista, é a República Tcheca que tem a honra dúbia de estar no topo.

Os dados da ONU de 2012 sobre Palau são ainda mais problemáticos do que os da OMS. Os autores do relatório não conseguiram obter dados sobre adultos na pesquisa em Palau. Então eles usaram uma pesquisa sobre uso de maconha entre alunos da rede pública e extrapolaram estes resultados para estimar um dado sobre a população adulta. Há somente uma escola pública em Palau, com 742 estudantes. Os autores da pesquisa calcularam que cerca de 60% dos 565 estudantes que responderam a pesquisa haviam usado maconha pelo menos uma vez e quase 40% disseram que haviam usado no mês anterior.
Para comparar, uma pesquisa semelhante com estudantes americanos descobriu que 23% deles diziam ter usado maconha no mês anterior. Mas apesar de os números da escola palauana serem chocantes, a amostra é realmente pequena e pouco representativa da população como um todo (espera-se que os adolescentes de Palau fumem mais maconha do que seus pais de meia-idade).

Margem de erro 
O diretor do Ministério da Educação de Palau, Emery Wenty, simplesmente não acredita nos dados da ONU.
"Palau é uma ilha muito pequena. Se o uso de maconha é tão prevalente quanto diz a ONU, você veria e sentiria o cheiro em todos os lugares. Mas isso não acontece", diz.
"Conhecemos quase todo mundo. É inconcebível que um quarto da população fume maconha."
Wenty admite que o consumo da droga pode ser um problema na escola, mas diz que há cerca de 500 outros jovens em Palau estudando em escolas privadas – a maioria religiosas.

Angela Me, uma estatística da ONU que trabalha no Relatório Mundial sobre Drogas, aceita algumas das críticas de Wenty. Há um problema especial, segundo ela, com a coleta de dados em populações muito pequenas, porque um pequeno número de pessoas mudando de comportamento pode provocar uma mudança drástica nas estatísticas.
No entanto, ela afirma que os dados o relatório, sejam quais forem suas deficiências, sugerem que há uma prevalência relativamente alta de uso de drogas em algumas nações insulares do Pacífico.
"Vamos ter uma reunião sobre as ilhas do Pacífico. Queremos coletar mais informação e reduzir a margem de erro", diz.

Talvez seja prudente esperar até que a ONU complete sua coleta de dados antes de concluir que a pequena Palau é realmente a capital mundial da bebida e das drogas.
Veja quem são os maiores consumidores de cerveja (em litros consumidos per capita, por maiores de 15 anos):
1º - Palau - 8,68
2º - República Tcheca - 8,51
3º - Seycheles - 7,15
4º - República da Irlanda - 7,04
5º - Lituânia - 5,60

Conheça os maiores consumidores de maconha (uso em percentual da população de 15 a 64 anos):
1º - Palau - 24,2%
2º - Itália - 14,6%
3º - Nova Zelândia - 14,6%
4º - Nigéria - 14,3%
5º - EUA - 14,1%
Fontes: Relatório Mundial sobre Drogas da ONU (2012) e Relatório Global da OMS sobre álcool e saúde (2011)

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Consumo de drogas avança nas escolas


Consumo de drogas avança nas escolas




Correio Braziliense – Brasil – Mara Puljiz

Pesquisa do Ministério da Justiça revela que alunos das redes pública e particular usaram mais entorpecentes nos últimos seis anos.

Hoje, faz 25 anos da instituição do Dia Internacional de Combate às Drogas pela Organização das Nações Unidas (ONU). Passadas duas décadas, no entanto, a situação se agrava, com o número elevado de dependentes químicos e o consequente aumento da oferta de entorpecentes por parte dos traficantes. Para os criminosos, os estudantes dos ensinos fundamental e médio são os alvos preferidos. O último levantamento feito pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, mostrou que um terço dos 2.425 jovens entrevistados nas redes pública e particular do Distrito Federal — 31,6% — consumiu drogas pelo menos uma vez. Do total de crianças e adolescentes ouvidos no estudo de 2010, 1,1% admitiu o uso frequente.

Entre os que confirmaram ter experimentado pelo menos uma vez na vida, 32,2% eram do sexo feminino e 30,8%, homens. O estudo mostrou ainda que 10,2% tinham entre 10 e 12 anos. E 51,3%, entre 16 e 18 anos. Já a proporção de estudantes brasilienses que consomem cocaína passou de 1,8%, em 2004, para 4,1% em 2010 (leia arte). Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), em todo o mundo, há mais de 200 milhões de usuários de drogas — 40 milhões são dependentes.

Aos 14 anos, Paulo* usou cocaína, maconha e alucinógenos. Ficou viciado aos 12 e logo começou a traficar para ganhar dinheiro e sustentar o vício. Também matou um amigo, por dívidas com entorpecentes. O adolescente via a escola como um lugar lucrativo. Na mochila, escondia maconha, crack e cocaína para vender aos colegas. “A polícia fazia a revista na gente só na hora da saída, mas, daí, já tinha acabado tudo. Eu começava vendendo às 6h e só parava às 22h. Em um dia, eu já fiz R$ 1 mil. Durante a madrugada, dava para fazer até R$ 2 mil”, contou.

Paulo será pai. A namorada, de 15 anos, está grávida. O jovem contou ao Correio ter matado mais três pessoas, entre eles, um homem, durante um roubo de carro em São Sebastião. A vítima estava em um Fiat Uno. Mesmo após tantos assassinatos, o garoto ficou menos de dois meses internado no Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje), em razão do terceiro homicídio. “Para mim, o que eu passei lá foi muito. Quarenta e cinco dias parecem dois anos”, disse.

As drogas também fizeram um estrago na vida de Renato, 14 anos. Ele vive há uma semana em uma casa de recuperação para se livrar do vício do crack. O consumo era feito com o próprio pai. “Ele tem uma plantação de maconha em casa e vende até hoje. Quando o meu pai fumava crack, caíam umas pedrinhas no chão e eu pegava para fumar também”, contou.
O menino usa drogas desde os 10 anos. Há menos de um mês, Renato perdeu a irmã. Um homem entrou na casa onde a família mora e estuprou e matou a jovem. Sob o efeito de drogas, ninguém da família viu o autor da barbárie. Por causa do crack e de outras drogas, Renato parou de estudar na 3ª série do ensino fundamental. “Eu não quero mais isso para mim, não. Quero ser cientista para acabar com essa droga no mundo”, disse o garoto, que sonha em prestar vestibular para engenharia.

Prevenção
A chefe do Núcleo de Coordenação de Direitos Humanos da Secretaria de Educação, Maraísa Bezerra Lessa, informou que a prevenção tem sido o foco na política de enfrentamento ao crack nos colégios da capital federal. Um curso de prevenção para 1,5 mil educadores será oferecido em parceria com a Universidade de Brasília (UnB) e a Senad até julho.

No último dia 18, uma palestra sobre drogas também foi ministrada para sensibilizar professores quanto a importância de se tratar o tema em sala de aula. “A escola tem que incentivar o espírito crítico. A dificuldade de lidar com a temática é geral por causa do medo, mas, aos poucos, essa postura está mudando”, acredita Maraísa.

O secretário de Justiça e Cidadania, Alírio Neto, também destacou que as secretarias de governo têm trabalhado de maneira integrada e focada na prevenção. Para 2012, o objetivo é que 300 mil alunos e 70 mil operários recebam palestras educativas como política de combate às drogas. “As leis que regem o tráfico de drogas são a da oferta e a da procura. Todo o grupo da comunidade escolar, pais e amigos da escola, estão sendo orientados sobre o perigo do consumo. Esse trabalho é a médio prazo. Não dá para imaginar que é possível combater o tráfico só com a polícia”, destacou. 

As palestras de conscientização incluem crianças de 3 a 7 anos. Para tratamento dos dependentes, Alírio disse que, desde a instalação do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CapsAD) da Rodoviária do Plano Piloto, mais de 600 dependentes químicos foram atendidos.

* Nomes fictícios em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)